# paisagemfabricada

O que fazer com áreas abandonadas?

A situação da terra está cada vez mais na pauta de várias iniciativas. Conforme as cidades crescem, questiona-se o deuso de áreas vacantes e supostamente abandonadas, sejam terrenos ou prédios inteiros.

O centro de São Paulo, por exemplo, é uma região com diversos edíficios que foram abandonados por seus donos por não darem o esperado lucro aos seus proprietários. São edificações vazias que não exercem a função social de moradia (previsto no Estatuto da Cidade) e que devem milhões de reais em IPTU para os cofres públicos. São esses lugares que os movimentos de moradia ocupam para dar um teto às pessoas em situação de rua ou reaver o direito à cidade pelos cidadãos com menor poder aquisitivo.

Diversas iniciativas questionam o que fazer com essas áreas. Eu já comentei sobre o 596 Acres aqui, e agora aparecem mais duas que possuem os mesmos interesses.

O [im]possible living (ou vida [im]possível, em tradução livre) quer mapear os prédios vacantes no mundo e incentivar a ocupação dessas edificações quando possível. A ideia é formar uma rede e dar subsídios e orientações para as pessoas de como usar o prédio abandonado. No Brasil, é direito se apropriar de uma casa ou apartamento que estejam abandonados não cumprindo sua função social de moradia. São esses tipos de dicas e informações que o projeto quer dar ao público.

Já o Wasteland Twinning (geminação de terrenos baldios) brinca com o conceito de geminação de cidades para chamar a atenção para os terrenos abandonados. Como diz sua página, “subvertendo o conceito de geminação de cidades que equipara os bens culturais mais previsíveis e mudando o foco para terrenos vazios, novas questões sobre valor e função emergem. Wasteland Twinning quer desenvolver o entendimento sobre as potencialidades dessas áreas por meio de modelos de prática transdisciplinares”. Um dos argumentos para a importância dessas áreas é que elas são um respiro no meio do processo urbanizatório das cidades, impermeabilizando o solo e sendo local para biodiversidade. No fim, elas podem ser uma alternativa sustentável ao desenvolvimento das cidades.

Áreas abandonadas, agora, terão novas significações.

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