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Qual a mudança que a arte eletrônica pode causar no espaço público? O que isso difere das mudanças provocadas por um trabalho de arte contemporânea tradicional? Quais as limitações que a arte tecnológica sofre e quais as interferências no significado sobre o que é o espaço público?

Para responder essas perguntas, um objeto se faz necessário: algo que se relaciona com o ambiente que se está inserido e traga um novo significado ao espaço público. Mas a cada trabalho, há uma singularidade. Cada objeto traz um novo tipo de relação, um novo tipo de questionamento e, consequentemente, um novo tipo de significado para o que é o espaço público ou a esfera pública.

Rosalyn Deutsche, em seu texto “Agoraphobia”, afirma que a luta entre classes é o que faz ativar a esfera pública. O espaço público só pode ser constituído graças às diferenças socio-econômicas e a constituição da esfera pública. Como ela diz:

“Democracy abolishes the external referent of power and refers power to society. But democratic power cannot appeal for its authority to a meaning immanent in the social. Instead, the democratic invention invents something eles: the public space. The public space, in Lefort’s account, is the social space where, in the absence of a foundation, the meaning and unity of the social is negotiated – at once constituted and put at risk. What is recognized in public space is the legitimacy of debate about what is legitimate and what is illegitimate. Like democracy and public space, debate is initiated with the declaration of rights, themselves deprived in the democratic moment of an unconditional source. The essence of democratic rights is to be declared, not simply possessed. Public space implies an institutionalization of conflict as, through an unending declaration of rights, the exercise of power is questioned, becoming in Lefort’s words, ‘the outcome of a controlled contest with permanent rules.’”1

Neste caso, o que importa é a luta de classes e a interrelação socio-econômica entre os cidadãos. Agora, como uma obra de arte pode ser relacionada a esse tipo de conflito? Uma obra de arte conseguiria ativar este significado? Quais os significados que uma obra de arte pode trazer para o espaço público?

Um texto de Miwon Kwon, publicado na revista sobre crítica de arte October, parece apontar para um possível caminho:

“Today’s site-oriented practices inherit the task of demarcating the relational specificity that can hold in tension the distant poles of spatial experiences described by Bhabha. This means addressing the differences of adjacencies and distances between one thing, one person, one place, one thought, one fragment next to another, rather than invoking equivalencies via one thing after another. Only those cultural practices that have this relational sensibility can turn local encounters into long-term commitments and transform passing intimacies into indelible, unretractable social marks – so that the sequence of sites that we inhabit in our life’s traversal does not become genericized into an undifferentiated serialization, one place after another.”2

Será a arte pública ativadora do espaço público? Será que ela por si só consegue dar significado a um determinado local? E como fica a relação entre os cidadãos e o espaço em que esta arte está inserida? É importante ressaltar que, em muitos lugares onde a arte pública é instalada, a comunidade no entorno não é consultada ou se quer pode opinar no trabalho do artista. Se a arte pública tem o caráter de ativadora do espaço público, como se deve dar essa relação com a comunidade local? E como fica a relação entre o artista e a comunidade?

Notas:
1 – Deutsche, Rosalyn. “Agoraphobia”. Evictions. 1998. pags. 273-274

2 – Kwon, Miwon. “One place after another: notes on site specificity”. October 80. Spring 1997.

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Já faz dois anos em que fiz a pesquisa “A Arte do Cibridismo“, graças a uma bolsa de pesquisa em mídias digitais da Funarte. Naquela época, abracei o conceito teorizado por Giselle Beiguelman para descrever o estado de estar entre redes (on e offline) e fiz um mosaico sociológico sobre o contexto em que a produção de arte em novas mídias brasileira era feita. Giselle ajudou-me a selecionar os artistas que, de alguma forma, poderiam representar essa busca por utilizar formatos abertos ou demonstrar a aproximação entre a produção eletrônica e o público geral.

As entrevistas realizadas não só comentam sobre o trabalho de cada artista, mas explicam um pouco sobre a situação da arte contemporânea no Brasil. É interessante ver a preocupação pela preservação das obras que Mariana Manhães apontou em nossa conversa, ou a morte da concepção romântica sobre o que é o artista que Fernando Velázquez explica. A pesquisa, no fim, não é só sobre os artistas que usam a tecnologia como meio, mas também como eles estão inseridos em um panorama local.

Aqui, em NY, para o meu mestrado, estou a pesquisar como dar um passo além do que já foi publicado sobre cibridismo e iniciar uma conversa com o mundo artístico do hemisfério norte. Para tanto, estou desmembrando de onde vem a origem do nome (cyber + híbrido), conceitualizando a ubiquidade tecnológica, especificando os espaços públicos em que estamos inseridos, e entendendo qual a identidade de um ser inserido nesta realidade. Para mim, o cibridismo é mais do que um conceito, é um estado. Hoje nós somos cíbridos. Mas isso levanta várias outras questões: quem somos nós? Onde estamos? E como nós nos relacionamos com o ambiente inserido?

A ideia é criar um método que possa ser usado para análise de obras que usem as novas mídias. Por meio desse prisma, será mais fácil entender como a produção emerge e quais os percalços da criação. O importante, no fim, acaba sendo muito mais o processo do artista do que a conclusão da obra em si.

Vou postar por aqui a evolução da pesquisa, que será uma continuação dos estudos que iniciei em 2010. E vamos ver para onde vamos caminhar. 😉

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