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O ânimo

Não sei o que é, mas me consome. E bate forte. Suga minhas energias e me deixa operando em estado baixo. baixo. É quando as possibilidades se esvaem, sabe? Quando o projetado era muito mais legal do que o real. Quando havia gravidez e não o vazio dentro do útero. E, daí, se fica baixo. E você tem que resolver problemas, situações cada vez mais incabíveis em seu mundo – que, por razões adversas, está baixo. baixo. E, daí, você fica pensando na vida e em como ela fica bonita marcada nos pulsos. E em como todas as situações e problemas incabíveis conspiram por estar em uma única presença, em uma única vida, em apenas dois pulsos.

baixo.

E você sente falta daquela única pessoa que te escuta e não te fala “compreendo” ou “puts, que foda” ou “nossa, não tenho nem o que falar”. Você quer aquela pessoa que realmente entende o problema e compartilha de seus questionamentos. Quem tem a mesma dúvida não tem nem como compreender. E você vê que essa pessoa realmente nunca existiu. E isso faz parte dos problemas e situações incabíveis que rondam aqueles dois pulsos, aquela única vida.

baixo.

E você olha para o seu corpo. Para as suas relações. Para as suas vontades e saudades. E se lembra que é tudo ilusão. Ninguém, no fim, existe em sua vida, em seus pulsos. É tudo passageiro, tudo louco, tudo com grandes verdades. Tudo alheio a você. baixo. E ninguém nunca saberá qual tonalidade de vermelho é o teu laranja. Ou que peso a sua risada forçada tem no meu interesse. E qual força sobra de um corpo que encara seus pulsos como uma vida.

baixo.

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