# paisagemfabricada

 

No dia 25 de outubro de 2018, convidado pelo Instituto Procomum, eu participei da mesa “Cidade Comuneira”, parte do ciclo A Lente do Comum, que aconteceu no Centro de Pesquisa e Formação do SESC. Comigo estavam a sensacional Mariana Belmont e o fantástico Ricardo Brazileiro, cada um apresentando a sua perspectiva urbana/rural sobre o que são os commons. Eu, por causa do Cidade Queer, tentei trazer uma perspectiva bicha sobre o que significa este commons para a comunidade LGBT+.

É importante salientar que parto das minhas perspectivas, minhas experiências, para tentar explicar como eu vejo esse conceito. Não é algo já teorizado ou uma tentativa de explicar, academicamente, a relação do queer e os commons. O que fiz foi uma apresentação afetiva e subjetiva sobre essa perspectiva.

Abaixo, segue o texto:

Que tiro foi esse, viado?

É super desconfortável discutir o tema dos commons usando a perspectiva ou uma vida queer. Os commons, por definição, é aquilo que é compartilhado, dividido por todos ou por uma grande maioria. O queer, por sua vez, é o oposto: é o que está a margem, é o ausente, é o não condizente com aquela determinada hegemonia. Eu vou problematizar um pouco disso mais tarde, mas o termo queer, anglo-saxônico, era usado justamente para distinguir as pessoas que não se adeqüavam ao comum, ao que era considerado normal. Poderiam ser pessoas com problemas mentais, pessoas com comportamentos destoantes, ou pessoas consideradas doentes, como os LGBTs eram na época. Isso estou falando durante as décadas 1940-1950 nos Estados Unidos, onde na maioria das cidades ser gay, ser LGBT, ainda era proibido por se cometer o crime de sodomia. Para se ter ideia, um dos estados considerados mais liberais para a questão LGBT historicamente é Nova York. E somente é considerado assim porque durante o fim da década de 1950 diminuiu a penalidade da lei contra sodomia de um crime ofensivo para apenas um delito casual, em que a condenação caiu “drasticamente”, para ser de apenas 6 meses de enclausuramento. Repito: 6 meses preso.

Quando se há leis que diminuem ou condenam uma determinada parte da população, é comum ver a polícia ou outra autoridade se apropriar e explorar essas comunidades como modelo de negócio. A extorsão e o suborno se tornam atos comuns do dia a dia, como se a população explorada precisasse necessariamente pagar para quem está no poder para continuar a existir. Se não se pagar, há as famosas batidas, em que a polícia — ou qualquer outra autoridade — já chega em locais de agrupamento (que no caso LGBT seriam saunas, bares, ou baladas) junto com a imprensa e camburões para prender e fotografar todos que estavam naquele determinado local. É uma forma de punir duplamente o infrator: a punição hierárquica, para se mostrar quem está realmente no poder; e punição vexatória, em ter sua cara estampada na capa (sim, essas reportagens saíam na capa) dos jornais de alta circulação (não existia celular e tão pouco televisão naquela época…). A população LGBT é, portanto, mais uma vez, uma exceção da ordem natural, ou do comum, de uma determinada época. E foi justamente por causa dessas incursões exploratórias das autoridades que, finalmente, uma drag resolveu dar um basta nestas situações e revidar as autoridades (ou seja, os policiais). E foi aí que, finalmente, surgiu a ideia de direitos da população LGBT. Só a partir daí é que se tentou pautar uma similaridade entre o que acontecia entre os que eram hegemônicos e a população que era classificada como queer, às margens. Eu nem preciso dizer que a ideia de direitos já era algo tido como comum naquela época, e muito tempo antes disso. Mas só foi no fim da década de 1960 que esse comum pode ser compartilhado com a gente.

Isso tudo para explicar que a minha vida, a minha existência, a minha comunidade, não compartilha dos mesmos commons que nós somos obrigados a compartilhar hoje. E isso é muito provado pelo conceito que todas as pessoas LGBT sentem impostas em suas vidas desde quando nasceram: o armário. Somos, desde pequenos, cobrados a “sair do armário”. Mas, gente, o que é esse armário? E quem me colocou lá? E por que desde criança eu sou cobrado sobre isso, sendo que eu nem fazia ideia do que era? Só para vocês entenderem, quando eu era pequeno — deveria estar na 3ª ou 4ª série — na minha escola, todos os dias antes de se entrar na sala de aula, cada classe fazia duas filas no pátio: uma para meninos e outra para meninas. Eu, sem saber direito o que eu era e todas essas divisões loucas desses commons do começo da década de 1990, resolvi entrar no meio e fazer uma fila própria. Do meu lado direito, a fila dos meninos; do meu lado esquerdo, a fila das meninas; e no meio eu. Eu olhava para os dois lados e não conseguia me identificar com nenhum: não me identificava com as meninas, porque para mim eu era menino; não me identificava com os meninos, porque eu era completamente diferente deles. Nem preciso dizer o que isso resultou. Mas incrivelmente nenhuma recriminação ou constrangimento vieram de uma fila ou de outra. A repressão e a verdadeira ideia do que é esse armário veio pela reação da minha professora de educação física que ordenava as filas da minha classe: a risada sem constrangimentos e os comentários com os outros professores para ver o que o “estranho”, o “diferente”, o “queer” estava fazendo. E pior: mesmo com tudo isso, eu ainda não tinha entendido qual era o problema. Eu olhava a reação dos professores sem compreender que o que eu tinha acabado de fazer era a verdadeira razão da chacota deles. Eu só fui processar essa informação porque o meu melhor amigo daquela época, vendo a situação em que eu estava, me chamou para ficar ao seu lado. Eu, então, dei uns passos para trás e fiquei ao lado do meu amigo. Eu não estava em sua fila, mas também não estava fora, e mesmo assim continuava no meio. Foi nesse momento que eu entendi o que é o armário. É você se adequar a expectativa do outro de forma que suas vontades sejam reprimidas para que o outro se sinta confortável de andar com você. O armário é isso. Não à toa que “sair do armário” é considerado uma experiência potencialmente traumática: é o momento em que as pessoas, os commons, podem escolher não querer ter você mais por perto por você ser diferente, e você, então, ser reafirmado como queer. E é exatamente por isso que todos os LGBTs são cobrados a sair dele. Eu preciso avisar todo mundo que eu sou o queer, que eu sou à margem, que eu não compartilho dos mesmos costumes que todos os outros. E é exatamente por isso que o armário não é nosso, não é construído na comunidade LGBT, mas sim construído e compartilhado dentro desse commons, dessa hegemonia, e, depois, aplicado, violentamente, aos queers, aos que estão às margens. É um tiro que corta as nossas vidas e nos molda desde o momento que nascemos.

Eu sempre falo que a minha história, por exemplo, não é linear, vertical, como a das outras pessoas. A minha história não é ligada a territórios (países, continentes, fluxos imigratórios, etc), ou a ascendência (minha linhagem, o meu sangue, minha raça), e nem a tempos históricos. Ela acontece horizontalmente no tempo e espaço, porque nós estamos em todas as histórias simultaneamente. Não interessa de quem eu sou filho, de que país ou região eu sou, ou qual religião eu sigo. Nós existimos em todas elas. Enquanto houver uma mulher parindo, a minha história continua existindo. E é sempre bom ressaltar isso porque a história LGBT parece se repetir muito mais do que as outras histórias. A não tão pouco tempo atrás, se queria, por exemplo, acabar com a determinação do conselho de psicologia de que ser LGBT não é uma doença para que, assim, psicólogos homofóbicos pudessem praticar o que é chamada de “cura gay”. De repente, não mais que de repente, em pleno 2017, ser gay poderia ser uma doença psicológica a ser tratada e curada aqui no Brasil. Ou seja, nós iríamos voltar à mesma situação da década de 1940 em que havia um CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) para o que era considerado um transtorno comportamental. Se vocề está achando isso um absurdo, imagine que somente em junho deste ano, de 2018, que a Organização Mundial da Saúde tirou do CID a transexualidade. Então, até o começo deste ano, ser trans era um problema mental que, possivelmente, poderia ser tratado e até curado.

O mais interessante disso tudo é que há autores da teoria queer que consideram essa oposição entre o queer (ou seja, o à margem) e os commons (ou seja, o hegemônico) como sendo parte integrante do padrão, e não necessariamente do à parte. Em outras palavras, ser diferente da heterossexualidade nada mais é do que um aparato (sim, aparato) para assegurar a heterossexualidade como hegemônica e perpetuar a diferença societária entre um e outro por meio da negação. Dessa forma, o queer, então faz uma conexão inesperada com os commons, justamente com aquilo que o negou, o excluiu, o agrediu. Somente neste momento, seguindo essa ideia, que se vê o queer dentro e contemplado pelos commons. Mas se analisarmos internamente, essa ligação acontece somente pela negação do hegemônico, e não pela afirmação e estruturação de uma identidade singular. Ou seja, o queer, mais uma vez, reprimido e subjugado pelos próprios commons.

Um bom exemplo dessa situação é pensarmos que as mesmas leis que orientam o hegemônico são as aplicadas aos que estão à margem. Ao mesmo tempo em que elas orientam ambas, elas também subjugam e reprimem as diferenças. A ativista e trans Indianara Siqueira, por exemplo, deu um nó recentemente na justiça brasileira. Ao sair semi-nua durante a Marcha das Vadias no Rio de Janeiro, em 2013, ela foi abordada e presa por policiais por cometer um crime de atentado ao pudor. Porém, naquela época, a justiça brasileira não identificava a transexualidade como uma identidade própria, mas sim uma subversão da identidade binária entre o masculino e o feminino. Sendo assim, para os autos, Indianara é homem, então deveria poder sair nas ruas sem cobrir seus mamilos sem nenhum problema. Mas, já que foi enquadrada como atentado ao pudor por mostrá-los, mostra que é sim considerada como uma mulher. Então, se na condenação a justiça considera-la como homem, que anda normalmente sem camisa na rua, poderá abrir brecha para que todas as mulheres andem também sem camisetas, já que o peito em si não será mais considerado atentado ao pudor. Porém, se a justiça a considerar como mulher, abre uma brecha legal para que todas transexuais possam clamar por sua identidade de gênero oficialmente.

Não é somente as leis judiciárias que são aplicadas com medidas diferentes na população queer. Há também a questão das leis societárias/culturais, em que o que é condenável nos commons é levado como uma brincadeira nas margens. Há uns anos, por exemplo, eu fui vítima de violência de um cara que me deu uma porrada na cara em plena balada porque não quis ficar com ele. O desejo dele se sobrepôs a qualquer negação de afeto que eu poderia expressar. Nisso, o resultado não foi só eu sofrer a violência física, mas também a psicológica. A partir daquele dia, nunca mais eu deixei de ser consciente no desejo que eu poderia provocar em uma pessoa e qual limite isso poderia atingir. Em outras palavras, eu passei a medir qualquer relação afetiva que tinha para tentar evitar qualquer outro ataque. Quando isso acontece no mundo heterossexual, a condenação ao machismo se sobrepõe, e todo suporte é destinado à vítima. Quando, no meu caso, a agressão aconteceu, poucas pessoas a associaram ao machismo, muitos dos meus amigos riram, outros tantos consideraram como sendo um caso em que “as gays que se resolvam”. Se isso acontecesse dentro dos commons, do hegemônico, a reação, talvez, fosse completamente diferente.

Tudo isso para dizer que os commons, quando vistos por uma perspectiva queer, possuem outros pesos e outras medidas. Nós podemos compartilhar diversos pontos em comum, mas no fim sempre é possível ver a diferença, o tiro que transforma esse compartilhamento em imposição. Ou então em não acolhimento. Somos, no fim, à margem e, aos poucos, aos trancos e barrancos, estamos construindo os nossos próprios commons, a nossa própria estrutura.

Por fim, gostaria que vocês pensassem que tudo que acabei de descrever pode ser muito exemplificado pela possível ameaça à população LGBT que o candidato do caixa 2 proclama. Há sempre um retrocesso, uma repetição histórica, em que, do nada, nos vemos sem direitos e subjugados a um tipo de concepção moral que não nos condiz. E por mais que tentamos acompanhar e lutar contra, como estamos sozinhos, só nos sobra perguntar: que tiro foi esse, viado?

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No dia 30 de novembro de 2017, eu e a Giselle Beiguelman fomos convidados pelo capítulo brasileiro da bienal internacional The Wrong, Homeostase, a conversar sobre o que seria arte pós-internet lá no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. A Giselle fez uma pesquisa sobre o que seria o Cibridismo, o estado de estar entre os mundos virtuais e físicos, antes mesmo do termo pós-internet ser cunhado. Essa pesquisa foi a base para o estudo que fiz para a Funarte — e que ganhou o prêmio de uma das melhores pesquisas sobre arte e/ou economia da arte concedido pela Fundação Bienal de São Paulo — sobre a produção em arte e tecnologia na região Sudeste, A Arte do Cibridismo.

Abaixo, segue o texto na íntegra (sem edição ou atualização) que apresentei sobre o que seria essa terminologia e qual o contexto em que está inserida.

A Internet Deu Ruim

A Internet Deu Ruim

Antes de entrar especificamente no que é arte pós-internet, é importante analisarmos dois cenários: como a arte abordou a tecnologia durante os anos — incluindo a internet e a exploração tecnológica em si — e o que é a internet hoje em dia.

Nos primórdios dos dois lados, havia a exaltação e a euforia de que tanto a tecnologia quanto um mundo conectado era a solução de todos os nossos problemas. “Uau, agora nem precisamos fazer tarefas chatas e repetitivas. É só automatizar o processo que, tchãn, resolvido! Terei muito mais tempo livre.” Do outro lado, “hoje, se pode mandar mensagens para alguém do outro lado do mundo em poucos segundos. Todo mundo poderá dividir e distribuir seu conhecimento de forma democrática e gratuita! Que demais!!”. Daí a gente pensa no Fordismo e na concentração da internet em grandes monopólios privados e vemos que, na verdade, a história não aconteceu muito bem como a gente imaginava.

E a plena verdade a qual nós temos que nos acostumar é que: a internet deu ruim.

E deu ruim MESMO.

Eu vou entrar nesses meandros aos poucos para vocês verem como é verdade que a internet deu ruim. Mas, primeiro, vamos passar rapidamente por alguns experimentos históricos que desenvolviam arte tendo como meio a tecnologia.

 

Otimismo Cruel

 

Todos nós sabemos como o determinismo tecnológico provoca euforia em nossos corações. Sempre, SEMPRE, há a próxima tecnologia que nos salvará de todos os pecados e erros que cometemos no passado, ou que, então, nos fará ter muito mais tempo para o lazer. A gente sempre acredita nisso — e isso até tem um nome além do determinismo tecnológico, “otimismo cruel”, teorizado por Lauren Berlant para tentar explicar nossa cegueira principalmente em relação ao capitalismo, no qual nós sempre acreditamos que se trabalharmos duro, poderemos ascender socialmente e mudarmos a estrutura em que vivemos. Para ela, nós possuímos uma relação afetiva com o presente, sem tentarmos entender as reais causas e consequências do que está ao nosso redor. É quase a mesma coisa que acontece em relação à tecnologia: o salvador chegará amanhã. Eu não vou detalhar mais aprofundadamente o pensamento de Berlant, mas é importante frisar o nome que ela dá para esse sentimento de relação com o nosso modelo sócio-econômico: otimismo cruel.

 

Experiments in Art and Technology (EAT)

 

Quando vemos grupos incipientes como o EAT (Experiments in Art and Technology), em Nova York, ou as Novas Tendências, na então Iugoslávia, além do pioneirismo de ambos os grupos, se vê também o entusiasmo das pessoas participantes em relação à sua produção. Todos mostram e discutem o que eles fizeram é o “novo”, “o futuro”, o que será a realidade não só desses pequenos grupos, mas também da sociedade inteira — os Novas Tendências, inclusive, para alguns pesquisadores como Armin Medosch, podem ser considerados como precursores do pensamento livre, do copyleft, e das comunidades de software livre (e o mais engraçado é que um nomes mais relevantes do grupo é um pintor brasileiro, Almir Mavignier!). Só que, além do plano das ideias, há o plano que muitos de nós esquecemos que é o da realidade.

 

Realidade

 

Durante essas experimentações com arte e tecnologia, o que quase ninguém fala ou se lembra é que nenhuma obra funcionava por muito tempo. Mesmo na abertura das exposições, que mostravam quanto a tecnologia era, vamos dizer, interessante e que mudaria radicalmente nossas vidas, diversas obras ou não estavam funcionando, ou funcionavam por algumas horas e… já era. Alguém aqui já visitou o FILE?! Mesmo até em outras exposições icônicas, como foi o caso de “Software”, no Jewish Museum, ou “The Machine as Seen in The End of the Mechanical Age”, no MoMA, diversas obras simplesmente não funcionavam.

 

Determinismo

 

Quando o espectador — isso estamos falando da década de 1960, então, entenda como a audiência estava maravilhada com a possibilidade de deslumbrar o que se via apenas pelos Jetsons — se deparava com a obra, ela simplesmente não existia. E estamos falando de artistas que marcaram a história da arte: John Cage, Vito Acconci, Hans Haacke, Joseph Kosuth, Nam June Paik, Laurence Weiner, Robert Rauschenberg, etc.

 

O erro

 

Tudo isso para falar que o erro não é algo do acaso. Nos processos tecnológicos, ele é uma constante e não uma exceção. Tanto o é que, mais para frente, veremos diversas explorações artísticas no que se denominou de Glitch Art (ou a arte da falha, do erro). O que eu quero demonstrar com esses exemplos é que nós temos a tendência de ficar tão excitados com as tecnologias e acreditarmos tão cegamente que elas são a nossa salvação, que deixamos de lado e ignoramos os erros, o que deu errado, o que não era para ter acontecido… mas aconteceu.

A internet deu errado.

 

Tim Berners-Lee

 

Até o tão otimista e idealista Tim Berners Lee, em uma entrevista recente ao The Guardian, já diz que as coisas não parecem mais promissoras quanto eram quando ele criou o WWW. Diz ele, “Nós temos esses anúncios obscuros que me miram e me manipulam e, aí, somem, porque eu não consigo marcá-los. Isso não é democracia — isso coloca quem é selecionado nas mãos das empresas mais manipuladoras que temos por aí”. E ele continua, “nós estamos tão acostumados com esses sistemas de manipulação que as pessoas acreditam que é apenas como a internet funciona. Nós precisamos pensar em como ela poderia ser”. Resumindo: deu errado.

O que ele está falando é que a internet hoje está longe de ser o espaço democrático que foi tão almejado em seu início. Com o passar dos anos e a evolução tecnológica, grandes empresas descobriram meios de compartimentar conteúdo — como os apps, que são bolhas dentro da rede já que não dividem e nem indexam seus conteúdos –, processar essas informações e vendê-las a outras empresas como publicidade. Aliás, hoje, as grandes corporações da internet tem o grosso de seu lucro provindo de nada menos do que publicidade.

 

Neutralidade da rede

 

Logo, toda a experiência do usuário está centrada em grandes marcas, que resolvem suas demandas por vídeos, áudios, socialização e comunicação. Qual serviço usar, no fim, parece ser uma escolha, já que você teria total liberdade para não usá-los. Mas, como a centralização é tão forte, redes sociais viraram plataformas de notícias e informação; broadcasting ou video on demand são as novas televisões; e música só se escuta por serviços pagos. Não tem muito como escapar. Tanto o é que as empresas de telecomunicação sabem disso e criam lobbies para quebrar a neutralidade da rede em vários países, como Portugal, Espanha e, pelo o que tudo indica, Estados Unidos. Sem a neutralidade, as operadoras ficam livres para cobrar mais pelo acesso a essas grandes plataformas, já que consomem mais a banda de sua conexão. Ou reduzir o tráfego em outras que você ainda não pagou. No fim, isso centralizará ainda mais o uso que se tem na internet e impedirá com novas plataformas, com serviços menos mainstream, sejam fáceis de ser achados pelo usuário comum.

O que fazer, então?

 

Google Will Eat Itself

 

Em 2005, Paolo Cirio, Alessandro Ludovico e urbermorgen criaram a instalação “Google Will Eat Itself”. A obra, que questionava a popularização do mecanismo de busca, consistia em um sistema que usa adwords em sites fantasmas que eram acessados por bots que clicavam nos anúncios gerados pela empresa de tecnologia. O lucro que os cliques gerava era depositado em uma empresa, a GTTP Ltd., criada especificamente para receber essa verba, que era usada para comprar ações do Google. O intuito, dessa forma, era conseguir, com o passar do tempo, ser sócio majoritário e transformar o Google em uma empresa pública controlada pelos usuários. Além de uma ameaça de processo por parte da filial da empresa na Alemanha, obviamente os artistas não conseguiram comprar a gigante da tecnologia.

 

Aceleracionismo

 

Mas essa obra, além de questionar a parte do monopólio nos serviços online, também possui uma abordagem muito similar à encontrada no manifesto Aceleracionista, escrito por Alex Williams e Nick Srnicek em 2013 (quase 10 anos depois da obra). Segundo eles, “Aceleracionistas querem libertar as forças produtivas latentes. Nesse projeto, a plataforma material do neoliberalismo não precisa ser destruída. Precisa ser reaproveitada para fins comuns. A infraestrutura existente não é um estágio capitalista a ser esmagado, mas um trampolim para lançar o pós-capitalismo.” Em outras palavras, o que os aceleracionistas pregam é utilizar ferramentas presentes no novo mundo neoliberal para ir contra o próprio capitalismo, da mesma forma que Cirio, Ludovico e ubermorgen propuseram com “Google Will Eat Itself”. Usar a relação capitalista para destruir o próprio capitalismo.

Além da questão da supremacia das grandes companhias, há também a questão de como a relevância é interpretada pelos algoritmos proprietários desses serviços. Os feeds das redes sociais, por exemplo, não são mostrados em tempo real, ou seja, quando o seu amigo ou a pessoa que você segue publica. Mas, sim, são organizados conforme o algoritmo acredita ser relevante para você naquele exato minuto, seja de 1 minuto atrás ou dois dias.

 

NOT Harlem Shake

 

Há uns anos, por exemplo, o mundo viu as plataformas de vídeos e as redes sociais serem tomadas por interpretações do “Harlem Shake”. Diversos grupos, principalmente brancos do hemisfério norte, gravaram vídeos com danças frenéticas e, muitas vezes, até erotizadas reinterpretando a dança que surgiu no Harlem, em Nova York. Os mecanismos de busca mostravam milhões de exemplos dessas reinterpretações, mas alguém sabe de onde isso veio e como originou? Naquela época, era quase impossível encontrar vídeos que demonstravam a dança de comemoração comum em jogos de basquete no bairro negro de Nova York naquela época. Mas as versões com pessoas brancas estavam a dois cliques de distância. Isso fez com que a plataforma na época chamada de Policy Mic, focada exclusivamente nos millenials, publicasse um artigo sobre o que eles chamaram de “Internet Gentrification”, ou Gentrificação na Internet. De acordo com o artigo, a cultura negra diversas vezes na história influenciou a cultura branca. Mas, em alguns casos, “a cultura branca exagera. Esse ato de exagerar pode ser referenciado como gentrificação cultural” — eu chamo de apropriação mesmo, mas tudo bem… — “na qual os originais são expulsos de seus estilos/modos por causa da magnitude de pessoas copiando seus estilos de vida, que faz com que [as pessoas de onde essa manifestação nasceu] não veja isso como algo mais interessante de se fazer”.

 

REAL Harlem Shake

 

A apropriação cultural é algo que tem sido constantemente discutido, desde as obras de Picasso até casos em que brancos se apropriam de significantes da cultura negra como o caso dos turbantes. Mas o que não se é discutido é como o algoritmo por trás das plataformas de busca acabam contribuindo para essa exclusão cultural. No fim, para se encontrar o real Harlem Shake, aquele feito para comemorar partidas de basquete, naquela época era uma tarefa hercúlea, em que se precisava chegar à página 12, 13, 14 dos resultados para conseguir ver a origem de tudo isso. Já nos primeiros resultados, porém, se encontravam os vídeos dos apropriadores, dos brancos. Logo, uma pessoa desavisada acreditaria que, pela quantidade e pela “relevância”, eram os brancos que criaram aquela determinada manifestação.

 

Grosse Fatigue

 

Essa forma de organizar o conteúdo na internet, em que prevalece o que alguns determinam como o mais importante, no entanto, não é realidade apenas no meio online. A nossa história é baseada também na eleição por alguns do que é a narrativa oficial e, inclusive, do que deve ser preservado para a prosperidade. Isso é algo bem visível no trabalho “Grosse Fatigue”, em que Camille Henrot tenta mostrar os diferentes mitos e histórias envolvendo a criação do mundo e a evolução das espécies. Em um bombardeio de imagens capturadas no Google Images e nas coleções do Smithsonian, um narrador integrante do The Last Poets (considerado como os precursores do hip-hop e originários do Harlem) lê trechos dos mitos e lendas que Henrot encontrou em sua pesquisa no Smithsonian em estilo hip-hop, demonstrando uma certa violência e gravidade na forma como organizamos as nossas histórias e como publicizamos isso de forma a não considerar outras perspectivas importantes. Como ela diz em uma entrevista, “no caso da cultura ocidental comparado às culturas tradicionais, nós podemos falar de violência, principalmente na forma como objetos são reunidos e coletados. Isso claramente inspirou uma das perspectivas do meu filme: o fato de ver que a maior coleção do Museu de História Natural é a coleção antropológica, e em particular a coleção de objetos nativo-americanos, acumulado durante as guerras.” Ou seja, a história nativa de uma localidade entra como antropologia, e não como história oficial de um lugar. No fim, na internet, acabamos, por outros meios, replicando problemas e situações até desonestas que acontecem no mundo físico, como o caso do que é relevante para a sociedade. A tão almejada democratização, como se alardeou nos primórdios da rede, está longe de ser uma realidade. Até o contrário: o que vemos é a concentração cada vez maior nas mãos de um número muito pequeno de serviços.

 

 

Esses serviços, no entanto, teoricamente — já que não dá para comprovar, uma vez que o código deles é fechado — se baseiam em nossa navegação para considerar o que é o conteúdo mais relevante. Aliás, não só na nossa navegação, mas em como usamos o telefone e até o que falamos perto do aparelho. Quantas vezes você viu o post de alguém assustado que apareceu uma propaganda de algo que a pessoa apenas falou há menos de 1 minuto? Na teoria, é o que falamos, o que fazemos, o que procuramos que gera a relevância. Logo, é como se nós mesmos fomentassemos e criássemos bolhas de interesse que apenas demonstram aquilo que já estamos acostumados — o que é o mesmo que dizer em outras palavras que reafirmamos e replicamos a cultura hegemônica em tudo que fazemos.

Mas esse uso tem um outro lado muito pior, que é a questão dos metadados que deixamos por aí enquanto estamos livremente navegando pela internet. Em um dos episódios da terceira temporada de Mr Robot, o protagonista Elliot está a revirar o lixo de sua irmã em busca de alguma informação importante sobre ela. Ele diz: “Metadados: a história por trás dos dados. Conseguir informações é uma coisa, mas saber como ela foi criada, onde e por quem pode ser muito esclarecedor. (…) Na maioria das fotos que as pessoas postam no Instagram ou Facebook, elas não sabem que elas acabaram de dar para qualquer rede social o modelo de sua câmera, de seu telefone, seu nome, e sua localização. Tudo escondido dentro dos metadados da fotografia.” E são esses dados que as plataformas usam para direcionar os anúncios para audiências específicas que as empresas escolhem. Então, no fim, no modelo econômico que vivemos atualmente, quem possui mais dados sobre as pessoas, mais poderoso fica.

 

 

Em julho de 2010, a revista inglesa The Economist, publicou um artigo com o título “Social Networks and Statehood: The Future Is Another Country” (ou Redes Sociais e Soberania: O futuro é um outro país) em que descrevia como os milhões de usuários da rede social Facebook naquela época geravam tanto poder ao serviço quanto ao de um estado-nação. O começo do artigo descreve o encontro virtual histórico entre o recém-eleito primeiro ministro britânico, David Cameron, e o dono da rede social, Mark Zuckerberg. O intuito do chat era pegar dicas sobre a responsabilidade que é administrar milhões de vidas. Em vez de pedir conselhos a algum outro chefe de estado ou mesmo consultar sua equipe dentro de sua administração, Cameron foi pedir conselhos ao soberano Zuckerberg. Como diz o artigo: “De algum modo, parece absurdo chamar o Facebook de um estado e o Sr. Zuckerberg seu governador. O Facebook não tem nenhuma terra para proteger; nenhuma polícia para assegurar as leis e a ordem; não possui sujeitos conectados por uma clara compilação de direitos, obrigações e sinais culturais. Comparada com uma cidadania de um país, ser membro [da rede social] é facilmente adquirido e renunciado. Nem o chefe do Facebook e seus executivos dependem diretamente da aprovação de um ‘eleitorado’ que pode destituí-lo. Tecnicamente, as únicas pessoas para quem eles precisam reportar são seus acionistas. Mas muitos analistas da web detectam sim características de um país no Facebook. ‘É uma ferramenta que permite com que pessoas se juntem e controlem seus próprios destinos, muito como uma nação-estado’, diz David Post, professor de direito da Temple University. Se essa descrição soa como uma lisonja para os ‘grupos’ do Facebook (muitas vezes reunindo pessoas com opiniões lunáticas e aversas), então é melhor lembrar a clássica definição de uma nação-estado moderna. Como Benedict Anderson, um cientista político, coloca, tais políticas são ‘comunidades imaginárias’ que cada pessoa se sente conectada com milhões de outros anônimos cidadãos. Em séculos passados, as pessoas se espelhavam em seus reis ou bispos; mas em tempos de alfabetização massiva e impressão em línguas vernáculas, como Anderson argumenta, conexões horizontais importam mais.”

 

 

Cinco anos mais tarde, em maio de 2015, a Carta Capital publica o artigo “O Golpe do Facebook”, que começa com a descrição da última Cúpula das Américas no Panamá, em que, como descreve a revista, “o jovem executivo [Zuckerberg] (30 anos) circulou pela reunião dos chefes de Estado como se fosse mais um deles ou pelo menos como um presidente do Banco Mundial, não como mais um participante do fórum empresarial paralelo. Chegou a invadir, por engano, uma reunião entre os presidentes do Panamá e República Dominicana.” Isso aconteceu simultaneamente ao acordo feito entre o empresário e a ex-presidente eleita Dilma Rousseff para criar um protótipo na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, do Internet.org. A diferença entre 2010 e 2015 é que a rede passou de “apenas” 500 milhões de usuários para 1,4 bilhão, e como pontua a revista, “uma nação (…) maior do que a China”. Neste ano, a rede social já passou os 2 bilhões de usuários — e o Brasil era o terceiro colocado no número de usuários, com 139 milhões.

 

 

Paralelamente a isso, em 2013, o presidente executivo do Google, Eric Schmidt, junto com o diretor do Google Ideas, Jared Cohen, publicam um livro intitulado “The New Digital Age: Transforming Nations, Businesses, and Our Lives” (ou A Nova Era Digital: Transformando Nações, Negócios e Nossas Vidas, em tradução livre). Nele, há uma pequena seção chamada “Virtual Statehood” (ou Soberania Virtual), em que os autores teorizam a chegada de uma cidadania totalmente virtual. Como eles dizem, “a saber, nós acreditamos que é possível que estados virtuais sejam criados e que sacudirão o cenário online dos Estados físicos no futuro”. Para argumentar por tal estado, Schmidt e Cohen usam como exemplo a população curda, que não possui representação fidedigna de seu território, mas possui experiência de quase autonomia, como o Curdistão iraquiano. Como explicam os autores: “perseguidos tanto no mundo físico quanto no virtual, grupos que não possuem soberania formal podem escolher emulá-la online. Enquanto não tão legítimo quanto ou tão útil como uma atual soberania, a oportunidade de estabelecer uma soberania virtual pode provar ser, no melhor cenário, um passo significativo para uma soberania oficial, ou no pior cenário, um agravamento que pode levar os dois lados a um confuso conflito civil”.

 

Cidadania Virtual

 

Mais adiante, Schimidt e Cohen argumentam que os dados dos cidadãos desta soberania virtual podem ser usados para beneficiá-los quando houver algum conflito entre partes. Ou seja, se os curdos estiverem passando por ataques, bullying ou espionagem virtuais, as informações de que quem possui ou está conectado a esta cidadania podem ajudá-los a receber apoio tanto virtual quanto físico (sejam de entidades governamentais quanto privadas). E por fim, eles decretam: “Quão bem sucedidas essas reivindicações de soberania virtual serão (o que constituiria sucesso, no final?) ainda há de ser visto, mas o fato de que isso será factível diz algo significativo sobre a difusão de poder estatal em uma era digital.”

 

Drones

 

Continuando na parte do poder das empresas de tecnologia, em 2013 a Amazon veio com uma ideia brilhante: fazer entregas em praticamente tempo real por meio de drones. O anúncio foi feito pelo CEO da empresa e o atualmente homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, durante um programa “60 Minutes”. Nele, o empresário afirma que, na verdade, o serviço só poderia estar disponível dois anos mais tarde. Mas daí fica a pergunta: por que fazer o anúncio tão cedo, se nem a empresa tinha a tecnologia disponível para tanto? Porque um ano antes, o Congresso norte-americano promulgou uma lei em que estimava que a regulação para o que eles chamam de unmanned aerial vehicles (UAV) ou unmanned aircraft systems (UAS) — no fim, os dois são drones — fosse feita até setembro de 2015, coincidentemente a mesma data que Bezos previa para o seu serviço de entrega, o Prime Air. Hoje a gente já sabe que, na verdade, o processo vai demorar muito mais do que a lei ou o CEO da Amazon previram. Mas o que é importante ressaltar é que, com o anúncio mesmo que precoce e com os planos da empresa publicizados, toda a discussão da regulação de drones no espaço aéreo vão levar em conta a própria logística de entrega da empresa. Não à toa que, logo após o anúncio, a gigante articulou diversas vezes com o órgão regulamentador aéreo norte-americano para mostrar seus testes. Não conseguiram, mas conseguiram espaço no Reino Unido para realizar testes e pautar toda a discussão.

 

 

Tanto o é que, um ano mais tarde, em 2016, eles finalmente conseguiram mostrar os protótipos de como funcionaria o sistema e pautar a mudança da regulação para que contemplasse drones sem estar ao alcance dos olhos do “piloto”. E, agora, em novembro de 2017, sob a administração Trump e seguindo conselhos da Casa Branca, a Federação de Aviação do país liberou os testes com drones para delivery, passando a responsabilidade aos Estados e Municípios de todos os testes que sejam feitos em seu território. Agora, quando se vê a patente da empresa para o Prime Air, se vê que além da entrega, os drones podem também “espionar” a casa dos consumidores, analisando por exemplo se as telhas do telhado precisam de conserto ou se o jardim precisa de fertilizantes. Assim, na próxima vez que o consumidor abrir as redes ou mesmo o site da loja, haverá anúncios direcionados para esses problemas do dia-a-dia. Para quê metadados se agora se pode consultar in loco?

 

HOW NOT TO BE SEEN: A FUCKING DIDACTIC EDUCATIONAL .MOV FILE

 

Aparentemente, o único meio para se evitar essa constante vigilância parece ser ficar invisível ou desaparecer do mapa. Tudo o que fazemos parece deixar rastros, migalhas, que são exploradas para fins que pouco sabemos ou temos qualquer controle. Nessa perspectiva de desaparecer, a artista Hito Steyerl, criou o vídeo “How Not to be Seen: A Fucking Didactic Educational .MOV File” em que, copiando uma esquete de Monty Python, ela discute, ironicamente, diversas formas para poder desaparecer considerando as tecnologias digitais e sua proliferação nos nossos dias. Camuflagem, viver em uma comunidade fechada (como os tão populares condomínios fechados aqui em São Paulo) ou em uma área militar (alguém já passou ali pela Vila Mariana?) são algumas das possibilidades que a artista mostra, mas a minha preferida é: ficar menor do que um pixel. De acordo com ela, as imagens aéreas, sejam de satélite ou de drones, são calibradas por meio de áreas construídas ao redor do mundo para ajustar a definição e a resolução das imagens. No vídeo (que está disponível online no site da Art Forum), ela visita um desses lugares, na Califórnia, para mostrar que é sim possível ficar invisível para as câmeras. Esse ponto de calibração que vocês vêem na tela é um antigo, que já foi abandonado. Quando se busca pelo assunto na internet, é possível encontar *diversos* lugares com configurações similares, seja nos Estados Unidos, Índia e até na China. Eles possuem diversas formas e formatos também, dependendo do tipo de câmera que precisa ser calibrada. Mas, ainda segundo Hito, hoje se adota um mais simples, com 3 quadrados, sendo dois brancos e um preto. Cada um representa o tamanho de um pixel na imagem digital. E, seguindo a lógica de Hito, se eu ficar menor do que um pixel, eu ficarei invisível para as câmeras! Essas pessoas com as caixas na cabeça estão tentando fazer exatamente isso…

Mas, no fim, o que tudo isso tem a ver com arte pós-internet?

É importante entender que pós-internet é apenas um termo entre tantos outros que já foram usados para descrever quase o mesmo princípio, porém por pesquisas diferentes (como é o caso de Cibridismo que a Gisele teorizou e que eu usei para embasar uma pesquisa sobre produção em arte e tecnologia no Sudeste para a Funarte): a interferência do mundo online no mundo offline, ou a quebra de uma barreira que separava os dois mundos. Não à toa que os geeks são os moderninhos de hoje em dia… Mas, enfim, a produção artística e crítica com essa nomenclatura se propõem a não ficar em um dos dois lados (se você ainda pensa dessa forma, em que cada um fica de um lado), mas sim considerar as interferências de um no outro. Um termo que eu gosto mais do que usar o prefixo “pós” é o usado por Cory Arcangel (aliás, um dos artistas referências para esse termo): “internet aware”, ou consciente da internet. Ele explica melhor que a produção com esse foco mostra as mudanças e influências pelas quais nossas culturas passaram com o mundo conectado. Uma produção que mostra essas influências, as critica e mostra novos modos de as perceber.

 

Afrofuturismo

 

A questão, porém, é que essas influências não são algo novo, e nem específico à democratização do acesso e das tecnologias que vemos hoje. Muito antes disso, na década de 1960 e 1970, por exemplo, se podia ver artistas que consideravam os princípios das tecnologias, da ficção científica, para explicar questões identitárias, como o grande Sun Ra e sua orquestra. Ele era uma loucura, e misturava extraterrestres com cultura egípcia, além de vestimentas futuristas e muitos sintetizadores. Ele foi um dos alicerces para que o surgiria depois, na década de 1990, o que se chama de Afrofuturismo, que utiliza da cultura tecnológica (muito semelhante ao “consciente da internet” que o Arcangel fala) para criticar os problemas e dilemas vividos pelas comunidades negras.

 

 

Alguém aqui já o viu o videoclipe “Many Moons”, da Janelle Monae? Então, nele, ela simula um leilão para a venda de andróides, que no caso são todos com sua fisionomia, uma clara alusão à venda de escravos, que são forçados a fazer trabalhos repetitivos a mando de um senhor. Muito semelhante a um andróide.

 

Xenofeminsmo

 

A questão identitária — que, necessariamente, envolve a cultura e suas modificações — não só é abordada pelas comunidades negras, mas também para exemplificar uma nova forma de se abordar o feminismo considerando a evolução tecnológica. O coletivo Laboria Cuboniks criou um manifesto chamado Xenofeminismo em que clama por uma nova abordagem na luta pela igualdade de gêneros considerando as ferramentas hoje disponíveis. Como elas falam, “O nosso é um mundo em vertigem. É um mundo invadido por mediações tecnológicas, que entrelaçam nossas vidas diárias de maneira abstrata, virtual e complexa. XF constrói um feminismo adaptado a essas realidades: um feminismo de inteligência, escala e visão sem precedentes; um futuro no qual a realização da justiça de gênero e da emancipação feminista contribua a uma política universalista montada a partir das necessidades de cada pessoa, independentemente de sua raça, habilidade, posição econômica ou posição geográfica. Não mais repetição sem futuro na espiral do capitalismo, não mais submissão à monotonia do trabalho, seja produtivo ou reprodutivo, não mais coisificação do natural mascarado como crítica. Nosso futuro requer uma despetrificação. XF não é uma oferta de revolução, senão uma aposta sobre o longo termo da história, que exige imaginação, destreza e persistência…” Para elas, nós sempre estivemos em um estado de alienação e não será hoje que conseguiremos sair dele, por isso, se deve usar o que nos deixa alienados para que possamos ter novos mundos em um futuro próximo.

 

 

Aliás, é justamente esse estado de alienação, hiperatividade e conectividade que é tema das obras de Ryan Trecartin. Em suas instalações, se vê vídeos que retratam pessoas que parecem estar sob efeito de esteróides ou drogas mais pesadas, porque estão forçando e elevando à máxima potência como adolescentes, por exemplo, conversam e tratam uns aos outros. Eu tive a oportunidade de trabalhar um pouco com Trecartin durante a pesquisa para a última trienal do New Museum e, realmente, os vídeos fazem jus ao artista.

Eu vou finalizar por aqui, porque acho que essa imagem do Trecartin diz muito sobre nossa contemporaneidade, mas ressalto o meu argumento que a internet deu ruim e que temos que pensar em novos meios, novas formas de usar a estrutura que temos disponível hoje para nos organizar de forma diferente. No mês passado, aqui no MIS mesmo, eu participei da Temporada de Projetos aqui do Paço das Artes com o Laboratório Gráfico Desviante, e nele a gente resolveu não usar a internet para streaming ou divulgação dos temas que debatíamos, mas sim criar uma rede local, que só era acessada por quem estava no lugar, para organizar as referências que pesquisavamos e que nossos convidados traziam. Cada vez mais se vê iniciativas que desistiram da internet como ela é hoje e que tentam propor algo menor, entre pares, usando criptografia para que não seja qualquer um (como uma empresa) que tenha acesso àquilo que se quer divulgar. O pós-internet, a meu ver, seria algo que abandonasse tudo o que a gente vê hoje e propusesse uma nova forma de usar as tecnologias vigentes.

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E, por fim, chega-se a uma conclusão sobre o que fazer com o Minhocão. Nessa quarta-feira, 9/03, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad decretou que a via elevada que corta o centro da cidade deve ser considerada como um parque, tendo o mesmo status que áreas arborizadas e de lazer da cidade. Segundo ele próprio, isso é uma ótima ação, pois agora se poderá ter uma zeladoria e um conselho gestor.

Repare: isso tudo em uma via de concreto armado.

Não é preciso ir muito no passado para lembrar que um parque que já estava pronto foi negado à cidade para que empreiteiras e o mercado imobiliário consigam explorar o espaço. A luta do Parque Augusta era exatamente pela preservação de uma área verde, com árvores centenárias, e que fica localizada bem ao fim do Minhocão. Mas, a pressão dos financiadores de campanha e a histórica venda da cidade para o mercado imobiliário, novamente, foram mais fortes do que decisões voltadas às reais demandas dos cidadãos.*

Mas, calma, São Paulo agora possui um outro parque, um feito inteiramente de asfalto, localizado em uma região com um processo de gentrificação intensificado, e que é usado como espaço de consumo gourmet, com preços bem longes do orçamento dos moradores de classe média-baixa que estão no entorno. Resumindo: um parque para Higienópolis ter como seu.

É notável que o prefeito utiliza a bandeira do “direito à cidade” para criar cada vez mais espaços para os jovens da elite branca de São Paulo. O centro é agora o mais novo alvo, que tanto agrada ao mercado imobiliário e pouco diz aos residentes da região.

O que é mais intrigante é que essa decisão vai totalmente contra o que se defende dentro do conceito de “direito à cidade”. Não se está falando em inclusão, mas sim em mais uma exclusão das pessoas que já são excluídas do sistema e ampliação de mais áreas para um público interessado no consumo crescente e extremamente elitizado. Agora, se o prefeito realmente se importa com o “direto à cidade”, pergunto: quantas vezes ele consultou sua própria coordenadoria para o tema sobre o assunto? O que ela disse? E por que assinar o decreto com o secretário de Desenvolvimento Urbano, que como diz o título do seu cargo, está mais associado às necessidades do mercado imobiliário?

Participei de uma reunião com o prefeito em 2015 justamente para discutir sobre o tema do Minhocão com diversas secretarias presentes, incluindo a Secretaria de Saúde. Mas a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, e sua Coordenação de Promoção do Direito à Cidade, porém, não estavam lá. E sequer ficaram sabendo da conversa. De acordo com nota da própria prefeitura, “o prefeito ressaltou que qualquer decisão sobre a estrutura, cujo prazo vai até o final da próxima década, deverá ser acompanhada de medidas mitigadoras para evitar a expulsão da população de baixa renda que vive naquela região”. Se isso é real, onde estiveram a secretaria e a coordenação em toda essa discussão? Elas deram algum parecer? Se isso é realmente bom para a cidade, pelo ponto de vista de direitos, cadê a participação deles nesse processo?

No fim, o que se parece é que para essa gestão a efeméride é mais importante do que o próprio fazer. A criação da coordenação (que é um ganho para a cidade!), por exemplo, é importante só como ato, não como ação. O mesmo acontece com esse decreto: eleger uma vida de concreto armado como parque é lindo aos olhos, mas horrível para a cidadania.

Parque de concreto, não, obrigado!

* UPDATE (28/03/16, 10h11): O Augusto Aneas me corrigiu em relação ao Parque Augusta: “O texto está ótimo. Só a menção ao Parque Augusta que me parece equivocada. Parque Augusta ainda resiste. Não existe nenhum projeto aprovado porque o processo em andamento foi paralisado pelo MP. A área integralmente acaba de se oficializar como ZEPAM e ZEPEC no novo zoneamento. E já tem verba destinada para a desapropriação integral da área. Estamos apenas ainda na disputa do valor dessa desapropriação.

* UPDATE 2 (28/03/16, 12h39): A Alessa Camarinha, do Bloco Ritaleena, acrescenta uma outra perspectiva sobre o assunto, focando no Carnaval de Rua e na ideia de participação e construção conjunta com o governo: “ ah.. Essa sensação que os espaços de discussão são apenas criados para figuração. E que na verdade a decisão será de cima pra baixo. Ano retrasado a prefeitura criou vários GT’s para se discutir coisas práticas e ideológicas do carnaval. Foi uma discussão muito boa e produtiva para aquele momento, e o esqueleto do carnaval 2015 foi feito em conjunto, população, moradores e organizadores. 2016 todo mundo esperando ter um avanço naquelas discussões, e até se criar um fórum permanente… A prefeitura ficou cozinhando a gente e em cima do carnaval marcou uma reunião com tudo definido, cedendo a chantagens de moradores de bairros… Tipo, perdeu-se uma puta oportunidade de se fomentar a busca por um outro fazer carnavalesco. O resultado foi importar os “mega-blocos” de outros lugares e ignorar praticamente os locais… Ainda tenho esperanças, mas via população dessa discussão e dos reflexos que vem sendo o carnaval SP. Mas via prefeitura não é mais agenda claramente.

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Ainda reverberando nas questões envolvendo o Judiciário e o Minhocão, me deparo com a situação atualmente vivida pelo Teatro Oficina, em que o processo de tombamento realizado pelo IPHAN vai para água abaixo graças à ação do Ministério Público Estadual defendendo as ações de expansão do grupo do Sr. Silvio Santos.

Abaixo, leia o manifesto escrito por Zé Celso em que explica os pormenores dos trâmites que pode acabar com o projeto de Lina Bo Bardi, considerado pelo The Guardian como um dos 10 melhores teatros do mundo:

Há 58 anos o Teat(r)o Oficina cultiva a cultura no número 520 da rua Jaceguay, no Bairro do Bixiga y seu entorno. Há 34 anos lutamos contra o massacre predatório da especulação imobiliária no bairro, baixado, incorporado, no capital do grupo Sisan, empreendimento imobiliário – braço armado da especulação imobiliária do grupo Silvio Santos.

A partir de 2010, quando o Teat(r)o Oficina foi tombado pelo Iphan, o próprio Silvio Santos colocou francamente a questão: Já q a partir de agora, não podemos construir mais nada em nosso Terrenoeu não desejo empatar o trabalho de vocês, nem quero que vocês empatem o nosso, proponho a troca do terreno de propriedade do grupo por um terreno da união do mesmo valor. 

Diante dessa proposta, boa parte dos representantes do poder público deram início a uma articulação política para que a troca fosse feita, e o terreno do entorno do teatro tivesse destinação pública e cultural. Neste mesmo ano, foi estabelecido um contrato de comodato entre o Grupo Silvio Santos e a Associacão Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. A ocupação do Terreno teve início através de um Ritual Teatral: uma Tenda de 2.000 lugares para o Público foi levantada pra que se encerrasse a Temporada Nacional das “Dionizíacas 2010”, com a encenação de “Bacantes”, O Banquete”, “Cacilda!! Estrêla Brazyleira á Vagar”.

Na Estréia ox atorexs y  Público em Cena no Nô Japonês “ Taniko”,  derrubaram os  Muros do Beco sem Saída q limitavam a Pista do Teat(r)o Oficina, Rua Lina  Bardi e, atuando, descendo uma longa rampa, pisaram  nas terras do Entorno Tombado pelo Iphan, penetrando na “Taba do Rito”. Há 5 anos, o Terreno vem sendo cultivado e cultuado pelo Público nos Ritos Teatrais do Oficina Uzyna Uzona.

No entanto, desde 2009, uma parte do grupo Silvio Santos vem tentando aprovar seu atual empreendimento imobiliário – as torres residências, nos órgão de preservação do patrimônio. O IPHAN, órgão de preservação do âmbito federal, vinha impedindo a aprovação do empreendimento. Esta deliberação ganhou um prazo limite para o dia 22 de janeiro, caso contrário, o Iphan está ameaçado de multa pelo grupo especulador, decidida no Ministério Público.

Diante da situação, o Iphan manifestou não ter instrumento jurídico para barrar o empreendimento, mas hoje re-existe, convocando representantes do poder público aliados e diretamente envolvidos no processo de defesa do patrimônio cultural, sobretudo ligados aos movimentos da Troca de Terrenos do Entorno do Oficina, por um Terreno da União, para uma reunião nesta data limite da deliberação: hoje, 22 de janeiro.

O Objetivo é criar uma estratégia, numa articulação conjunta dos órgãos de preservação do patrimônio federal (IPHAN), municipal (CONPRESP), secretaria municipal de cultura, ministério da Cultura, SMDU (secretaria de desenvolvimento urbano) para dar a única destinação possível para este último pedaço de terra do bairro do Bixiga: área demarcada pública, de uso estético, cultural, político e Ritual.

As Terras do Oficina são terras demarcadas pelo próprio processo cultural teat(r)al nelas cultivado, permanentemente florescente, em cada estação.

O projeto atual da SISAN encaixota o teatro e encerra o janelão de 100m² na escuridão com a proposta de um empreendimento imobiliário de impacto incalculável, tanto na obra de arte feita por Lina Bo Bardi e Edson Elito: considerada no fim do ano de 2015, pelo The Guardian, como o melhor teatro do mundo, quanto ao Corpo de Artistas de Muitas Gerações que criaram esta Companía de Artistas de 58 anos, em Permanente Mutação Geracional, cultivando estas terras com uma revolução Teat(r)al.

Os órgãos de preservação alegam, a primeira vista, não ter instrumentos jurídicos para deliberar contra o empreendimento, mas claramente o projeto entope as ruas do Bixiga com uma frota nova de carros, descaracteriza o traçado original e tombado do bairro e assombra uma sobreposição de áreas envoltórias de bens tombados, formada pela Casa da dona YayáTBC Teatro Brasileiro de ComédiaTeat(r)o Oficina, Vila Itororó e conjunto de sobrados da rua Japurá.

A aprovação das torres certamente escancara como nunca antes o bairro do Bixiga para a entrada da especulação imobiliária, sobretudo porque o projeto vem aparelhado com o lançamento a toque de caixa de um edital para leiloar os baixos do viaduto Julio de Mesquita Filho, em frente ao teatro, rasgando boa parte do bairro do Bixiga, criando uma verdadeira cicatriz urbana.

O edital, parece que vindo da Prefeitura, entrega a área ao maior capital oferecido para explorar comercialmente os baixos do viaduto, num projeto que nem sequer obriga a empresa vencedora a conhecer o espaço terreno; se caracteriza assim um movimento de capitalização voraz de qualquer terra pública que se aviste, como se toda terra precisasse se tornar lucrativa para atender o que o poder público chama de “revitalização”. Levados pela paranóia econômica de que diante do dito caixa zero dos cofres públicos, toda a sobra de espaço que ainda re-existe em são Paulo precisasse ser entregue à iniciativa privada, para o mercado ditar o destino das terras públicas e da cidade, o que se cria é uma situação permanente de violação e submissão da cultura ao capital.

Trazemos agora a presença de Aziz Ab’Saber, o geógrafo q foi presidente do Condephaat nos anos 80 e ao mesmo tempo Tombou a Serra do Japí, o Teat(r)o Oficina e um Território Indígena em São Paulo.

Quando as pessoas que ocupavam cargos de proteção cultural diziam a ele que não tinham Poder, ele refutava com seu próprio exemplo, declarando que o Poder é de quem o exerce.

Em 2010, junto com o tombamento do Oficina pelo Iphan, outros dois tombamentos foram aprovados. Um deles protege 14 bens da imigração japonesa no Vale do Ribeira, em São Paulo – fábricas, igrejas, casas e até as primeiras mudas de chá Assam (preto) plnatadas no Brasil, em 1935. Também foram protegidos dois lugares considerados sagrados por índios do Alto Xingu, no Mato Grosso – o Iphan atendeu a pedidos das etnias waurá, kalapalo e kamayurá. Os dois lugares, chamados Sagihengu e Kamukuwaká, fazem parte do Kwarup, a maior festa ritualística da região.

Mirando-nos no exemplo da atuação de Aziz Ab’Saber, temos a certeza de que hoje, os representantes do Poder do Patrimônio Cultural, Brasileiro e de São Paulo, que se reúnem nesta Capital do Capital, encontrarão medidas que impeçam que o Poder do Capital Especulativo, camuflado em argumentos jurídicos, massacre o Poder Cultural da Justiça, em sí.

O Poder Político Humano dos que ocupam os Órgãos de Patrimônio referidos, tem no dia de hoje o apoio de todos que acreditam no Poder da Cultura e da Inteligência da Criatividade Humana para a resolução das equações mais ameaçadoras da Crise Econômica.

Antes de tudo, vivemos pra transmutar uma Crise que é, muito mais que econômica, uma questão Cultural e Política. Crise é momento de Criação de novos caminhos para um novo tempo.

Hoje, a perspectiva que o poder público precisará ter, é da Cultura e não do direito como paradigma da Política; e do Teatro como Paradigma de Vida.

Assino em baixo:

José Celso Martinez Corrêa – 78 anos, Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

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Mais uma vez, em uma decisão extremamente autoritária e sem sentido, o Ministério Público Estadual atua impedindo o uso cultural e artístico das ruas de São Paulo. A Sub Prefeitura da Sé não autorizou o trajeto original do Bloco do Tucanistão, que questiona o governo estadual e tem seu percurso nas ruas centrais da cidade incluindo o Minhocão, por causa de uma ação do MP contra a própria Sub. De acordo com o processo, nenhum evento de grande porte deve acontecer nas estruturas do Elevado pois o gradil é 10cm menor do que o previsto por lei, o que pode causar com que pessoas caiam da via.

Por causa dessa argumentação, já foram barradas diversas atividades no viaduto, incluindo algumas oficiais da prefeitura de São Paulo: a Virada Cultural, uma audiência pública sobre o futuro do elevado, e até o lançamento de um projeto da Secretaria de Direitos Humanos. Ao mesmo tempo que proíbe eventos, o Minhocão continua aberto às pessoas durante os fins de semana e atraindo milhares para diversas atividades de lazer. Se o problema é realmente segurança, como ele poderia continuar aberto aos sábados e domingos? No fim, é o Ministério Público definindo qual será o uso social de um determinado espaço público. Sem discussão, sem negociação.

A ação do Ministério Público veio pela articulação extremamente conservadora de Associações dos Moradores da Roosevelt, Santa Cecília e Marechal Deodoro. A discussão sobre construir um parque na área da via elevada fez com que os moradores se articulassem para barrar qualquer tipo de atividade cultural e artística no Minhocão. Sem participação, sem consultas. Não à toa que a região é a área eleitoral de políticos como o Coronel Telhada, da Bancada da Bala.

O problema é que a ação não só proíbe as atividades da associação que quer o parque, mas também uma manifestação cultural legítima e incentivada pela própria prefeitura. É o que se vê na justificativa do decreto nº 56.690 de 7 de dezembro de 2015, que regula o carnaval de rua de 2016: “CONSIDERANDO que os festejos carnavalescos se inserem no Calendário de Eventos da Cidade de São Paulo; CONSIDERANDO a dimensão cultural, simbólica, econômica e turística do Carnaval de Rua no Município de São Paulo, a sua importância histórica e artística, bem como sua característica territorial, de presença capilarizada nas regiões da cidade; CONSIDERANDO a necessidade de regramento do Carnaval de Rua, consolidando a política e o ordenamento das várias esferas de intervenção da Prefeitura Municipal e de outros agentes, com vistas à afirmação da dimensão cultural desse evento e à valorização comunitária de suas manifestações, D E C R E T A:.” Mesmo com todas essas considerações, o Bloco do Tucanistão foi barrado de seu trajeto original, sendo que o artigo 2º do mesmo decreto diz: “As manifestações carnavalescas devem percorrer preferencialmente seu itinerário tradicional, sem prejuízo dos períodos necessários à concentração e dispersão do seu desfile.”

A ação do Ministério Público não é só polêmica pela proibição em si, mas porque cria uma jurisprudência em definir como deve ser usado determinado espaço público. Não importa se o Legislativo aprovou uma lei, ou se o Executivo estruturou um pacote de políticas públicas para incentivar a ocupação dos espaços públicos. No fim, a palavra final está sendo do Judiciário, que não tem capacidade para regular sobre a vida dos cidadãos desta maneira.

O mais irônico é que o Bloco do Tucanistão surgiu exatamente para questionar as ações truculentas e contínuas do governo do Estado na cidade de São Paulo. Inspirados no artigo de Vladimir Safatle, em que descreve o Estado de São Paulo como um grande Tucanistão, diversos artistas e produtores culturais se juntaram para fazer um bloco político, resgatando as marchinhas que descreviam problemas cotidianos com ironia e bom humor. Agora, o Bloco do Tucanistão sofre as consequências do próprio Tucanistão.

E como é o lema do bloco: VIDA CURTA AO TUCANISTÃO!!!

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Antes de mais nada, é importante salientar e explicar a importância de um órgão como o Conselho Nacional de Política Cultural. Composto pela sociedade civil e pelos diferentes órgãos que compõem o Sistema MinC, o CNPC é um órgão de comunicação direta entre a sociedade civil artística organizada e o Executivo responsável pela implementação de  políticas culturais. É um mecanismo de participação democrática direta na definição de quais políticas públicas são ou serão prioridades para cada setorial artístico ou de Patrimônio (que engloba desde circo, arte digital, culturas indígenas e políticas de livro, leitura, literatura e bibliotecas, etc). Logo, é um mecanismo que deve ser estimulado, legitimado e divulgado para que tenhamos cada vez mais meios de conversar diretamente com o governo federal. Mas é preciso também dar tempo para críticas de forma que possamos cada vez mais melhorar os processos de participação.

Na semana passada, aconteceu no Rio de Janeiro o Fórum Nacional Setorial em que seriam eleitos os colegiados de sete linguagens artísticas: teatro; circo; dança; música (popular e erudita); livro, leitura e literatura; artes visuais; e, por fim, arte digital. Eu estou como delegado de arte digital por São Paulo (já que o eleito Felipe Fonseca e o candidato com o mesmo número de votos que eu mas mais velho William Figueiredo não poderiam ir ao Fórum) e, logo, participei da votação para o colegiado. O que era para ser um espaço para se discutir políticas públicas e planos para o biênio 2015-2017, virou uma discussão para deslegitimar o próprio setorial e valorizar uma coordenação dentro do Ministério da Cultura, tudo isso orquestrado por membros do governo que deveriam ser apenas mediadores dos debates.

Por causa da estruturação do colegiado e pela falta de informação sobre o que é essa linguagem artística, desde a formação do setorial já se viu a necessidade para a criação de um outro que se discutisse cultura digital de forma mais ampla (veja a moção apresentada pelo primeiro colegiado do setorial). É uma demanda constante que precisa ter respaldo dentro do Ministério de forma a não prejudicar o trabalho deste setorial que precisou de anos de articulação e um abaixo-assinado com mais de 700 nomes para que acontecesse. Por causa dessas discussões (ou falta de), a FUNARTE, órgão do Sistema MinC que deveria orientar as conversas do setorial, não se posiciona como representante governamental, o que gera um vácuo de articulação para as políticas públicas a nível federal. Vendo esta situação, a Coordenação-Geral de Cultura Digital, capitaneada por José Murilo, se aproveita e resolve coordenar a discussão do setorial para colocar à votação, durante o nosso Fórum, se cultura digital deveria ser abarcada no próprio nome do setorial. Em outras palavras, o governo impôs uma pauta à sociedade civil de forma a reestruturar um setorial organizado e articulado legitimamente pela própria sociedade. Não foi uma pauta que surgiu pelos próprios delegados, mas sim imposta por representantes do governo à sociedade para fins que não atendem o setorial em questão.

É importante frisar que essa discussão imposta por José Murilo, além de ser completamente inoportuna, vai na contramão das definições e trabalhos da gestão anterior do colegiado. Durante o biênio passado, o colegiado discutiu a questão exaustivamente e decidiu, por fim, para seu regimento interno que está ainda em construção, não incluir cultura digital em sua estrutura. Ou seja, além de ter sido uma articulação para fins próprios, ignora completamente o trabalho construído pelos delegados eleitos anteriormente. Isso, para o setorial de arte digital, é extremamente desarticulador, uma vez que cultura digital é um tema muito mais amplo do que uma linguagem artística. Contemplar e abarcar a questão da cultura em um setorial de arte não só deslegitimaria a linguagem, como também traria mais confusão sobre como pautar políticas públicas para o setor (há anos que o setorial de arte digital tenta uma representação dentro da Secretaria de Audiovisual e FUNARTE e, até hoje, é ignorada).

Por que o governo, na forma representada pelos seus mediadores, impõe a desarticulação de um setorial que já está na luta há anos para conseguir mais espaço e incentivar a inovação tecnológica do país? Isso pode se tornar uma grave ameaça ao processo democrático tão importante e raro do CNPC.

Toda essa situação (além também da imposição de se trocar as regras já contempladas no regimento) demonstra que a legitimidade do CNPC como um todo ainda padece de melhorias na própria estrutura do MinC. Isso ficou provado pela falta de assinaturas na ata da votação, já que a situação ficou caótica por conta dos mediadores e todxs se esqueceram de passá-la ao final. No fim, só resta a dúvida: essa eleição foi legítima?

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Eu estava esperando achar algum lugar para publicar a tese em forma de artigo, mas como já se passou mais de um ano e até agora não consegui emplacar o texto, vai por aqui mesmo.

Hoje, quando leio, há várias citações, explicações, referências que mudaria e vários — tipo, váááários — parágrafos que cortaria ou tentaria resumir. Mas, de qualquer forma, segue ela na íntegra. Ela foi desenvolvida junto a uma exposição homônima que ocupou duas galerias do Hessel Museum of Art. As imagens vocês podem conferir neste post. E quem quiser ler em pdf, eis o arquivo.

Boa leitura!

INTRODUCTION

There are several cities and countries that do not use names to mark their streets, as is the case in Ghana, several Japanese cities, or even Brazil’s favelas. In each instance, there exist different relationships with this nomenclature system that can be understood in terms of targeted interference in the way locals navigate inside the city or even from a political perspective that explains a division of classes present in society. What is common between them is that the names that appear at street corners have a much greater meaning than being just a simple name: they can (and are) used as a mechanism of control by the government or private companies to guide us in how to relate to the urban space. The nomenclature then goes beyond being a mere word, becoming what I call an urban commodity. In other words, it is an intrinsic system of the urban environment that has value in and of itself and is used by the macrostructure to plan, monitor, and control society.

In the case of Ghana, for example, the government received financial support from the World Bank and USAID fund to map, mark, number, and name the streets of the country. Using the argument that more than 50% of the population now lives in urban areas, the aim was to enable telephone companies and financial institutions to more easily track those who do not pay their bills. Until then, companies were at the mercy of knowing the place and asking locals for a few references (such as a specific tree or some most notorious resident) to locate the debtor – which could take weeks to happen. Now, with the new system, financial institutions can quickly collect what is owed. In addition, international funds use the argument that it will bring greater revenues for the country, so it should encourage investment in mapping, and they could lend money to the government – thus increasing its external debt. As USAID’s webpage itself says:

Many challenges remain to meet the vice president’s goal of implementing the guidelines throughout the 212 districts of the country. Conservative estimates based on USAID’s experience with five districts suggest that Ghana would need at least $30 million to implement the program nationwide. This estimate does not include the major cities, as cost may vary depending on size. The Ghanaian Government may have to solicit these funds from external sources.1

What can be seen in this case is that the naming of streets is more than just the name, but something that has value in itself and is used to order and structure the urban environment. Japanese cities, however, instead of using nomenclatures, prefer to use a number system for blocks, leaving the streets in these areas without specific names. To find one’s way in the urban space, then one must develop a familiarity with the area by asking locals or using a GPS system. The navigation is not intuitive, which makes the passerby interact more actively with the space to try to find what they need.2

On the other hand, the favelas of Brazil also don’t have names for the streets, but for different reasons. While in the Japanese cities the government decided to adopt a number system for demarcation, due to the unregulated occupation of the slums, the region expands depending of the arrival of new families and not according to the number of available homes. They are heavily populated areas that do not respond directly to the offers of the real estate market as, generally, the lots are illegal. In these regions, the (lack of) names of streets are related to the economic status of its residents and the lack of government interest in regulating this situation. Therefore, the nomenclature becomes something of pride to the communities living in the slums, since when they have their space demarcated they feel included in a city that sees them as an outcast. Even Google Maps, when mapping the city of Rio de Janeiro, decided not to go to the slums, using violence and narrow streets as an argument.3

The use of the term urban commodity is a provocation to demonstrate that the mere naming is also something that can be used for purposes beyond spatially locating a resident. This term for this end seeks to clarify how the naming system is used to leverage up the real estate market in specific areas of the city in order to convince residents to accept increasingly exorbitant prices per square meter in some neighborhoods. This is the case with Bushwick, Brooklyn, for example. Because of increasing gentrification process, the real estate market changes the name of the region of some parts of the neighborhood so that tenants or buyers will identify a region as being more highly valued than it really is.4 In this sense, a buyer does not only buy an apartment, but an entire nexus of signifying interrelations related to the idea of a locality. Thus, when buying an apartment on the Upper West Side in New York, or in Jardins in São Paulo, the consumer is not only buying a place to live, but also a symbolic status and a whole network that is behind that name, that created brand. The researcher Raquel Rennó has theorized a connection between the language used in marketing and how the real estate market has appropriated it to try to sell a brand, a concept behind a product.

To say that someone is the resident of Morumbi or Jardins [rich neighborhoods], at the same way to say that another one is resident of Itaquera or Cidade Ademar [poor neighborhoods], by itself, it already allows one to create an idea of the social class to which an individual belongs. These are images which reflect the crystallization of values invested in spaces.5

One of the reasons for discussing this system in this thesis is that this very mechanism can be found either in the gentrification process or in attempts to control communities living in urban spaces. In some cases, when a community is gentrified, the new residents – or even the real estate market – strives to change the names of streets or even of entire neighborhoods in order to erase its history and build a new one, as was the case in Bushwick mentioned above. Moreover, politicians also use this same trick in return for favors, to try other political positions or even for reelection. It is a form of political bargaining between politicians and the communities that elected them (as is explained in further detail in Italo Calvino’s section).

Calvino’s Invisible Cities, for example, among the various cities described in the book, contains a story about one that has no names to identify the streets and passages. The residents of Zaira must rely only on their memory and the marks left on the urban infrastructure as a way to navigate. Urban infrastructure refers here to the physical buildings that exist in space, whether they be houses, overpasses, bridges, sidewalks, and so on. Thus, the history of Zaira’s residents is embedded in space itself and a reference is needed in order to navigate in its space.

Just as the history of the inhabitants leaves marks on the infrastructure, the infrastructure itself also influences the way one operates in a city. This question is addressed in the work of VALIE EXPORT. For her, the cities’ architecture is responsible for shaping how our bodies behave, altering even psychologically how we understand ourselves and the urban space.

Milton Machado, in turn, extracts the social relations present in urban space to create an abstraction over the anxiety of progress and development represented by the cities. For Machado, there is a never-attainable idealization by urban planners of what would be a perfect urban space (based on developmental values), which leads them to implement these projects without even understanding the real social demands at work in those spaces. The characters present in History of the Future are fractions of a single personality which represent how the social aspect is forgotten in the eagerness for progress. Although they keep cities living (such as the Nomad), they are also expelled, killed, and forced to maintain a synchronous relation with the imposed change (represented by the Module of Destruction).

Machado’s initial idea was to try to connect all of the continents in order to create the single continent of Pangea. No borders, no boundaries of nations, no barriers. The sovereignty of nations, which is associated with a nomenclature used to define territorial areas, would then be called into question, and another mode of relationship between different cultures could arise. This subject is explored by Teresa Margolles when interviewing residents of the cities of El Paso, USA, and Ciudad Juárez, Mexico, about their impressions of those cities. El Paso and Ciudad Juárez are cities divided by the border between the two countries. Even though they share the same urban space, this boundary creates a dissociation of the two sides and how its residents see each other.

It is interesting to see how the question of territoriality is viewed from different perspectives. While Machado creates an abstraction to end it and Margolles points to the current political problems in national divisions, Claudio Bueno presents another variation: how the virtual can hack the physicality required for monuments that represent the history of a particular place. The Invisible Monuments series use the virtual to establish new monuments in places that would be impossible if they were actually built. In the case of the Chant des Sirènes, Bueno has created a mobile app that contains a sound monument celebrating the history of women killed in the First and Second World Wars. The work can only be accessed when the coordinates of a mobile phone’s GPS enters the Old Port of Québec, in Canada. While the other monuments in the region exalt the male figure and tell a history chosen without necessarily involving the population, Bueno’s invisible monuments demonstrate a more democratic approach to selecting which history should be told.

As has become clear by now, the object of study of this thesis is not gentrification per se, but how the naming mechanism can be understood through different biases. This work therefore does not present arguments about only one system used to change the urban center, but rather about the social consequences that these instances of interference have. By avoiding the description just to situate the object, it is possible to focus on the inter- and intra-relationships that occur in the urban space. It is a work of an ethologist, so to speak, as Andrew Goffey explains in the introduction of the book “Capitalist Sorcery.” To Goffey, the ethologist studies the relationships of animals with their environment instead of trying to describe in concrete ways what the animal is in and of itself. Only in this way it is possible to understand what a particular animal may cause in its inhabitat and its interference in the ecosystem.

Ethology requires us to focus a little more closely on the relationship that is established between the animal and the ethologist, a focus that, transposed to the field of politics should lead to a more nuanced understanding of the way in which capitalism constantly reorganizes itself to prevent people getting a hold. The vampire squids of capitalism engage in the creation of ‘infernal alternatives’.6

Studying the control mechanisms of a city only by the description and not by its social relations is to fall into what the authors Philippe Pignarre and Isabelle Stengers refer to as “infernal alternatives,” which is to say “a scientist whose professional certainties about what are the right questions to ask can lead him or her to adopt a frighteningly dismissive stance with regard to anything that falls outside this position.”7 The problem of falling into an “infernal alternative” is getting stuck on issues where the answer appears hollow in relation to the question, or the results do not associate the object with the explanation (“getting hold”). For the authors, when an anti-capitalist struggle appears, one has the idea that only a divine intervention could interfere in the economic productive mechanisms, as if there weren’t a right answer to the question about how to change it.8 It is to avoid this feeling of powerlessness in relation to capitalism that they advocate for a pragmatic analysis, which is “an art of consequences, an art of ‘paying attention’ that is opposed to the philosophy of the omelette justifying the cracked eggs.”9 In other words, this method does not want to justify an anti-capitalist struggle based on the problems of capitalism itself, but to understand what consequences the conflict has on the environment in which it operates. It is for this reason that this thesis seeks to understand the effects of nomenclature inside the urban environment. It is an attempt to question not only how urban planning is currently conducted in large cities, but also to stress the social relationships with the city’s infrastructure using interventions and works of art as a platform for the argument

To avoid possible descriptions of the systems, this thesis focuses on using utopian thinking to understand the consequences of how the nomenclature affects the urban environment. Instead of doing a critique which sets up a dichotomous structure between two objects – one being considered good and the other bad – and having a descriptive syntax, this thesis takes a more imaginative approach. Rather than working in terms of mimesis (what the subject really is), it is preferable to make way for a project of possibility (what the object can be). The “radical critique” thus no longer lies in the descriptive aspect and the comparison of objects of analysis, but in creating an imaginable future – a utopian creation to real issues surrounding our life in society10. This is the utopian exercise being proposed here: working with this “it could be” to find out what really happens.

Each chapter focuses on the work of one artist and explains different views on this nomenclature system for urban areas. The intent is to demonstrate the different ways of understanding the cities and to problematize the social issues about how we relate in this environment.

ITALO CALVINO

the organic interfering in the infrastructure

In vain, great-hearted Kublai, shall I attempt to describe Zaira, city of high bastions. I could tell you how many steps make up the streets rising like stairways, and the degree of the arcades’ curves, and what kind of zinc scales cover the roofs; but I already know this would be the same as telling you nothing. The city does not consist of this, but of relationships between the measurements of its space and the events of its past: the height of a lamppost and the distance from the ground of a hanged usurper’s swaying feet; the line strung from the lamppost to the railing opposite and the festoons that decorate the course of the queen’s nuptial procession; the height of that railing and the leap of the adulterer who climbed over it at dawn; the tilt of a guttering and a cat’s progress along it as he slips into the same window; the firing range of a gunboat which has suddenly appeared beyond the cape and the bomb that destroys the guttering; the rips in the fish net and the three old men seated on the dock mending nets and telling each other for the hundredth time the story of the gunboat of the usurper, who some say was the queen’s illegitimate son, abandoned in his swaddling clothes there on the dock.

As this wave from memories flows in, the city soaks it up like a sponge and expands. A description of Zaira as it is today should contain all Zaira’s past. The city, however, does not tell its past, but contains it like the lines of a hand, written in the corners of the streets, the gratings of the windows, the banisters of the steps, the antennae of the lightning rods, the poles of the flags, every segment marked in turn with scratches, indentations, scrolls.11

In 1972, the Italian author Italo Calvino published a book in which, in one chapter, he describes a city with an absence of street names. In Invisible Cities, Marco Polo narrates different cities in the kingdom of the emperor Kublai Khan in a conversation that never took place, since the two did not speak the same language. Interweaving descriptions with imaginary conversations between the two characters, Calvino points to several ways of looking at and interpreting a single city, Venice, without necessarily specifying that it was only a single object of study. In his work, the object is broken into several facets, which helps reveal how complex the urban environment and the social interactions are that occur within its structure. This happens in a town that is discovered because several men had the same dream of chasing an unattainable muse (Zobeide, which was also used by critics to explain one of VALIE EXPORT works12), to one in which the streets were devoid of names, which forced its residents to use their memories for each part of the city as guidance (Zaira). Calvino, in this story, speculates about what happens when the streets are only associated with the history of its residents: Citizens relate to the structure in a much more intimate way and based in their own use of it. The urban infrastructure, rather than being only a lifeless structure without any emotional attachment, becomes part of the experience. Each mark left by the residents of Zaira helps in its description and the navigability for its alleys. Each social interaction – as the drinking fishermen at the pier – is not an ephemeral feature but clings to the space as a present and ever-changing story. Instead of relating based on references that are often times imposed (such as street names generally are), it is on memory and experience with the city that one navigates through the urban environment.13

This intimate feature is worth mentioning, not least because it was well understood by urban planners, who often looked into the past names and events that could represent a certain street in a specific neighborhood, as exemplified by the 9/11 attacks in New York14 or by roads with the names of generals who were part of the Brazilian Dictatorship15. What might be regarded as being something that is healthy to urban life, however, can be also considered as an aspect of a control mechanism that is imposed on its residents. Although this provides a closer connection to the reality of the citizens (names and historical facts with which the community identifies itself), there is no critical questioning about its own use or real function. When a community is seen as being historically represented only by a name, there is the illusion of belonging to that site, which is often not considered in future public policies as is seen in cases of gentrification managed and organized by city administrations (Bushwick, again, is a good example16). The relationship between citizens and the nomenclature is sometimes so closely linked that most of the efforts of politicians elected to represent a district are restricted to changing these names. In São Paulo, Brazil, for instance, a 2012 survey found out that, only in the first half of that year, eight of ten projects approved by the City Council were to change street names, add celebratory dates, or give titles or do homage to personalities.17 In other words, it is no longer the residents who define this or that name, this or that memory, but rather politicians and urban planners belonging to the macrostructure and who have little or almost no direct contact with those who live and have a daily life on that particular street. History in relation to urban space is not told or written by the communities living in it, but by politicians far removed from the reality of day-to-day life.

This gap becomes more evident when a given region undergoes renovations and reconstructions that have almost nothing to do with the social aspect of the neighborhood. Instead of intensifying what happens in certain communities, urban planners and authorities seek to construct viaducts to improve traffic (Robert Moses comes to mind18); design piazzas in regions with no benches to sit on (Jan Gehl19); stimulate large hypermarkets to establish their businesses in places where the commerce is more local (again Moses); and many other examples of structural changes forcefully pushed upon the citizens who live there and have a direct relationship with the pulsating life of that space. The activist Jane Jacobs has stated:

Cities are an immense laboratory of trial and error, failure and success, in city building and city design. This is the laboratory in which city planning should have been learning and forming and testing its theories. Instead the practitioners and teachers of the discipline (if such it can be called) have ignored the study of success and failure in real life, have been incurious about the reasons for unexpected success, and are guided instead by principles derived from the behavior and appearance of towns, suburbs, tuberculosis sanatoria, fairs, and imaginary dream cities – from anything but cities themselves.20

There is a visible gap between what is done with the urban structure and what the population of that region really needs or wants. Cities are created as the result of the imagination of a specific group of people and violently applied to communities who live in these neighborhoods. Generally, the planning process does not pass through society’s inquiry to provide feedback and define what should be done with the urban space21. The communities are rarely consulted to approve the renovation plans; they are simply forced to live with the planned changes. Richard Sennett in his book “The Uses of Disorder” discusses the relationship between urban planning and the communities affected by the restructuring. According to him,

professional planners of highways, of redevelopment housing, of inner-city renewal projects have treated challenges from displaced communities or community groups as a threat to the value of their plans rather than as natural part of the effort at social reconstruction.22

From this imposed perspective, the nomenclature of streets becomes a commodity. It is a way of applying the city plan to its citizens in order to control their behaviors and thus segment society into different identities and groups. The term urban commodity, however, is understood in different ways. Sennett, for instance, considers the concept of community as a commodity belonging to cities, as if the principle of a group identity was intrinsic to the urban space.23 According to his theories, it is through the identification and separation of groups that a city’s population can be controlled. It is a control imposed not only by the macrostructure, but also through an attachment to an identity that happens within the urban environment which, therefore, makes easier to identify who is the Other. Urban planners just use this identification to create their plans and increasingly segregate society. For Sennett, it is through this contraposition that communities attempt to preserve the “purity” of a group, avoiding contact with anyone who is different. This is more apparent in the distinction of rich and poor neighborhoods, or linked to religion or race. Each community or group identity tries to sustain invisible barriers against the other in order to maintain the purity and the moral values present in that community. No wonder that, at the end of his book “The Uses of Disorder,” Sennett argues for an urban area without divisions or classifications, in which the exchange between groups may occur through antagonisms between conflicting identities. Only in this way can an organic and open environment for urban constructions be created that is focused on what people want and is not imposed by urban planners. According to Sennett,

For when predetermined use through zoning is eliminated, the character of a neighborhood will depend on the specific bonds and alliances of the people within it; its nature will be determined by social acts and the burden of those acts over time as a community’s history. The pre-planned “image” of city neighborhoods would not be definable on a planner’s map; it would depend on how the individuals of the neighborhood dealt with each other.24

That’s why a city without a defined nomenclature, as already shown by Calvino with his description of Zaira, transforms the urban space into something more organic, less imposed, and more open to social interference. There is then no imposition of limits to a particular community, thus opening the city map to less controlled interventions. Furthermore, although the understanding of urban commodity in this thesis is not directly limited to, it references what Friedrich Engels and Georg Simmel argue about the urban environment in a capitalist system. For the former, the urban structure developed by macrostructure is a way to control the working class and prevent an idea of collectivity. It is a force in the service of capital in order to maintain the status quo in society, thus restraining the emergence of a real urban culture. On the other hand, for Simmel, there is a dissociation between the individual and the urban space thanks to the impersonal rationalism imposed by capital, making the cities into control centers to keep the use-value and production of the working class25. These ideas, however, were reread by Henry Lefebvre, who argues for a revolution that no longer emerges from the industrial environment, but from inside the cities. As David Harvey explains:

In invoking the “working class” as the agent of revolutionary change throughout his text, Lefebvre was tacitly suggesting that the revolutionary working class was constituted out of urban rather than exclusively factory workers. This, he later observed, is a very different kind of class formation – fragmented and divided, multiple in its aims and needs, more often itinerant, disorganized and fluid rather than solidly implanted.26

The fluidity inside the urban space and the plurality of groups and communities who work within the urban environment are addressed by several other authors who advocate for an antagonism in order to maintain the public space as a stage for democratic discourse. Chantal Mouffe, for example, argues for a “radical democracy” considering the struggle between different groups as a way to reach a real democracy against what is hegemonic.27 Rosalyn Deutsche’s arguments, on the other hand, explore how art in public spaces may – or may not – involve and engage citizens on issues about their space, stimulating debates about what is private or really public.28 It is quite significant that Deutsche uses the figure of the homeless as a starting point for her argument about the truly public character of areas administered by neighborhood associations. According to her, the idea of an Other who, for the dominant group, can cause disturbance is the necessary conflict to highlight the use of public spaces for private purposes, or for activities that are only permitted or controlled by a small group. It is through this antagonism that appears the different understandings of what a public space is and how the privatization of parks and public areas happens.

The privatization of public space is one of the starting points for Lefebvre’s argument about the right to the city. The commodification of urban space transformed the cities into an impersonal infrastructure in which “the urban remains in a state of dispersed and alienated actuality, the kernel and virtuality.”29 The commodification discussed in his work is more focused on the influence of capital in physical urban space, which generates new structural buildings, new stores and markets, and types of consumerism. It is the stimulus to consumption and not to social activities that transforms the city into something alienated from organic life. Thus, the city is regarded as a utopian object of interpretation, since it is not studied considering its entire historical trajectory:

Yet, the urban remains in a state of dispersed and alienated actuality, as kernel and virtuality. What the eyes and analysis perceive on the ground can at best pass for the shadow of a future object in the light of a rising sun. It is impossible to envisage the reconstitution of the old city, only the construction of a new one on new foundations, on another scale and in other conditions, in another society. The prescription is: there cannot be a going back (towards the traditional city), nor a headlong flight, towards a colossal and shapeless agglomeration. In other words, for what concerns the city the object of science is not given. The past, the present, the possible can not be separated. What is being studied is a virtual object, which thought studies, which calls for new approaches.30

In other words, rather than cities directly responding to what happens inside them, they are artificially designed for a purpose that often contradicts the regular and organic use of their infrastructure. According to Sennett, when urban planners are hired for large projects, there is no concern for the lives of its inhabitants, but rather their primary goal relates to the economic interrelationships that happen with other cities and regions.31 The changes are designed to ensure that the flow of goods and trade between municipalities happens fluidly and without obstructions. This perspective is essential to the city life; after all, the urban environment inside a capitalist system necessarily needs to generate funding sources for the survival of its residents. The problem arises when the residents who would benefit from this tangle that assists in economic relations are forgotten and even have certain constraints of life imposed on them that have nothing to do with what they want. The projects end up seeming artificial and inconsistent with reality32.

The city created by Italo Calvino, finally, is a demonstration of how social relations within cities might happen without an imposed urban commodity acting in citizens lives. Moreover, it also shows that the organic construction of a city, where the experience of use becomes an important factor for orientation, is a characteristic that should be considered and even encouraged. In this way, different identities are able to relate to each other, not being avoided through invisible barriers but considered and included in daily life. Consideration of the other’s experience in the urban space is needed in order to understand the particular locality and thus navigate through its streets.

VALIE EXPORT

the infrastructure interfering in the organic

ValieExportVALIE EXPORT. “Abrundung II (Round Off II)” (1976)

 

In this discussion about urban space, the body’s relationship with the structure of the city is also affected. How architecture and urban structures are created is a way of mediating how the body interacts with the space itself. VALIE EXPORT, as she stated, considers the body to be expansive. Unlike the discussions in groups of Viennese Actionists, which dealt the women’s body as a three-dimensional object in space, EXPORT “releases the body into the mobility of interrelations signifying.”33 In other words, she adds the body in an analysis of relationships between the communication system in which it is inserted and how the body reacts to this through expressions caused by mental and emotional concerns. In this way, the architecture simultaneously influences the body and the mind, shaping and framing our behavior in this urban environment. This understanding is present in almost all of her work. EXPORT explores how her body is a support that interferes in the production of a film and its environment (Adjungierte Dislokationen) to the forms that the city imposes to its inhabitants, as in the work Abrundung II (Round Off II).

Based in her works, the artist seems to state that architecture and urban space could be used to shape internal states of the body, in which lines and geometric shapes accentuate the imposition of architecture or even landscapes in relation to the body. From this influence not only our physical structure is affected, but also our minds and behavior to the environment in which we operate. EXPORT’s performances, and photographic and video records illustrate that the control within an environment is not necessarily only because of communication systems (although, for her, it is extremely important), but also the physical structure in which we operate. The urban infrastructure thus has no way to be neutral or totally oblivious to the presence and interaction of its citizens. It dictates how our body reacts and interacts with the imposed system in order to shape our behaviors and relationships we have within this environment.

An interesting group for drawing a parallel with the discussions raised by EXPORT are the Situationists. For example, their conceptualization of psychogeography calls into question the idea of the urban space as being something that is imposed, since participants simply walk around town without a defined direction (“dérive”). Or, when they had one, they were encouraged to respond affectively to the encounters they had and change the trajectory (“détournment”).34 Each map, each locality, was shaped according to the personality and experience of each one, which only would be possible if one considers the city to be an open stage for different opportunities and perceptions. While still working with an imposed structure, the Situationists – which included Lefebvre and Guy Debord – questioned in a playful way the perception we have of it, and also challenged the participants to think about cities as something different: as an open and constructive process built from the experiences of each one. It is a search for ways to bypass the control forced by urban planners and the imposition of consumption created by a capitalist system. For them, both ideas of “détournement” and “dérive” are essential to circumventing the system created by the spectacle of consumption. The former can be translated “most simply as ‘diversion,’ though at the loss of the nuances encoded in the original French – ‘rerouting,’ ‘hijacking,’ ’embezzlement,’ ‘misappropriation,’ ‘corruption,’ all acts implicit in the Situationist’s use of society’s ‘preexisting aesthetic elements.’”35 And for the latter, “one or more persons during a certain period drop their relations, their work and leisure activities, and all their other usual motives for movement and action, and let themselves be drawn by the attractions of the terrain and the encounters they find there.”36

It is also important to note that, according to some members of the group, these discussions about the opening of the cities were not only applied to capitalist cities, but also to those with other economic systems. Although it is not an ideal shared by all members, it is interesting to understand that the city can be understood not only by an imposing economic system, but also in a predominantly social one. But what connects the different sections and discussions of the Situationists is the imposition of something oblivious to the body, the organic, the life that is in city streets.

[Raoul] Vaneigem refused to distinguish the urbanism of communist and capitalist states: “Urbanism and information are complementary in both capitalist and ‘anti-capitalist’ societies: they organize silence.” In both the East and the West, he claimed, “the ideal urbanism is the projection in space of a social hierarchy without conflict. Roads, lawns, natural flowers, and artificial forests lubricate the workings of subjection and render them amicable.” It had to be understood that urbanism regulated the body and the mind as well as architecture. “In a novel by Yves Touraine,” Vaneigem recalled, “the State even offers retired workers an electronic masturbator; economy and happiness find themselves complete.”37

Another group member, Asger Jorn, for example, had a more open understanding of urban areas. Trying to go against the imposition of the modernist Le Corbusier, Jorn believed that the architectural construction in the work of Corbusier was functionalist and it divided cities and districts based on categories and groupings, separating where a family with children should live and a neighborhood with housing for the elderly.38 There was a clear division between groups as to which spaces each profile should inhabit. Thus, segregation formed the basis for a more functional city and was less concerned about the social and organic aspects of relationships.

Jorn’s underlying claim was that ‘the framework for living’ was not one that could be imposed from outside, externally, by city planners and architects. It had to be built in co-operation with the inhabitants of the city themselves, whose free input was needed, just as the skeleton needed the muscles and the stalk the sap.39

As much as EXPORT has not necessarily discussed urban planning, she understood the imposition created by the macrostructure and how it affected the way we relate to the urban infrastructure. Her perception of the city was fully connected to the body, and she applied this organic understanding to the urban environment. For EXPORT, for example, the city did not have a specific gender, but embodied both the masculine and the feminine in its forms: “feminine in its housing, sheltering, and protecting life, masculine in its traffic, commerce, and communication.”40 And EXPORT sees this structure as liberating to women while imprisoning them at the same time:

If the city can exclude women, as a cultural community in which men alone transact business, govern the nation, and enforce the laws, it can also free women for the first time from their isolation in the private home.

The act of folding herself in a corner and intensifying the rays of a curve point to a violent architectural imposition. It is not the architecture that molds the organic, but rather the rigid structure that shapes the way we act and move around the space. This imposition is intimately connected to the distance urban planners have from the object of analysis (“the virtual object,” as stated by Lefebvre in Italo Calvino’s section). Social life, again, is forgotten for the sake of something considered superior by the planners, such as the ideal city or economic progress.

In this case, for this study, it is important to emphasize how a city that does not think in a specific urban commodity – such as the nomenclature of the streets – can resignify EXPORT’s exploration of architecture interfering in the internal states of the body. Without these mechanisms of control, the body would have another meaning: an agent that could modulate the spaces. The absence of impositions by the macrostructure would make the citizens agents of the changes in the living environment. It would define the space which, inevitably, shapes us.

Another issue with which EXPORT is concerned is considering the communication system responsible for psychosomatic changes of the body. In other words, from a Situationist perspective, the media system imposed by new technologies affects the state of mind of cities’ residents in order to change even how their bodies function. Guy Debord was one of the authors which posited and strongly criticized it this interference, arguing that it is exclusively for the purpose of increasing consumerism.41 For him, there is a bigger concern with the stimulus of consumption than with the people’s real lives. According to Debord,

But on the whole this introduction of technology into everyday life – ultimately taking place within the framework of modern bureaucratized capitalism – certainly tends rather to reduce people’s independence and creativity. The new prefabricated cities clearly exemplify the totalitarian tendency of modern capitalism’s organization of life: the isolated inhabitants… see their lives reduced to the pure triviality of the repetitive combined with the obligatory absorption of an equally repetitive spectacle.42

In other words, the mind alters the functioning of the body when receiving and being influenced by these information networks. By throwing the body into a corner and illustrating the issue of urban structure shaping the erect state, EXPORT makes a poetic critique of this interference, creating a state of awareness about the extent to which the city influences its residents. It may be for this reason that EXPORT no longer wants to think of the body only as a physical entity in space, but in its expansion through the context in which it is inserted. “While this dialectic exchange between body and culture is most evident in EXPORT’s performance, it is one of the major concerns of all of her art.”43

Thinking about the possibility of something happening beyond the expected helps not only to understand the mechanisms that generate the expectation, but also to think in new ways and means to understand the establishment. VALIE EXPORT’s performances visually demonstrate the influence of architecture in the body and raise questions about how to understand this urban infrastructure. We are so used to its rigidity that it is difficult to understand how this interference happens. How can the framing of the body in this way be avoided? What structure can be influenced by the body? What is the probability of this happening? And how is it possible to understand and change the way urban planning is done today?

MILTON MACHADO44

the organic and the infrastructure simultaneously interfering each other

serie1_1286309240Milton Machado “History of the Future – Series I” (1978)

Milton Machado, with some of these issues in mind, uses an assumption as the point of entry for his exploration of cities and urbanism that sounds somewhat absurd. What is the probability of a ping pong ball going through a wall when thrown by an arm? Scientists use this imaginary exercise to explore the understanding of atoms and question the very likelihood of an empirically impossible event being realized. In theory, however, the ball could go over the wall in one chance in 10 to the power of -n, where n tends to be equal to ∞45. For Milton, the issue is not just the ball, the wall, or the end result of the mathematical formula, but also the understanding of probability as a viable factor in the operation to create knowledge. As Machado states,

Students and teachers knew from their experience of the real natural world that balls would definitely not cross through walls. But they invented this fiction in order to create a new theoretical problem, and to find out more about atomic structures, intermolecular spaces, mass, densities, attritions and interactions. And about problems: it was in the name of physics that a fictional world was created. What the finite n ≠ ∞ in the index guarantees is this singular reality: the creation of a world.46

History of the Future, then, is the exploration in urban planning of this probability of something that will never occur. Machado created the work as an analysis about projections and social relations within the city space without the need to be put in practice. It is not a utopia or dystopia, but rather an atopia about urban planning. To this end, Machado extracted essences of the main ideas and relationships that happen in the urban environment, building an abstraction that challenges the idea of a city planner. For this thesis, Machado’s piece connects to the subject of imagining a city without urban commodities to show the root of all urban issues. In History of the Future, one can understand the desire for progress always present in contemporary cities, the social relations that cut across different conceptions of the urban environment, and even the creation of an ideal city, which could never be out of abstraction and actually put into practice.

For this task, Machado used as a starting point the idea of connecting the continents again, bringing back the first continent, Pangea, when there were no oceans or borders between terrestrial spaces. In the author’s theories, giant bridges interconnect the continents as a way of breaking barriers and boundaries. As the artist explains himself:

The idea for a project restoring physical unity between continents initially inspired and justified the graphic representations of the three superimposed worlds of HF and its fictitious characters. The concept was then significantly developed from the mere description of the mechanism, or rather the dynamic of the movements described, to critical reflections on the idea of unity as a general principle – thus ideal in character and large in scope – implicit in the project of affirming the human condition itself (an ideal already contained in the treatment of this same condition which is necessarily fragmentary and recurrently “as a whole”), and on the idea of progress – in which the pursuit of ideas of perfection provides a paradigm and method – which lends to the cognitive process (“as a whole,” so to speak) a similarly ideal character. 47

MiltonMachado_CitiesSubdivisions between the three worlds theorized in History of The Future

Machado then idealized spatial layers between different worlds: Machado calls the lower level, which shows the continents and cities we know, the Imperfect World; in the middle plane there is the Perfect World, a space where the structures linking continents support the plane above; and, finally, on the top plane, the More-than-Perfect World, an abstraction about the constant destruction and construction of cities, mainly idealized by urban planners.

In this scheme, Machado also posited three characters that relate to the urban structure: the Sedentary, the Subject to a Vulgar Death, and the Nomad. The three represent the social relationships that take place in an urban environment, demonstrating principles current in ideas of progress and development. These figures cannot be considered human or living characters – although the Sedentary has an anthropomorphic feature. They are representations of social relationships, each having specific functions within the History of the Future.

The Imperfect World contains Imperfect Cities, oceans, continents, and Symbolic Bridges. These are bridges that connect the continents and create a single continent, passing over borders and physical obstacles to get to other regions. It is in this world that rural life exists, besides the cities as we know today.

Above the Imperfect World, there is the Perfect World, consisting of the Pillars of the New World, the Ephemeral Bridges and the Ideal Plan. The pillars are vertical structures that have caves in their midst and sustain the Ephemeral Bridges and the Ideal Plan. The bridges are connections between the pillars for sustaining the Ideal Plan, which is a structure that serves as the foundation for the More-than-Perfect Cities.

The More-than-Perfect World then consists of the More-than-Perfect Cities and the Modules of Destruction. These modules are responsible for the constant destruction and construction of idealized cities. For this to happen, there are three cycles that ensure constant change: Destruction, Construction, and Life Cycles. They are cycles that happen at the same time, one in each city and forming a system of triads. While one More-than-Perfect City is in the destruction cycle, the second is in the construction cycle, and the third in the life cycle. In this plan, each city has its own Module of Destruction. The module, in turn, has four movements:

1) MD leaves the Alpha Position and turns to the Omega Position, destroying the More-than-Perfect City and making the Ideal Plan and the Pillars of the New World visible;

2) MD leaves the Omega Position and turns to the Alpha Position, destroying the Ideal Plan and making the Ephemeral Bridges, the Pillars of the New World, and the Imperfect World visible;

3) MD leaves the Alpha Position and heads again to the Omega Position, destroying the Ephemeral Bridges; and

4) the MD goes back to Alpha, destroying the Pillars of the New World.

The three characters are also part of the More-than-Perfect City. The Subject to a Vulgar Death is the character that waits for its death, allowing the MD to end its existence during the destruction of the More-than-Perfect City. The Sedentary, in turn, seeks to preserve its life entering the caves of the Ephemeral Bridges, passing by the Perfect World, and arriving to the Imperfect World. On the other hand, the Nomad has an intrinsic relationship with the MD. Its shape is a minute sphere, which allows it to go inside and divert from the MD and preserve its existence in the More-than-Perfect Cities.

In the movements of History of the Future, the presence of the Nomad is essential to understanding the flow and preservation of More-than-Perfect Cities. As Machado describes it:

The Nomad moves.
Motility is the Nomad’s motivation.
The Nomad is an invention.
The Nomad is a founder of cities.
The Nomad is an initiator.
The Nomad’s future is to initiate a city’s present.
The Nomad is a translator.
The movements of the Nomad are vectorial, not directional.
The Nomad acts through permanent deterritorialisation.
The Nomad acts through permanent reterritorialisation.
The Nomad acts through permanent transgressions.
The Nomad acts through permanent incorporations.
The Nomad acts through negation and excess.
The Nomad acts through variation, expansion, conquest, capture and offshoots.
The Nomad collects but does not constitute albums.
The Nomad is not particularly fond of generals.
The Nomad is a producer of maps from which it is constantly detached.

The Nomad acts through the repetition and the reaffirmation of difference (more than one thousand times).
The Nomad is always in the middle (“
dans le milieu”), even when at the beginning or at the end.
The Nomad is always in the in-between.
The Nomad sees things as though for the first time.
48

The Nomad is the one responsible for keeping the cities alive and challenging the movements of the Module of Destruction. It is this idealized character that contests the imposition made by progress and development. When extracting the essences of social relations that occur inside the cities, Machado leverages the discussion to metaphysics and epistemology.

The study developed by Machado since 1978 is influenced mainly by philosophers, such as Arthur Danto, Jean-François Lyotard, and Karl Marx. Padre Antonio Vieira, however, who published in 1718 a book titled with the same name as Machado’s piece is the most interesting of them all.49 What is interesting in the context of this thesis is understanding the influence the work of Padre Antonio Vieira has in Machado’s own studies. Vieira’s History of the Future questions how predictions about the future can be considered in Catholic precepts. Vieira, with his famous rhetoric, explains that the prediction of the future by a mortal being is a desecration condemned by Catholicism. For Catholics, this ability should be restricted to those who are considered holy. But, at the same time, he believes that mortals can do the same thing, as it was prophets who wrote the Bible – although the forecast has been made by God, and the prophets only used their pens to write. There is a conflict about who can actually write about the events to come. Vieira’s book, for example, is an allegory of a future in which Portugal establishes the Fifth World Empire, conquering and dominating all territories already known by the reign. It is important to note that Vieira does not use the name of the country to compose the Fifth Empire, but instead uses the word “world.” According to him, many older societies viewed their reigns as the only existing world, as was the case with the Egyptians and the Assyrians. Vieira predicts the turn of Portugal and the Catholic Church to be the new hegemony of this world.

This was the World of the past, and this is the World of the present, and this will be the World of the future; and together these three worlds will form (as God formed them) an entire World. This is the subject of our History, and this the World’s empire that we promise. All that meets the sea, all that the Sun shines on, all that covers and surrounds the Sun, will be placed under the Fifth Empire; not by name or fanciful title, like all those who until now were called empires of the World, but by domain and real bondage. All reigns will unite in a center, all heads will obey the supreme head, all the crowns will perish in a single diadem, and this will be the pedestal of the cross of Christ.50

This domination of the entire planet, as if the world were only one, lacking divisions of nations or continents, speaks directly to the work of Machado, where the continents were reconnected through the Symbolic Bridges. The world theorized by Vieira is shown by Machado’s piece as the territory in which unity finally happens. There are no borders, frontiers, or governmental divisions – which is why Machado considered his studies to be atopian as opposed to utopian. None of the cities in the Imperfect World (the bottom level of his abstraction) have distinctions between themselves. It should be emphasized that the abstractions and theories created by Machado embody a pessimistic and ironic approach to urban planning, even though they are not a dystopia. Machado speculates on how cities are built using the same concepts that architects and planners use to argue for their projects. In the Imperfect World, the cities always need to be changed, altered, reconstructed through processes of constant renewal, mirroring the designs and structures theoretically considered perfect.

The reflection of History of the Future thus breaks any messianic logic, revealing that there is no more salvation on the horizon of time. The former catastrophe will continue to reproduce itself in the future, indefinitely, creating a new world each time. History is a game, almost a videogame, in which we risk our lives and have to make choices – few, within a pre-fixed range. We might succumb naively, simply await death, such as those Subject to a Vulgar Death. Or flee in despair, such as the Sedentary, producing the opposite movement to that of the symbolic machine: delving into the depths, believing in steady ground, in a reality separate from the game and able to resist its effects. Or we can take the roguish strategy of accompanying our own game, following the rhythm of its movements. Rolling like a little sphere is the figure of the Nomad, the emblem of the artist.51

The hierarchy that Machado created (with the Imperfect World below, the Perfect World in the middle, and the More-Than-Perfect World on top) demonstrates the will to achieve something that can never be reached. It is for this reason that the world at the top, where the Modules of Destruction, the Nomad, and the other characters are, is in constant change and renewal. It argues against the greed for revitalization and the constant need to plan the urban space. Because of this constant change, the characters are forced to move and find a way to avoid being destroyed in the route – although the Subject to a Vulgar Death is eventually destroyed during this process. The Sedentary, through the caves found in the Pillars of the New World, finds refuge in the Imperfect World, where they can settle and build their Imperfect Cities. These movements can represent the constant escape caused by the imposed projects in the urban space; plans that mostly have an unattainable idealism and disregard the organic existence living within there.

For this thesis, Machado’s work is an essential element for understanding the relationships that take place in cities through projects created by urban planners. Through the abstractions presented in History of the Future, Machado criticizes the imposition created by the idealism of planners and the process how cities are designed. In the end, the foundation world, which serves as support for the construction of the Pillars for the New World, will always be considered imperfect and in need of improvements. However, it will never be turned into something perfect, or even more-than-perfect.

It is for this reason that Machado chose his work’s title. The conception of history is obviously focused on the past, to report events in a given period of time. The future, in turn, is something that will come. Phrasing the two terms together, however, brings the idea of narrating the past of something that is about to happen, as if you were already considering a future that, in fact, has already been defined in the past. Vieira’s History of the Future brings light to this conception:

To satisfy, therefore, the greatest eagerness of this appetite [for predicting the future] and to run the curtain to the biggest and most hidden secrets of this mystery, today we place in the World theatre our History, therefore deemed as being of the Future. We do not write with Berossus the antiquities of the Assyrians; or even with Xenophon the history of the Persians; or even with Herodotus of the Egyptians; nor with Joseph of the Hebrews; nor with Curcio of the Macedonians; nor with Thucydides of the Greeks; nor with Livio of the Romans; nor with our Portuguese writers; but we will write without the author what none of them wrote or could write. They wrote stories of the past to the future; we will write stories of the future to those who are present. Impossible painting to portray copies before the original, but this is what the brush of our History will do.52

Thus, it is a way to intertwine all historical times in a given proposition and ensure a better understanding of the changes already planned. It is no wonder that Machado believes his exploration is more an atopia than anything else. In his History of the Future, no boundaries or borders are established, as they are physical or temporal. His concern lies in how cities are restructured, describing a constant change in which the Nomad is forced to act in order to ensure the continuity of the entire cycle.

TERESA MARGOLLES

the infrastructure blocking the organic

TeresaMargolles_KeysTeresa Margolles. “Llaves (Keys),” (2012)

 

The discussion about borders also is related to what the urban commodities used for control are. It is not only the naming of the streets that creates a gap between social life and urban infrastructures, but also the socio-political differences between nations. The work Keys (Llaves), by Teresa Margolles offers a poetic way of bringing up issues about the forced separation caused by the concepts of nation and sovereignty. Margolles interviewed residents of the cities of El Paso, USA, and Ciudad Juárez, Mexico, and asked them to give their impressions of each side of the border. To Margolles, the two cities should be considered as one, even though its urban field extends across the two countries. What prevents them from being together, however, are the national divisions and their economic realities.

With a background as a forensic Mexican policewoman, Margolles studied and analyzed several cases of violence that took place in Ciudad Juárez, considered one of the most violent cities in the world because of the wars waged against drugs.53 Her works are her way of exploring and demonstrating the urban violence in this city in order to draw attention to cases that are often overlooked because happened on the Latin side.

The boundaries, in this case, ultimately separate the way this problem of violence is dealt with and often instigates the perception of how it is in the other side. The keys made by a Mexican artisan demonstrate how this separation functions in the subjectivity of residents of both cities, for whom one can be considered to be a “state of crime” and the other “freedom.”

The boundaries challenged here by Machado are seen as a major impediment to understanding the real extent of the problem of the city. Although Margolles still tries to disclose the facts through her works, the border that cuts the city is far from being removed. In cases like this, where the urban space of a city transpose a national sovereignty, who is responsible for the local problems? The question of nomenclature goes here from everyday life to questioning the macrostructure itself. An unnamed territory does not belong to anyone. The spatial politics then are not connected to daily life in the urban infrastructure, but fall on how different governments see each other.

Spatial politics are debated nowadays in different ways. One of them is to understand the national sovereignty through a global economic system. Understanding how money flows in a globalized world serves to make questions about the real owner of a territory more explicit. Saskia Sassen, for example, questions the global financial market to understand how a country’s sovereignty can be understood in a globalized world. To do so, she argues for a “new geography of power,” which she believes to have three components:

One of these components concerns the actual territories where much of globalization materializes in specific institutions and processes. And the question here is, then, what kind of territoriality is this? The second component of the new geography of power concerns the ascendance of a new legal regime to govern cross-border economic transactions. One can see here at work a rather peculiar passion for various kinds of ‘legality’ driving the globalization of the corporate economy. There has been a massive amount of legal innovation around the growth of globalization. The third component of the new geography of power is the fact that a growing number of economic activities are taking place in electronic space.54

The “new geography of power” helps explain the influence of other nations in local affairs. In view of the accumulation of capital through financial market, it is easy to understand how borders are not a real problem and how sovereignty is more linked to accumulation of capital than to social relationships. For Sassen, the old concept of sovereignty rooted in identity no longer can be applied in contemporary dynamics of capital. One example that she gives is the case of the purchase of 3 million hectares in Congo and Zambia by China for the production of biodiesel. Although the plantation does not correspond with the national biome of the two African countries, the focus on accumulation of capital allows such a purchase without considering the environmental impact that this may produce.55 Even though there is a defined space and an established nation (and even a name for a country), there is no assurance over who has the real sovereignty of those regions.

It is through the perspective of financial institutions that Doreen Massey also questions the space of cities and territories. Following Mouffe’s and Deutsche’s understanding of conflicts, Massey uses London as an example of a globalized city driven by the flow of capital in the financial market. But for her, the imagery of London is stuck in a perception of what the city should be: a global center linked to the financial market. Any imagination beyond that is pruned by the internal flow of the city itself. As Massey says, “sometimes you have to blow apart the imagination of a space or place to find within it its potential, to reveal the ‘disparition’ ‘in what presents itself as a perceptual totality’.”56

If the financial market can live in a world where borders no longer exist, why do immigrants still have problems entering certain countries? This discussion, for Massey, creates what appears to be a paradox between the right and left. While the right defends the free flow of capital between countries, it is against equal rights for immigrants. The left, meanwhile, is against the freedom of capital but vehemently defends the flexibilization of immigration laws. According to Massey,

When those on the right of the political spectrum argue, say, for the free movement of capital and against the free movement of labour it does not necessarily entail a contradiction. It only lays itself open to that charge (and thus open to that kind of political challenge) when each argument is legitimated by an appeal to a geographical imagination hailed as a universal, and when (as in this case) the two legitimating imaginations contradict each other. The ‘inevitability’ of a modern world without borders versus the ‘naturalness’ of a world in which (some) local people have a right to defend, with borders, their own local place. It is perfectly coherent to argue both for a significant relaxation of European rules on immigration (greater openness) and for the right of developing countries to put up protective barriers around, say, a vital sector of production or a nascent industry (greater closure).57

Although the discussion about the global financial market seems far removed from Margolles’ keys, it raises big questions about sovereignty and when a boundary can be ignored or not. While there is a consensus that, in a globalized world, the borders are disappearing, it is important to stress the question: for whom? And it is the impression of the residents of Ciudad Juárez and El Paso that the choice is very explicit.

CLAUDIO BUENO58

the organic hacking the infrastructure

ClaudioBueno_frente_postalClaudio Bueno. “Les Chant des Sirènes (from “Invisible Monuments” series)” (2011)

 

There is no doubt that technologies changed the way we interact in cities. The information system that runs in the virtual environment can even be considered to be the “killer” of how we understand the urban space.59 Today, there are new ways to relate and understand how we can interfere in the urban environment without necessarily adding something physically to the space. During a residence in Québec, Canada, Claudio Bueno explored the monumentality using mobile devices as a way to add another layer of information to what is already regarded as established. In the Old Port of the city, Bueno realized that the story told through sculptures and monuments in the region about the two World Wars had a male and simplistic perspective. Besides that, in interviewing the local population he discovered that they had not even been asked to participate on how this history would be told. In other words, in this region, the monument reflects a history that does not represent how residents wants to portrait themselves or historical facts. History, therefore, is imposed by the macrostructure in a public space with great frequency of tourists in order to specify how visitors should look at and relate to that location.

The port area is a military zone which is restricted on certain days to pedestrian visitors and can only be accessed by ships and cruises that dock at the port. In order for cruise tourists to visit the area, they have to go through immigration and have their passports checked even for a quick stop of 20 or 30 minutes. Meanwhile, locals are forbidden from accessing the place. This process drew Bueno’s attention, and he saw the highly controlled site as a target for hacking this imposition. His Invisible Monuments are applications for mobile devices that access a sound work when it comes to specific coordinates via GPS. Bueno is concerned with the triangulation between the body, space, and an information layer that may exist there. Only there, at the Saint-Laurent River, one can hear the mermaids singing and luring men to the seabed. Le Chant des Sirènes is a way of telling the story of the Wars through the perspective of the women who worked in the communication departments inside the ships and of questioning the monumentality that is imposed on communities.

The question of monumentality is essential here to understanding how the work of Bueno falls into a perspective of a city without an urban commodity such is the nomenclature of the streets. Theoretically, the monuments represent the connection between space and its history. Rosalind Krauss, however, believes that monumentality no longer exists, since the monuments have now entered a “space of what could be called its negative condition – a kind of sitelessness, or homelessness, an absolute loss of place.”60 Bueno’s work, in contradiction to Krauss, works with all three at the same time: site, home, and place. Although using the virtual, Bueno brings up discussions of how brutal a monument is to the history of a place and how to hack this understanding. It is no wonder that Bueno uses mobile technologies to do so, as they can add new layers of information in a given space. While successfully erecting a statue requires the government permission and all of the associated bureaucratic processes, creating a work on the Internet only requires a developer and the work itself. Therefore, anyone visiting the site can hear the song of the Sirens without even feeling invaded by a historical imposition.

This participation enabled by the virtual also opens up another field of perception of what a city could be. The open source communities, for example, believe that institutions restrict creation and innovation by having a rigid hierarchy. For them, collaboration is much more useful than closing oneself off to the help of others.61 What would this concept look like when applied to the city? The Spanish journalist and activist Bernardo Gutiérrez applied the four laws of freedom characteristics of open source software communities to understand how these open cities would be. To do so, he exchanged the word “software” for “city”:

Freedom 0. Freedom to run the city for whatever our purpose is

Freedom 1. Freedom to study the functioning of a city and adapt it to our needs – access to code source is essential for this condition.

Freedom 2. The freedom to redistribute copies and help your neighbor.

Freedom 3. The freedom to improve the city and then publish it for the good of all community.62

Gutiérrez’ goal in doing so was to advocate for a more reactive city. The urban structure, based on these laws, would respond to what its residents demand rather than being something given by the macrostructure. This exercise is only to demonstrate how the ideology and philosophy of open source communities could be applied to the urban space.

The idea of an open city, however, is not a novelty. Even Jane Jacobs has argued for this.63 The difference is that, instead of creating a nostalgia of old cities, it considers the technologies to be allies in the process. In response to its collapse provoked by the financial market, the government of Iceland recently decided to create a new Constitution while considering the participation of its residents. Instead of selecting a small group of politicians to decide the future of the nation, they applied the same principles of the open source communities to this new approach of governance.64

The openness of a city helps the plurality and multiplicity argued by Mouffe and Deutsche necessary to the discussions of public space. And another important aspect of the virtuality of these monuments is the possibility for new pieces in the same locality. If, with the physical, is almost impossible to build two monuments in the same location, in the virtual environment is possible to create not only two, but infinite works. Anyone can create an accessible piece via GPS technology for the same locality without having them necessary conflicting with each other. “This sound monument does not stand as a historical imposition, but as a creation and a direct negotiation with the city,” explains Bueno.65 Virtuality, then, emerges as a means of circumventing the point of view of the macrostructure in a way that citizens’ participation can emerge and organically happen. In the same way that Bueno created his work, anyone can do the same, paving the way for a real spatial interference by locals. It was only through geolocation that Bueno was able to tell the history through a bias that is different from the current one without plundering the ancient monument, confronting the police, or even imposing his historical perspective.

CONCLUSION

The works and interventions cited here show different perspectives of what might happen if there were no control mechanism to mediate social relations in the urban infrastructure. The issue of naming the streets is just one among many other urban commodities that directly interfere in our daily lives. The main argument for this specific choice and not another is the interest in understanding specific mechanisms that promote gentrification. Its influence in the space is such that even something as trivial as the classification of a particular avenue or even the name of a neighborhood can influence and help with the eviction of whole communities from their original neighborhoods.

Today, the macrostructure needs the cities to be highly controlled so that it can predict profits and income without major disturbances. Because of that, there are no real concerns if there are people living under this flow of capital. Organic life, in most cases, is thought of secondarily, without being the bigger – when it should be the only? – concern of the macrostructure. It is because of this fierce imposition over many years that protestors have recently taken to the streets around the world, with the experience in Turkey to defend Gezi Park being perhaps the most emblematic for this thesis. The imposition of the real estate market allied with the government was such that even one of the remaining parks in the city was the target of large real estate enterprises.66

This thesis is concerned with pointing out the consequences of this problem of the impositions made by the macrostructure. Returning to the idea of being an “ethologist,” it was not the intent of this study to discuss gentrification or all mechanisms of control imposed by the macrostructure. Rather, it has sought to understand how the absence of an urban commodity could interfere in the social relationships we have with the urban infrastructure. Without having a linear demarcation inside the cities – which Sennett believed to be characteristic of a “new anarchism”67 –, there would be a better understanding of the Other, which would make the urban space much more creative and plural. As Lewis Coser put it so well: “Conflict (…) prevents the ossification of the social system by exerting pressure for innovation and creativity.”68 The urban space would not necessarily be divided by class, race, ethnicity, or other identity groups, but it would be a constant conflict self-organizing and managing their own spaces. Sennett advocates for social conflicts as a way to generate neighborhoods open to changes. This idea is not far from the plurality and the antagonisms suggested by Mouffe for establishing a “radical democracy.”69 In the end, through “new anarchists” theories, a healthy environment for democracy can be created; a space in which a plurality of groups is respected in practice and there is no separation between those who are poor and those who are rich.

Finally, the artistic works discussed here represent some of the possibilities for the different perceptions of what constitutes an urban space. Although they do not discuss the lack of an urban commodity per se, they point to a different understanding of what this city would be. They are platforms for encouraging discussion and raising public awareness of the issues presented here.

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Wollen, Peter. “Situationists and Architecture,” New Left Review 8 (Mar/Apr 2001).

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Notes:

1Peter Fricker. “Directionally Challenged: Effort to Name Ghana’s Streets Points the Way to Economic Progress,” Frontlines Online Edition (July/August 2012). Available at <http://www.usaid.gov/news-information/frontlines/economic-growth/directionally-challenged-effort-name-ghana%E2%80%99s-streets>. (Accessed on November 18, 2013).

2Davien Hiskey. “Most Streets in Japan Don’t Have Names.” Today I Foundout (April 9, 2012). Available at <http://www.todayifoundout.com/index.php/2012/04/most-japanese-streets-dont-have-names/>. (Accessed on November 18, 2013).

3“Rio de Janeiro’s favelas charted on city maps after decades of ‘invisibility’,” DailyMail Online (January 24, 2013). Accessible at <www.dailymail.co.uk/travel/article-2267553/Rio-Janeiros-favelas-charted-decades-invisibility.html>. (Accessed on November 18, 2013).

4Lauren Evans. “FYI: Ridgewood Is Now East Williamsburg, Also Bushwick,” gothamist (May 10, 2013). Available at <http://gothamist.com/2013/05/10/east_williamsburg_borders_now_exten.php>. (Accessed on March 25, 2014).

5Raquel Rennó. “A Cidade das Marcas – Marcas na Cidade,” XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação (Belo Horizonte/MG, September 2 – 6, 2003). Available at <https://www.academia.edu/5780062/Cidade_das_marcas_marcas_na_cidade>. (Accessed on January 20, 2014).

6Andrew Goffey. “Introduction: On the Witch’s Broomstick,” Capitalist Sorcery. Palgrave MacMillan (2011): XVII.

7Ibid: XIII.

8Philippe Pignarre and Isabelle Stengers. Capitalist Sorcery, Palgrave MacMillan (2011): 25.

9Ibid: 17.

10Stephen Ducombe. “Utopia Is No Place: The Art and Politics of Impossible Futures,” Walker Art Center, Symposium (July 29, 2010). Accessible at <http://www.youtube.com/watch?v=H8BhXKGOeeY>. (Accessed on November 18, 2013).

11Italo Calvino. “City & Memory 3,” Invisible Cities. Harvest Books. (1974): 10-11.

12In Roswitha Mueller’s book about VALIE EXPORT’s works, “Valie Export – Fragments of Imagination,” she cites Zobeide to describe how EXPORT believes that a city is doubly gendered in a way to explain EXPORT’s work Syntagma: “For Export, the city is both feminine and masculine (traditionally speaking): feminine in its housing, sheltering, and protecting life, masculine in its traffic, commerce, and communication. There is, however, a more powerful reason for considering the city as doubly gendered. One of the stories in Italo Calvino’s book Le città invisibili relates how the city of Zobeide was founded exactly on that site where several men, pursuing the same dream, encountered each other. The site corresponded to the place where they lost the object of their desire, a woman, out of sight. This story suggests that ‘the city constitutes itself through the attempt to lend duration to the desire expressed in their dream… as the site of absence of the woman in whose place a league of men gather together, bound to each other through the lack of the feminine.’” (p. 186-187).

13Italo Calvino. “City & Memory 3,” Invisible Cities. Harvest Books. (1974): 10-11.

14A list can be viewed at the website <http://www.oldstreets.com/honor.asp?title=Mauro>. (Accessed on March 26, 2014).

15To learn more about the Elevado Costa e Silva, one worthy read is the article by Christina Gossman, “Finding Relief In The World’s Most Congested City: A Sunday Afternoon On São Paulo’s Minhocão,” published by The Atlantic, on May 18, 2012. Accessible at <http://www.theatlanticcities.com/arts-and-lifestyle/2012/05/finding-relief-worlds-most-congested-city-sunday-afternoon-minhocao/2040/>. (Accessed on March 26, 2014).

16Lauren Evans. “Who’s Trying To Erase East Williamsburg’s ‘Avenue Of Puerto Rico?’,” gothamist (February 26, 2013). Accessible at <http://gothamist.com/2013/02/26/whos_trying_to_kill_avenue_of_puert.php>. (Accessed on March 26, 2014).

17The research was made by the Brazilian newspaper O Estado de S. Paulo and published in the article in Portuguese “80% das leis são homenagens ou nomes de rua,” accessible at <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,80-das-leis-sao-homenagens-ou-nomes-de-rua–,898522,0.htm>. (Accessed on November 18, 2013).

18Robert Moses was a key figure for New York city urban planning during the 1960s. The literature about him and Jane Jacobs’ fight against his plans is extensive. To know more about the character and his plans see his Wikipedia article <http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Moses>. (Accessed on March 26, 2014).

19Jan Gehl is a Danish architect well known for his projects of large plazas and reflecting pools. His architecture company is involved in a controversial project in São Paulo, Brazil, to re-signify a historical and degraded neighborhood in the city. His solution was to build a reflecting pool as a way to avoid the homeless people living there. To know more, it is worth reading the statement wrote by a social movement present in the meetings to discuss the project (in Portuguese). Movimento BaixoCentro. “Workshop SP Urbanismo,” baixocentro.org (November 12, 2013). Accessible at <http://baixocentro.org/2013/11/12/workshop-sp-urbanismo/>. (Accessed on March 26, 2014).

20Jane Jacobs. The Death and Life of Great American Cities. Vintage Books Edition (1992): 6.

21Again, the case of Gehl and the historical neighborhood in São Paulo comes to mind. The participation of communities and social movements in the meetings was only virtual. The feedback and input provided by them was not incorporated into the final project. In this sense, the participation of the grassroots movements was strictly formal, and not a real conversation. It was only to guarantee what is required by law.

22Richard Sennett. The Uses of Disorder – Personal Identity and City Life. W. W. Norton (1970): 7.

23Ibid.

24Ibid: 142.

25Joseph D. Lewandowski. “Street Culture – The Dialetic of Urbanism in Walter Benjamin’s Passagen-werk,Philosophy & Social Criticism. Vol. 31, no. 3 (2005): 293-308.

26David Harvey. Rebel Cities – From the Right to the City to Urban Revolution. Verso (2012): XIII.

27Chantal Mouffe. The Return of the Political. Verso (2006).

28Rosalyn Deutsche. “Art and Public Space: Questions of Democracy,” Social Text, no. 33 (1992): 34-53.

29Henri Lefebvre. “The Right to the City,” Writings on Cities. Blackwell Publishers (1996): 148.

30Ibid.

31Richard Sennett. The Uses of Disorder – Personal Identity and City Life. W. W. Norton (1970): 91-95.

32Again, Jane Jacobs’ fight to avoid the urban renewal of West Village is a good example. See: Jennifer Hock. “Jane Jacobs and the West Village: The Neighborhood Against Urban Renewal,” Journal of the Society Architectural Historians, Vol 66, no. 1 (March 2007): 16-19.

33Roswitha Mueller. Valie Export – Fragments of the Imagination. Indiana University Press (1994): XX.

34Simon Sadler. “The Naked City – Realities of Design and Space Laid Bare,” The Situationist City. The MIT Press (1998): 15-66.

35Ibid: 17.

36Guy Debord. “Theory of the Dérive,” Internationale Situationiste #2 (December 1958). Accessible at <http://www.cddc.vt.edu/sionline/si/theory.html>. (Accessed on March 26, 2014).

37Ibid: 16.

38Peter Wollen. “Situationists and Architecture,” New Left Review 8 (Mar/Apr 2001): 129.

39Ibid.

40Roswitha Mueller. Valie Export – Fragments of the Imagination. Indiana University Press (1994): 186.

41Simon Sadler. “The Naked City – Realities of Design and Space Laid Bare,” The Situationist City. The MIT Press (1998): 15-16.

42Ibid.

43Roswitha Mueller. Valie Export – Fragments of the Imagination. Indiana University Press (1994): XX.

44This section draws on an interview held with the artist in January 2014.

45Milton Machado. History of the Future. Cosac Naify (2013): 110.

46Ibid: 111.

47Milton Machado. History of the Future. Cosac Naify (2013): 7.

48Milton Machado. History of the Future. Cosac Naify (2013): 50.

49The Jesuit, although participating in the conquer and catechesis during the colonial Brazil, was known for his struggle in defense of indigenous peoples, arguing that them could not be enslaved as the church and Portugal planned. For Vieira, it was necessary to create an independent institution to manage and understand the vastness of cultures that were already in the territory. This fight earned him processes and almost condemnation by heresy by the Church. However, his eloquence and rhetoric were very well recognized in Brazil and Portugal, and Vieira continued his work, focusing mainly in studies about the Inquisition. To read more about Vieira, see the Wikipedia article: <http://en.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Vieira>. (Accessed on January 25, 2014).

50This passage and the other ones that follow were translated by the author from Portuguese: Padre Antonio Vieira. “História do Futuro – Vol I,” Obras Escolhidas. Livraria Sá da Costa. Lisboa (1953): 13. Online edition accessible at <http://www.fcsh.unl.pt/docentes/rmonteiro/pdf/Futuro_I.pdf>. (Accessed on January 24, 2014).

51Tania Rivera. “The Architecture of Thought,” History of the Future. Cosac Naify (2013): 99.

52Some names may be still in Portuguese. Padre Antonio Vieira. “História do Futuro – Vol I,” Obras Escolhidas. Livraria Sá da Costa. Lisboa (1953): 4.

53Lise Olsen. “Ciudad Juarez passes 2,000 homicides in ’09, setting record,” Chron Online (October 21, 2009). Accessible at <http://www.chron.com/news/nation-world/article/Ciudad-Juarez-passes-2-000-homicides-in-09-1593554.php>. (Accessed on January 26, 2014)

54Saskia Sassen. “Territory and Territoriality in the Global Economy,” International Sociology, Vol. 15 No. 2 (June 2000): 372-393.

55Saskia Sassen. “The Global Street: Making the Political,” Subversive Forum – The Future of Europe, (May 14, 2012). Video. Accessible at <http://www.youtube.com/watch?v=wECY6eUkOkY>. (Accessed on January 24, 2014).

56Doreen Massey. For Space. SAGE Publications (2005): 158.

57Ibid: 165.

58This section draws on an interview held with the artist in January 2014.

59William J. Mitchell. e-topia. The MIT Press (2000).

60Rosalind Krauss. “Sculpture in the Expanded Field,” October, Vol. 8 (Spring, 1979): 34.

61To understand better the open source communities, see: Yochai Benkler and Helen Nissenbaum. “Commons-Based Peer Production and Virtue,” The Journal of Political Philosophy, Vol 14, no. 4 (2006).

62The original in Spanish was translated to English by the author. Bernardo Gutiérrez. “Soñé que era un DJ de calles (ciudades copyleft),” #CódigoAbierto_CC (April 14, 2012). Accessible at <http://codigo-abierto.cc/2012/04/14/sone-que-era-un-dj-de-calles-ciudades-copyleft/> (accessed on January 25, 2014).

63Jane Jacobs. The Death and Life of Great American Cities. Vintage Books Edition. 1992.

64Harvey Morris. “Crowdsourcing Iceland’s Constitution,” The New York Times Online (October 24, 2012). Accessible at <http://rendezvous.blogs.nytimes.com/2012/10/24/crowdsourcing-icelands-constitution/?_php=true&_type=blogs&_r=0>. (Accessed on January 25, 2014).

65Priscila Arantes. “Cláudio Bueno,” Binômios #3 (August 2013): 5. Accessible at <http://3c.art.br/binomios-3/>. (Accessed on January 24, 2014).

66To understand more about the protests at Gezi Park, visit the Wikipedia article “2013 protests in Turkey.” Accessible at <http://en.wikipedia.org/wiki/2013_protests_in_Turkey>. (Accessed on January 25, 2014).

67Richard Sennett. The Uses of Disorder – Personal Identity and City Life. W. W. Norton (1970): 105-198.

68Lewis A. Coser. “Social Conflict and the Theory of Social Change,” The British Journal of Sociology, Vol. 8, No. 3 (Sep., 1957): 197.

69Chantal Mouffe. The Return of the Political. Verso (2006).

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Em 2006, fiz como meu TCC em jornalismo, um livro-reportagem-biográfico sobre Caio Fernando Abreu, Caio F. Queria mostrar as singularidades da vida do escritor com as dedicatórias dos contos de seu, talvez, mais conhecido livro “Morangos Mofados”. Para tanto, fui atrás das pessoas citadas para cada texto e tentei descobrir “os mofos” na memória que elas ainda tinham depois de 10 anos da morte do escritor, por consequências da AIDS.

Para mim, foi uma viagem no tempo. Entrei em contato com narrativas de uma contexto cultural completamente alheio a mim, mas que seguia com suas consequências nada esperadas. “O sonho acabou”, escutei repetidamente durante as entrevistas. Mas qual era o sonho? Para alguém de uma temporalidade diferente, que vivia a consequência errada do sonho, entendê-lo não era só uma questão racional, de demandas e anseios que poderiam ser resumidas em frases. Era, sim, uma exploração sensória, de compreender o otimismo e a utópica construção de uma nova sociedade, a qual trabalhava muito mais nos commons do que na individualidade. O meu modo de me enganar que tinha me transposto no tempo era me embriagar, escutar todas as músicas que eram citadas nos contos e nas entrevistas, relembrar cada segredo e choro confidenciados a um inexperiente escritor, e escrever da forma que o texto quisesse vir, seja legível ou não.

O livro final, quando leio hoje, está uma bosta (embora tenha tirado uma boa nota na banca), mas a partir dessa experiência passei a entregar cópias dos “Morangos Mofados” para pessoas importantes que passaram pela minha vida. Sejam amores, amizades, ou até mesmo aparições fugazes no meu cotidiano: se de alguma forma eu acreditasse que aquela pessoa tenha sido importante para a construção do meu ser, lhe dava uma cópia. Não tinha o intuito de que elas entendessem, ou acreditassem que a obra de Caio iria mudar suas vidas. Nada disso. O intuito era apenas um presente — e, no fim, um presente para mim.

Digo tudo isso porque hoje, por meio desses rastros que deixei por aí graças ao trabalho de Caio, identifico facilmente uma trajetória que não foi nada individual ou sozinha. Em 2016, farão 20 anos que Caio nos deixou. Em 2016, farão 10 anos que plantei essas migalhas de pão para não me esquecer que minha existência, até agora, foi também bastante sensível e compartilhada.

A quem recebeu suas cópias, fica aqui a explicação e o agradecimento. O presente foi bastante egoísta, mas a experiência fica com todxs nós.

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Eu não curto stand-up comedy. Não é um tipo de humor que me agrada e que eu veja relaxado, sem pensar em diversas consequências que piadas sobre preconceitos e sexualidades podem ter em diferentes públicos. Mas às vezes eles acertam.

Louis CK foi protagonista de um desses raros momentos. Em uma de suas apresentações, ele explica porque a viagem no tempo só é interessante se você for branco, homem, heterossexual e morar em um país no Norte-Ocidental.

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Desde quando eu voltei do mestrado, tentei achar alguma publicação para escrever minhas recentes pesquisas. Emails mandados, conversas feitas, e nada de achar um local em que desse para se aprofundar em um assunto do jeito que eu acredito ser necessário. Não é que faltam publicações no país (faltam, mas esse não é o maior problema, considerando o número crescente de iniciativas online), mas faltam diferentes perfis, com apostas em aprofundar temas sem necessariamente ser de forma jornalística ou acadêmica. Se você quer ir além de uma matéria mas não entrar em meandros acadêmicos, para onde você vai? Em qual publicação você tem a liberdade de articular sua própria voz com um tema que lhe – e não dx editorx ou da publicação – é interessante e de vanguarda?

Pensando nessa independência e incentivo às pesquisas, criei os Livretos. São publicações de baixo custo em formato A4 dobrado que une texto com ilustrações de artistas convidados. Ao todo, são 48 páginas que discutem e ilustram temas de vanguarda que estão em voga hoje em nosso cotidiano. Os Livretos são como plataformas curatoriais, em que a discussão teórica se casa com a crítica cultural.

Para este primeiro experimento com financiamento coletivo para publicações, escolhi três temas que me são caros e, acredito, são interessantes para o que tem acontecido aqui no Brasil: Afrofuturismo, Gentrificação Invisível e Arte em Espaço Público (para saber mais sobre cada tema, veja as explicações na página do Catarse).

Outra coisa interessante é que dependendo de qual recompensa você escolher, você liberta alguns Livretos para que outras pessoas tenham acesso à pesquisa de forma gratuita. Os Livretos Livres, então, será distribuídos em eventos ou até mesmo na rua. É uma forma de divulgar ainda mais o trabalho e criar um público cativo das publicações.

Os PDFs dos Livretos serão publicados aqui neste site, ali onde está escrito “Livretos” no menu acima.

Vamos colaborar?!

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