Quem é Kony?

UPDATE: Alguns comentários ao post no Facebook valem ser acrescidos ao texto para complementar as informações sobre quem é realmente Kony e a organização Invisible Child (e levantar algumas questões e críticas importantes).

A Marina Terra levanta uma questão bem importante: “Você é a favor de uma intervenção militar dos EUA em Uganda?”.

Fred Kling manda um link que comenta as informações erradas que o vídeo passa sobre a real situação em Uganda e questiona até as contas e doações que a organização recebe. Vale ressaltar o parágrafo, que questiona o que acontecerá caso Kony seja preso: “Mas e as dezenas ou centenas de crianças que foram sequestradas e passaram por lavagem cerebral? Eles realmente vão parar de lutar depois que Kony for preso? E se eles reagirem?”

Já Raquel Rennó resgata alguns posts que questionam ações passadas da organização, além de comentar sobre a campanha atual. Os textos (esse e esse) mostram quão ingênuo pode ser considerar a luta na região como uma questão de “cowboy” e quão perigoso fazer com que jovens não preparados entrem em zonas de conflito.

Ricardo Poppi indicou um texto do Global Voices que faz um panorama sobre a campanha e publica o relato de um jornalista do país. Ele diz: “Chamar a campanha de uma interpretação equivocada é um eufemismo. Ao mesmo tempo em que ela chama a atenção para o fato de que Kony, indiciado por crimes de guerra pela Corte Penal Internacional em 2005, continua solto, seu retrato dos crimes dele no norte da Uganda é de uma era que já passou. No auge da guerra, especialmente entre 1999 e 2004, hordas de crianças se refugiaram nas ruas de Gulu para escapar dos horrores do sequestro e do brutal alistamento forçado no LRA. Hoje, a maioria dessas crianças é semi-adulta.”

E a Livia Ascava, ainda na questão sobre a arrecadação e fontes financiadoras da organização, indica um texto que demonstra que a Invisible Children é patrocinada por organizações contra homossexuais. Além disso, aponta outro que avisa que Kony saiu já há 6 anos e que o grande problema da região não é mais ele, mas sim a situação de uma doença denominada “nodding disease” (ou doença que balança a cabeça, em tradução livre).

O Raphael Prado salienta que Kony não é o ditador que governa o país (quem exerce esse papel é Yoweri Museveni), mas sim o líder de uma milícia. E indica dois textos: um que lista 5 críticas à organização e à campanha e outro que detalha bem o histórico da relação entre os EUA e o país africano.

POST ORIGINAL:

E, de repente, um vídeo é visto mais de 74 milhões de vezes e a tag #Kony2012 domina os tranding topics nesses últimos dias. No fim, só fica a pergunta: quem é Kony e por que todo mundo está falando dele?

Ao contrário de vários outros tópicos que pipocam pelo twitter ou que batem milhões de visualizações no YouTube, Kony é um ditador genocida que massacra parte da população de Uganda, na África. Ele é responsável, segundo a ONU, por sequestrar cerca de 22 mil crianças para treiná-las como soldados de seu exército, que se auto-denomina Lord’s Resistance Army (ou Exército de Resistência do Senhor, em tradução livre). E ele é responsável por tirar a vida de centenas de milhares de ungandenses. Agora, por que, mesmo com diversos relatos e denúncias sobre inúmeras infrações aos direitos humanos, você nunca ouviu falar sobre Kony?

É por esse motivo que a organização Invisible Children criou a campanha Kony 2012. A ideia é tornar o ditador famoso não por ser um exemplo a ser seguido (claro!), mas para que cada vez mais as pessoas saibam o que acontece no país. Tudo porque a grande e tradicional mídia não denuncia as atrocidades do número 1 da lista do International Criminal Court. Quer-se, então, demonstrar ao governo estadunidense que as pessoas se importam com o tema (que não envolve grandes ganhos econômicos ou avanços políticos) e pedem por uma intervenção maior do país à região de Uganda. Se o governo dos Estados Unidos envia tropas para regiões que, no discurso, infringem os direitos humanos, por que não intervir também em Uganda, que já tem um histórico de mortes e genocídios? Por que não impedir com que o poder de uma pessoa, de um ditador, influa na vida de centenas de milhares?

A campanha quer fazer com que Kony seja tão famoso que a grande e tradicional mídia se importe e dilvulgue as reais realidades do país africano. Em 2012 espera-se que eles consigam derrubar o governo do ditador e mude a vida de diversas crianças que têm medo de dormir por causa dos sequestros para o exército.

O vídeo da campanha fez tanto sucesso que já é considerado o mais visto viral da história. E, mais uma vez, um exemplo genial de que as redes e as novas mídias existem para derrubar governos, pluralizar temas e não calar aqueles que precisam de voz.

Divulgue e torne Kony famoso o bastante para que as pessoas se importem!

1 Comment

Infelisment no brasil a unica midia poderosa è Globo prova disso
è que alienaran 50 milhôes de seres humanos durante 3 meses
sem contar com aqueles que nâo tem internt..
e realmente a unica informaçao que tem vem da t.v. ( clobo) transmitindo
aquilo que o governo quer.
Nâo sei como participar mais me sensibilizei …
Nâo sou ninguem neste vasto tema mas posso me unir com mais alguem para ajuda a todos.

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