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Planeta Sustentável

Hoje, mais uma vez, São Paulo acordou com mais uma favela em chamas. Desta vez – e pela segunda – foi a do Moinho que sofreu as mazelas de um incêndio em um lugar habitacional de difíceis estruturas.

Localizada na Barra Funda, em dezembro do ano passado, a favela viu um terço de sua área ser devorada pelo fogo e deixar cerca de 600 pessoas desabrigadas. Hoje, foram 80 casas atingidas pelo acidente.

Quando se lê esta notícia, há a sensação de que já se escutou ou se viu história similar, como se aquela favela já tivesse sido queimada outras 500 vezes. Eis que a história realmente se repetiu – várias vezes, e em vários lugares. Um grupo de ativistas pela moradia e habitação em São Paulo criou uma planilha colaborativa para registrar todas ocorrências de incêndios em favelas e barracos na Grande São Paulo. O mapeamento vai desde 2004 e conta até com um cronograma de atividades que precisam de voluntários para ser realizadas (principalmente, mas não só, de designers e programadores).

A partir desta planilha, se criou um mapa (que dá nome ao título do post) para visualizar onde aconteceram os incêndios e cruzar essas informações com os índices de valorização imobiliária. E é impressionante ver quantos incêndios já aconteceram na região desde 2005 e como o preço do metro quadrado da moradia em São Paulo apenas subiu. Se há alguma efetiva ligação entre as ocorrências e o preço dos imóveis, não há como realmente saber. Mas, de qualquer forma, sempre é bom ressaltar como a cidade está ficando cada vez mais cara e cara.

Outro aspecto interessante do projeto é usar a visualização de dados como solução para comprovar ou apontar teses ou sugestões de argumentos. E, principalmente, usar mapas. As tecnologias facilitaram tanto o uso dessas ferramentas que, agora, qualquer um pode se sentir confortável para levantar as informações e demonstrar visualmente seu ponto – o que facilita demais para que outros acreditem e apóiem a mesma perspectiva.

O que não pode, porém, é que se permita que essa planilha – e consequentemente este mapa – tenha mais e mais ocorrências para registar…

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E nessas ainda de discutir uma cidade colaborativa, caí em um artigo sobre um sonho em que o protagonista era um DJ. Não um qualquer, que discoteca por horas a fio nas noites do fim de semana. Mas um DJ de cidade. Sua mesa é a urbe, e suas músicas são avenidas e prédios que são constantemente alterados conforme a batida necessária.

Como isso seria possível? Por meio de uma cidade que não é essa estrutura fixa que conhecemos. Seria uma que seguiria os preceitos do software livre, sendo aberta e moldável por qualquer um. O autor do artigo – e do sonho -, Bernardo Gutiérrez, compara as teorias de dois cânones em urbanismo e software livre: Henri Lefebvre e Richard Stallman, respectivamente. O primeiro é responsável por definir e lutar pelo direito à cidade, em que todos os moradores da urbe devem poder usufruir da estrutura urbana seja morando no centro ou nas periferias. Já o segundo fundou o movimento de software livre e criou as liberdades que orientam até hoje a Free Software Foundation a definir se um programa é realmente livre ou não.

A ideia fica muito mais fácil de se entender quando substituímos a palavra “software” ou “programa” por “cidade” nas quatro regras:

Liberdade 0: A liberdade para executar a cidade para qualquer propósito;
Liberdade 1: A liberdade de estudar como a cidade funciona e adaptá-la para as suas necessidades;
Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias da cidade de modo que você possa ajudar ao seu próximo;
Liberdade 3: A liberdade de modificar a cidade e distribuir estas modificações de modo que toda a comunidade se beneficie.

O copyleft, ou a não proteção total dos direitos de autor, serviria para garantir que todos os cidadãos possam ter o direito à cidade. No começo, parece um tanto utópica a ideia, mas quando se aprofunda um pouco mais no assunto, se vê várias iniciativas que já trabalham com isso. Há até um projeto para criar uma licença aberta específica para as cidades, como meio de garantir que ela se adeque à realidade urbana e arquitetônica.

E não é algo tão recente assim. Em 2008, a dupla Rahul Srivastava e Matías Echenove escreveu uma lista de 12 princípios para uma arquitetura da participação, como forma de engajar pessoas comuns, ONGs e urbanistas na estruturação das cidades. Entre os tópicos, há conselhos bem interessantes, como apontar o que você e a sua comunidade precisam e levar essa discussão para frente. Como ele diz, “não cabem aos planejadores públicos adivinhar o que as pessoas precisam” ou “você não entende realmente um problema até depois de se começar a implementar a solução” (em outras palavras, faça primeiro e depois mitigue).

É um cenário perfeito para que os cidadãos não tenham uma relação unilateral com seus bairros e cidades, mas sim se engajem na construção e melhoria do aparato urbano. O viés do aberto é, mais uma vez, um convite para tirar o mito do inatingível, do misterioso, do ser só para alguns. Pensar as cidades como um software aberto permite com que qualquer um edite seu código e o copie para distribuir para quem mais interessar. As cidades devem ser mecanismos moldáveis às realidades e necessidades, e não estruturas físicas, concretas, insolúveis.

Imagem retirada do jogo SimCity, em que o jogador é convidado a montar – e desmontar – uma cidade conforme sua própria vontade.

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O sucesso do sistema de financiamento coletivo pode ser percebido no mundo inteiro. Pelo Brasil, vimos o Festival Baixo Centro acontecer, um ônibus hacker surgir e até o vizinho Cidades para Pessoas ser criado (e que, por sinal, está com a arrecadação aberta para a segunda fase). E se usarmos esse mesmo mecanismo para melhorar as cidades que moramos?

Várias iniciativas ao redor do mundo modificaram algumas regiões das cidades graças ao apoio de diversos cidadãos. O site The Pop-Up City fez um artigo com alguns exemplos e demonstra que esse tipo de mecanismo está cada vez mais forte e atuante. Foi o que aconteceu em Nova York. Um grupo que sofria com o verão na maior metrópole do mundo desenvolveu diversos filtros que tornam a água do rio Hudson limpa o suficiente para se nadar e se refrescar durante o calor. É um piscina flutuante de frente para Manhattan. Em pouco tempo, uma empresa de engenharia se tornou parceira e eles arrecadaram o dinheiro suficiente em apenas 6 dias.

Já em Roterdã, na Holanda, uma empresa de arquitetura em parceria com os organizadores da Bienal sobre o tema estão angariando fundos para construir uma passarela temporária que liga duas regiões da cidade cortadas por grandes avenidas de alto tráfego. É o jeito que o projeto I Make Rotterdam achou para não só trazer mais pessoas ao evento, mas para criar a consciência e a cultura para reestruturar a cidade com o foco nas pessoas. Cada apoiador ainda poderá colocar o seu nome em um trecho da passarela, como se eles fisicamente fizessem parte da construção.

Uma outra iniciativa, mas dessa vez em Londres, também ajuda a melhorar algumas regiões das cidades. O Spacehive é uma plataforma de financiamento coletivo apenas para projetos que envolvam comunidades ou bairros. É um meio para juntar a demanda por parte dos moradores de uma região com a forma de viabilizar. Dessa maneira, centros comunitários, pesquisas sobre como tornar algumas regiões mais felizes ou réplicas do busto da rainha Elizabeth (!!) são viabilizados engajando a comunidade que usufruirá da mudança. O site aparenta estar um tanto quanto abandonado (a última postagem em seu blog é em julho), mas ainda assim pode ser usado como exemplo de que é tendência usar o financiamento coletivo para melhorias em bairros e cidades.

Quando surgem projetos de interesse público que buscam angariar fundos coletivamente para acontecer, não consigo não pensar em quanto seria genial se pudéssemos também opinar desta forma no orçamento de nossa cidade ou subprefeitura. Vários projetos com os quais estamos contribuindo poderiam ser realizados com os impostos que já pagamos, sem precisarmos recorrer a outras alternativas para financiá-los.

Mas, enquanto isso não acontece, já pensou em reformar a praça em frente a sua casa?

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As discussões sobre liberdade e a neutralidade da rede estão prestes a dar um passo gigantesco. Enquanto ainda há projetos para reformar a lei de direito autoral (aliás, vale ler esta cartilha que explica as alterações do projeto) e discussões para impedir que governos controlem a internet, as ameaças estão prestes a saírem do mundo virtual para chegarem ao físico. A possibilidade de popularização das impressoras 3D faz com que o debate atinja outro nível.

Um artigo no site TechCrunch comenta sobre uma arma (que você pode ver na foto acima) feita usando uma impressora 3D e com um custo de menos de US$ 100. É uma arma produzida em casa, com material de baixo custo. É um objeto que envolve centenas de risco e uma indústria que gira bilhões de reais ao redor do mundo. A possibilidade de se criar ferramentas e utensílios facilmente de forma amadora, em breve, apertará os bolsos e o medo das empresas.

Hoje, uma impressora 3D pode ser comprada por US$ 2 mil (como a MakerBot, sobre a qual eu falei no post sobre a personificação do consumo), um preço ainda um pouco salgado para o usuário comum. Há, porém, empresas já querendo diminuir ainda mais o custo, para chegar a cerca de US$ 1.200. Esse movimento só demonstra que, em poucos anos, a impressora chegará a um preço mais agradável ao consumidor final e, então, finalmente, se popularizará.

O digital fez com que as indústrias do entretenimento (leia-se, principalmente, fono e cinematográfica) pensassem em novos modelos de negócio, já que o tradicional que estavam acostumadas foi por água abaixo. Enquanto pequenas e independentes empresas viam nesta reestruturação oportunidades que nunca antes tinham encontrado, as grandes e já bem estabelecidas penam até hoje para se adaptar à nova realidade. Elas até financiam campanhas que vão contra a neutralidade e liberdade na rede. Em vez de se adequarem, preferem controlar o usuário final.

O mesmo poderá acontecer com a popularização das impressoras 3D. Até hoje, os debates envolveram muito mais os direitos autorais e só tangenciaram – ou rasparam – nas questões que envolvem as patentes. Com a produção pessoal em larga escala de produtos, a guerra das patentes será muito mais evidente e envolverá não só produção de conhecimento, mas também o registro de modelos e design. Para se ter uma ideia, até a rosca de uma lâmpada é uma invenção patenteada (e até virou padrão para a grande maioria dos soquetes). Agora, se eu recriar isso em casa para uso pessoal, estarei infringindo leis de patentes? Até que ponto eu poderei construir o que quiser em casa? Se houver algum mecanismo de fiscalização (como o ECAD é hoje para a indústria fonográfica), como monitorar a produção residencial?

Essas brechas abrirão caminhos para discussões e ações legais um tanto quanto impensáveis há 5, 10 anos. A produção de uma arma, por exemplo, pode fazer com que surjam projetos de leis que restrinjam ainda mais a nossa liberdade, com o discurso de que nos protegerá de possíveis criminosos. Mas, até aí, uma faca também pode ser usada para um crime, ou uma furadeira, ou, até, uma cadeira. No fim, quem faz o crime é o criminoso, e não a arma. Mas, até se chegar a essa conclusão, poderemos ver restrições cada vez mais pesadas, como presenciamos com as leis que praticamente acabam com a neutralidade da rede em alguns países – e até no Brasil.

Pelo visto, mais uma guerra pela liberdade deverá ser travada em breve.

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Lembra aquele livro antigo, esgotado, que as editoras não se interessam mais em publicar? Grande parte das cópias em universidades ou instituições de ensino são para driblar a situação de conhecimento ficar a mercê da vontade das editoras. Uma plataforma de financiamento coletivo, porém, quer resolver esse problema e pagar as intermediárias para liberar o conteúdo em licenças livres.

Qual é o esquema? O Ungle.it é uma plataforma igual ao Catarse, mas focada em pagar autores para que liberem o conteúdo de seus livros em Creative Commons. Ou seja, o autor receberia por aquele livro já esgotado e o público poderia imprimi-lo se esquivando do controle das editoras. E até mesmo as editoras podem estabelecer o valor para liberar uma obra. Não tem problema. O foco é liberar a licença, “desgrudar” (traduzindo o nome do site) o conteúdo da proteção total de direitos de autor.

Mas não é todo mundo que está feliz com essa iniciativa não. A Amazon, que era responsável pela administração e recebimento das contribuições do site de financiamento coletivo (da mesma forma que ela faz para o site Kickstarter, versão norte-americana do Catarse), decidiu parar de prestar o serviço e todas as contribuições já feitas e pendentes tiveram que voltar aos doadores. Por quê? Não se sabe direito, mas segundo a notificação enviada por um executivo da empresa aos donos do site, a companhia não poderia dar suporte por causa das particularidades do serviço. O Unglue.it já está a procura de alternativas para não fechar o site e a continuar com seu modelo de negócio alternativo.

A Amazon é uma das líderes na venda de livros e e-books no mundo. Embora não tenha apontado que a causa seja a liberação do conteúdo em licenças mais brandas, a empresa multinacional lucra bastante com o direito de autor e a venda de unidades – e não liberação de licença – de livros. Querendo ou não, parece que a gigante quer dizimar qualquer possível concorrência, mesmo que seja pequena como uma start-up.

O irônico é que a ação vai totalmente contra às iniciativas interessantes que têm surgido graças à liberação dos direitos de autor. Para se ter uma ideia, um homem está disposto, inclusive, a passar um ano de sua vida vivendo apenas com produtos livres, open source. Sam Muirhead, percebendo a crescente adesão ao mundo livre, quer entender quais são os limites que o código aberto encontra hoje. Se ele quiser, por exemplo, comprar uma calça jeans, ele deve procurar uma empresa – se houver uma – que disponibiliza os moldes e ensine como fazê-la como em uma receita (se ele procurar por Hacking Couture talvez ele encontre algumas).

Na explicação simplificada, código aberto é isso: é a publicização da “receita” de como fazer algo. Em um post em seu blog em que ele narra como explicou para a sua mãe a iniciativa, Sam conta que em vez de tomar uma Coca-Cola, ele tem que optar pela versão livre, a OpenCola. Se não houver nenhuma alternativa livre (sendo que ele pode fabricar a “coisa”), a solução é compartilhar algo, como um carro para uma viagem.

A busca é apenas entender até onde vai o mundo open source, livre, de código aberto na sociedade atual, especialmente em uma cidade como Berlin, na Alemanha, onde várias iniciativas com esse conceito surgiram. Sam pediu US$ 20 mil para passar o ano inteiro dedicado ao projeto por financiamento coletivo, mas levantou US$ 6,731. Mesmo assim, de acordo com o vídeo abaixo, ele vai continuar a iniciativa.

Agora, é só esperar para ver.

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Existem milhares de teorias para explicar as tendências da nossa sociedade. Empresas e agências encomendam dezenas de pesquisas para entender qual será o próximo nicho a ser explorado por nosso sistema econômico. Tudo para saber qual o produto que estará nas mentes – e nas mãos – de milhares de consumidores.

Vendo o documentário “Objectified”, de Gary Hustwit, fiquei na cabeça sobre qual seria a próxima onda do momento, a próxima coqueluche dos consumidores do mundo inteiro. O filme, questionando a produção e criação do design de objetos na sociedade, explica os processos que cerceiam nossa busca pela identidade, aqueles objetos que demonstram o que pensamos, queremos e acreditamos.

Desde o método fordista de produção, em que os produtos são feitos iguais e em série, a indústria tem se reinventado para dar vazão aos anseios dos consumidores de possuírem algo único, singular, feito especialmente para eles. A padronização fez com que os consumidores exigissem customizações, mais opções e possibilidades. E cada vez mais produtos são colocados no mercado que mostram algo diferente, com um design moderno, novo, bonito. No fim, o próprio uso do termo “design” recebeu significação de marca para atrair novos clientes que fogem do “mais do mesmo”.

Esse tipo de exploração vai de encontro com os movimentos do DIY (do it yourself, ou faça você mesmo), ou seja, em vez de se render ao padronizado que é oferecido, inicia-se a produção e customização próprias. O movimento punk, por exemplo, é um representante desse sentimento de achar uma identidade única e lutar contra o “mainstream”. O hip-hop também é outro exemplo. O livro “The Pirate’s Dilemma”, de Matt Mason, mostra alguns outros exemplos e explica melhor essa busca, mas com a defesa da tese de que na cultura e na sociedade, “nada se cria, nada se perde, mas tudo se copia”.

Hoje, os consumidores têm cada vez mais oportunidades para adquirir produtos customizados, com a ideia de que serão os únicos a possuí-los. Páginas como o Threadless (e a versão brasileira, Camiseteria) ou Society6 dão a possibilidade de se comprar roupas ou quadros direto de artistas e designers independentes e pouco conhecidos. Produtos únicos.

As impressoras 3D caseiras parecem ser o próximo passo para se ter objetos individuais e que expressam melhor a identidade de seus criadores/donos. A partir delas, pode-se criar objetos e protótipos facilmente, sem ter que correr para fábricas ou designers de produtos profissionais (embora ainda se exija o domínio de alguns softwares um pouco mais complexos). Você, eu ou sua família podem, inclusive, criar peças para construir outras impressoras 3D e multiplicar as possibilidades.

Parece que o próximo passo do mercado, influenciado por essas facilidades tecnológicas e por uma sociedade mais focada na personalização, será a criação de seus próprios produtos, em que se deixa o papel de apenas consumidor para ser, também, produtor. A relação passiva de que produtos são oferecidos e consumidores são compradores pode mudar drasticamente nos próximos anos. E pode ser que cada vez mais as pessoas se vejam distantes das empresas e sejam responsáveis pela criação de todos os materiais que se usam cotidianamente. Tudo de forma independente.

Na imagem, um coelho feito com uma impressora 3D

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UPDATE: há uma mobilização para que se pressione os políticos para, realmente, marcar a votação do Marco Civil para amanhã e para que se atinja o quórum mínimo de parlamentares para que a votação aconteça. Colocaram no ar o site http://marcocivil.com.br para fazer o acompanhamento a partir de agora de todas as tramitações que o projeto de lei passar. O site do Idec está com uma campanha para mandar emails para os parlamentares demonstrando a importância da aprovação do projeto. Faça a sua parte! É bem importante que o Marco seja aprovado antes das eleições municipais.

POST ORIGINAL:

E vamos a mais um resumão:

Marco Civil da Internet (a missão!): e não achem que ele morreu não. Pelo menos, por enquanto. Depois de ser remarcada por falta de quórum, o marco volta à pauta e à votação nesta semana, dia 8. O CGI (Comitê Gestor da Internet) e o escritório brasileiro da Internet Society já demonstraram seu apoio ao texto final escrito pelo deputado Alessandro Molon, relator do projeto de lei. Agora é só fazer pressão para que a votação realmente aconteça e que, finalmente, aprovem o projeto que regula – e não criminaliza – os usos e deveres da internet no Brasil;

– “Cidades, coisas, pessoas”: o Felipe Fonseca, autor do livro Laboratórios do pós-digital, escreveu um texto em parceria com o Centro Cultural da Espanha apontando iniciativas que usam a cidade e a infraestrutura urbana para demonstrar que existem outras realidades possíveis. Como ele diz, “mais do que lançar ideias soltas na rua, essas intervenções, projetos e articulações se propõem a interferir na própria construção da cidade enquanto infraestrutura coletiva”. Vale ler e conhecer as iniciativas que ele cita, como o Arte Fora do Museu ou o movimento BaixoCentro. E ainda tem muito a ver com o grupo francês UX {Urban eXperiment}. O assunto está quente, principalmente com as eleições municipais chegando aí;

Brasil@HOME: no fim de semana passado, aconteceu um hackfest na Casa de Cultura Digital para criar projetos que envolvam tecnologias para promover a sustentabilidade. Foi uma parceria entre a Open Knowledge Foundation, o Citizen Cyberscience Centre e a Esfera para promover a cultura de ciência cidadã por terras tropicais. Entre as iniciativas discutidas e/ou desenvolvidas durante o encontro estão o ForestWatchers (que eu comentei na semana passada), uma plataforma para mapear áreas verdes e promover a jardinagem de guerrilha chamada Germina Sampa e um projeto para mapear colaborativamente os prédios abandonados no centro de SP e que não cumprem sua função social (que é um outro assunto quente e que eu já até escrevi sobre no site Canal Ibase).

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Chegou a hora de você, realmente, ficar responsável por monitorar o desmatamento no mundo. Não mais culpar governos, institutos de pesquisa, ONGs ou o que for. É você x culpadx por não identificar como está determinada área e apontar o que está acontecendo na região.

O ForestWatchers quer construir uma comunidade de “vigilantes da floresta”, ou seja, pessoas que se voluntariam para identificar áreas de floresta e de desmate. Como? Tudo pelo seu computador. Há uns tempos, comentei sobre grid computing, ou computação em gride, em que, basicamente, se usa o tempo e processamento ocioso da sua máquina para destinar a projetos grandes. O ForestWatchers parte do mesmo princípio: quer usar o tempo livre de seu computador para processar as imagens e informações das regiões de floresta.

Mas, assim como o OldWeather, a iniciativa não quer só usar a sua máquina. Quer que você participe também. A ideia é usar o seu protetor de tela para que você diga e identifique os pontos de floresta. Por enquanto, o sistema apenas está funcionando online, sem dar para baixar para o seu computador. Mas – e talvez seja o mais interessante – é que a plataforma está baseada em um sistema aberto de “crowd sourcing”, ou seja, um programa para participação colaborativa em que qualquer um pode mexer e ajudar na implantação.

Que tal dar uma mãozinha por lá?

Assim, não só o sistema vai estar pronto mais rápido, como o monitoramento será mais eficaz. Quem se escrever por agora como usuário comum pode realizar algumas tarefas já, como demarcar se as imagens dos satélites estão muito nubladas ou não. E, ainda, quem quiser ir mais ao fundo, em breve, há a possibilidade de criar aplicações com os materiais coletados pelos satélites.

O que acha? Vamos ajudar a iniciativa a sair de sua versão alpha para chegar à beta?

Foto: ©NASA 

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Eu estou viciado em massinha. É genial e já vi várias animações bacanudas que usam a massa para vários fins, desde fazer curtas geniais até produzir sons. Por isso, hoje, deixo apenas uma animação de massinha que explica o que é o software livre.

O vídeo tem vários problemas técnicos, mas é divertido ver como as pessoas estão se empenhando para explicar o que é GNU, Linux, GPL e compartilhamento de código.

E você? Conhece algum outro exemplo?

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Hackers para lá, hackers para cá, mas, afinal, como eles poderiam ajudar nas questões ambientais que tantam afligem nós, brasileiros, que vemos as florestas e a biodiversidade sumirem a passos largos? Fácil! E chamaram disso de EcoHack!

Em abril deste ano, um grupo de desenvolvedores e ativistas das mais várias áreas se reuniram para criar projetos que tenham como tema o meio ambiente e que usem as tecnologias como suporte. É a mesma forma quando promoveram um encontro similar para hackear o autismo, usar dados da NASA ou criar grids para dividir o tempo ocioso de sua máquina para processar dados. O objetivo é deixar mais claro as mazelas que a sociedade provoca ao meio ambiente.

Esses encontros, na verdade, são mais do que entregar produtos prontos e finalizados depois de um fim de semana de imersão. Quando eu participei do primeiro Transparência HackDay, por exemplo, tivemos a ideia de comparar as metodologias para monitorar o desmatamento do INPE de forma a deixar mais fácil identificar as diferenças entre cada uma e evitar informações conflitantes. O tr3e, porém, ficou apenas na ideia por causa da imensa quantidade de dados para se processar para criar layers compatíveis com Google Maps, mas deixamos a página com uma breve explicação como um meio de começar uma conversa sobre o assunto (o mapa é só ilustrativo, tá? :] ).

O EcoHack, que aconteceu em Nova York, parte do mesmo processo. Durante o encontro, não tinham apenas pessoas escrevendo códigos, mas conversas sobre projetos (como o Air Quaility Egg), visualização de dados (usando HTML5) e como criar uma visualização sobre o transporte público. Além disso, alguns dos projetos iniciados não foram finalizados, mas todos os códigos e processos estão disponíveis, como o um layer para MapBox sobre o desmatamento, a visualização de dados sobre comércio de espécies ameaçadas ou os códigos para balões com censores para coletar dados.

Que tal organizar um aí no Brasil com dados do Ibama, Ministério do Meio Ambiente, secretarias do verde e vários órgãos públicos que monitoram o meio ambiente? Afinal, temos a Lei de Acesso à Informação a nosso dispor.

Vamos?

(via Daniela Silva)

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