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Planeta Sustentável

#NaoFoiAcidente (ou Mais amor, menos motor)


Não tem como não comentar. Não tem nem como falar de outro assunto a não ser o que aconteceu em Porto Alegre neste fim de semana. É uma tragédia em todos os aspectos de civilidade, consciência de coletivo e apatia por parte das autoridades.

Na última sexta-feira do mês, como é de costume, o grupo de Massa Crítica se reuniu para mais uma bicicletada, a fim de conscientizar os cidadãos pelo uso racional do carro e questionar a real necessidade de adquirir um motor para substituir as próprias pernas. O grupo é mundial, com grupos por diversas cidades brasileiras. Em mais uma bicicletada, em Porto Alegre, eis que aparece a demonstração do perigo do uso do carro em mãos erradas.

Um motorista apressado decide que o carro e sua vida são mais importantes do que o grupo conscientizador. Em alguns segundos, ele acelera e atropela o bando que envolvia desde crianças até senhoras pedalando com seus cachorros a tira colo. Repito: ele atropela o grupo.

Logo após a barbárie, abandona seu carro e retira as placas do veículo para que ele não seja facilmente identificável. Some. Depois de três dias, reaparece, identificado como um funcionário do Banco Central (isso mesmo! Funcionário público!), e alega que foi tudo “legítima defesa”, já que havia ciclistas ameaçando virar o carro, quebrar o vidro e todo o tipo de ameaças.

Primeiro, mentira, como mostra os comentários neste post. Segundo, se fosse realmente uma defesa legítima, ou seja, amparada pela lei, por que, então, o motorista precisou abandonar seu carro, retirar as placas do veículo e só aparecer na delegacia dias depois?

Mas o estranhamento no caso não termina por aí. Logo após o acidente, o delegado, outro funcionário público, afirma que o “primeiro erro crucial” foi o evento ciclístico por não ter avisado as autoridades. “Faz a tua manifestação, mas não impede o fluxo de automóveis. Se tu impedes, dá confusão, dá baderna, dá acidente”, como ele diz na reportagem. Agora, como um funcionário público, contratado para dar suporte e pensar no coletivo, pode considerar um grupo de ciclistas um erro? E como justificar os atropelamentos com tal argumento?

O preço que se paga por um carro vale mais do que as vidas de ciclistas? Não há justificativas para um atropelamento tão brutal. Abaixo, você pode conferir o vídeo com o momento do acidente.

É impressionante também o teor dos comentários nas reportagens sobre o tema. Muitos ainda defendem a reação do motorista com se a culpa fosse dos ciclistas. A rede está se movendo para tentar sanar isso. Para centralizar as mensagens, adotaram a tag #NaoFoiAcidente para deixar bem claro para as autoridades que NÃO FOI ACIDENTE! Já virou trending topic no Brasil e ruma a ser mundial.

Hoje, segunda-feira, haverá uma bicicletada extra de apoio aqui em São Paulo, lá na Praça do Ciclista, com concentração a partir das 18h. Vá!

E, por favor, mais amor e menos motor.

*AVISO: são imagens bem fortes, com pessoas voando e tudo o mais. Pense bem antes de assistir.*

0 replies on “#NaoFoiAcidente (ou Mais amor, menos motor)”

Aline Santos – diz:Deplorável, assassina, aterradora!!!! Não consigo encontrar uma palavra para expressar toda a minha indignação pela atitude absurda desse “ser” que dirigia o carro.

Gustavo Brum – diz:Bem as manifestações tem que começar e terminar pedindo o afastamento do delegado Gilberto Almeida Montenegro por ter feito declarações um tanto quanto infelizes e ao mesmo tempo por não conseguir enxergar um crime na frente dos seus olhos.Os videos estão la e não mentem. Não ha desculpas.O criminoso tem que ser preso, julgado e condenado e o delegado Gilberto Almeida Montenegro exonerado!!!

Gustavo Brum – diz:Gustavo Brum – diz:Bem as manifestações tem que começar e terminar pedindo o afastamento do delegado Gilberto Almeida Montenegro por ter feito declarações um tanto quanto infelizes e ao mesmo tempo por não conseguir enxergar um crime na frente dos seus olhos.Os videos estão la e não mentem. Não ha desculpas.O criminoso tem que ser preso, julgado e condenado e o delegado Gilberto Almeida Montenegro exonerado!!!

Fernando Azevedo – diz:Concordo inteiramente com o que o delegado falou. Odeio esse tipo de protesto que atrapalha a vida de alguém que não tem nada a ver e acaba sendo prejudicado. Imagina se tinha alguém infartando no carro e não pode ser socorrido porque um grupo de pessoas *sem consciência coletiva* decide tomar toda a avenida (um lugar destinado a *carros*) para protestar, esquecendo que existem outras pessoas na cidade?Fico triste com a visão extremista do site, em alegar que a declaração de uma pessoa é mentira e usar como prova disso ‘declarações de outras pessoas’!!Confesso que faz sentido o que o motorista falou sobre estar sendo agredido…têm pessoas que são tão xiitas que protestam e não conseguem tolerar a opinião de quem pensa diferente. Isso não justifica ter atropelado algumas dezenas de pessoas, mas se ele tivesse atropelado somente quem o ofendeu e atentou contra a propriedade dele, eu o apoiaria.Imagina agora se as ambulâncias (que eram carros, imagino, e não bicicletas) que foram resgatar os feridos fossem atrapalhadas por uma manifestação de ciclistas no caminho? Será que os feridos agonizando em dor iam pensar que aquelas pessoas na sua frente estavam certas desta vez?

Fernando Azevedo – diz:Concordo inteiramente com o que o delegado falou. Odeio esse tipo de protesto que atrapalha a vida de alguém que não tem nada a ver e acaba sendo prejudicado. Imagina se tinha alguém infartando no carro e não pode ser socorrido porque um grupo de pessoas *sem consciência coletiva* decide tomar toda a avenida (um lugar destinado a *carros*) para protestar, esquecendo que existem outras pessoas na cidade?Fico triste com a visão extremista do site, em alegar que a declaração de uma pessoa é mentira e usar como prova disso ‘declarações de outras pessoas’!!Confesso que faz sentido o que o motorista falou sobre estar sendo agredido…têm pessoas que são tão xiitas que protestam e não conseguem tolerar a opinião de quem pensa diferente. Isso não justifica ter atropelado algumas dezenas de pessoas, mas se ele tivesse atropelado somente quem o ofendeu e atentou contra a propriedade dele, eu o apoiaria.Imagina agora se as ambulâncias (que eram carros, imagino, e não bicicletas) que foram resgatar os feridos fossem atrapalhadas por uma manifestação de ciclistas no caminho? Será que os feridos agonizando em dor iam pensar que aquelas pessoas na sua frente estavam certas desta vez?

Viviana Rocha – diz:Estou revoltada!!! Como pode um ser humano fazer uma coisa dessas! Revoltada mais ainda com aqueles que concordam com esse tipo de atitude criminosa e totalmente despropositada! NADA justifica uma atitude brutal e covarde dessas! O grupo tem o meu apoio para o que for preciso.Mais respeito à VIDA!!!

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, Fernando! Antes de eu entrar na argumentação, só para esclarecer: os textos publicados neste blog são de minha responsabilidade e condizem com a minha forma de pensar, não do site. Ou seja, a “visão extremista” é minha, e não do Planeta Sustentável. Isso posto, eu não consigo entender como um tapa em um vidro pode justificar um suposto atentado contra a propriedade. Você realmente acha que a propriedade vale mais do que a vida? Esse tipo de mentalidade, por exemplo, fez com que a vida fosse uma propriedade em outros tempos. E como você bem falou a questão é respeitar quem pensa diferente: se eu acho que o carro não é tão importante quanto uma vida, espero ser respeitado e não atropelado. E se o motorista realmente estivesse precisando passar pelos ciclistas, era só ele avisar que estava com problemas de saúde ou até mesmo ter pensado em chamar uma ambulância. Tenho absoluta certeza que *todos* os ciclistas não só sairiam da frente, como o ajudariam a chegar no hospital. A luta deles não é pela retirada de todos os carros. É pelo uso consciente do veículo. Hoje, nossas ruas são destinadas apenas para os veículos automotores, desrespeitando os outros tipos, como a bicicleta e o pedestre. O erro está em destinar grande parte da malha viária somente aos carros. Em vez de você pensar dentro de sua armadura de 1 tonelada, tente ver pelo lado de fora. O trânsito é violento e agressivo. E egoísta. E nada, mas nada coletivo. O que você acha? Abraços, Thiago

Kadu Vasconcellos – diz:Fernando Azevedo, há muito tempo não monto na minha magrela e a correria do dia-a-dia faz com que eu tenha esta vida. Isso não quer dizer que eu apóie tal atitude criminosa desse “cidadão”. E também discordo de você quando você diz que rua é lugar de carro. É mesmo? E se eu andar de bicicleta na calçada você vai falar que lugar de bicicleta é aonde? Se você for a São Paulo e precisar de uma ambulância você verá que, mesmo no trânsito caótico, há o respeito à vida e as pessoas abrem caminho para a sirene. Se o bonitão do José Ricardo estivesse com problemas de saúde e precisasse mesmo passar ele tentaria conversar como uma pessoa normal, não jogaria um carro em cima de pessoas indefesas. Esse tipo de pensamento é retrórgrado, egoísta e burro. Pensamento de quem, quando entra num carro, acha que é o rei do mundo e pode fazer o que quiser! As coisas não funcionam assim, meu amigo! Pressa todo mundo tem! Compromissos todo mundo tem! Nada disso justifica tal atitude. Comentário infeliz o seu. Opinião medíocre!

Lucas Croma – diz:Estou indignado com a crueldade que este assassino avançou para cima dos ciclista companheiros de pedaladas bike jump, downhill, cross country, cicloturismo. Pela indignação atropelou todas as classes de ciclistas do Brasil……..

Lucicano – diz:JESUS CRISTO AMADO!!!Que coisa horrível! Estou horrorizado! Estou morando em Viena, Áustria á 5 anos. Vi no jornal aqui em Salzburg, Áustria, as imagens do atropelamento. Estou arrepiado com tamanha demência, estupidez e ignorância. Na primavera, verao e outono, aqui em Viena, todas as sextas-feiras existe uma passeata pelo centro da cidade e bairros, com algumas mil pessoas, as ruas sao totalmente fechadas para os passeios, normalmente o passeio termina as 00:00 da noite, mas as vezes vai ate mais tarde. Também existem muitos com roles, é maravilhoso. Sempre que dá eu vou. É muito gostoso e a educacao e o respeito pela vida é muito grande aqui. Quando vejo estas coisas no Brasil, e ainda pessoas querendo justificar este tipo de atitude fico estremamente triste pela ignorância humana. Imagino que se fosse aqui, este sujeito já estaria preso, ficaria por uns bons anos na cadeia, e principalmente, passaria por programas severos de tratamento pscológicos, e mais importante de tudo JAMAIS RECEBERIA NOVAMENTE UMA CARTEIRA DE MOTORISTA. Mas infelizmente já vi casos no Brasil que o sujeito atropela, mata, espanca uma idosa, totalmente alcoolizado, e pior de tudo, esta andando de corro novamente botando em risco várias pessoas novamente. Sou de Blumenau e o acontecido ocorreu lá. As conscientizacoes devem ocorrer sempre, mas nao podemos nos conformar com algumas coisas. As leis no Brasil sao muito fracas, tem que serem mais fortes e PUNITIVAS. Este sujeito nao pode ficar impune. Pelo amor de DEUS, fazam tudo que for possível para que este sujeito fique por muitos anos na cadeia, para pagar a dívida que ele tem com a sociedade de bem. Este cara é mais que um criminoso comum, este sujeito é um assassino pscicopáta. Somente uma pessoa transtornada o suficiente poderia fazer algo terrível como o que o doente mental fez. Este sujeito nao tem espaco na sociedade comum, infelizmente esta é a verdade. E principalmente, este sujeito nao tem espaco DENTRO DE UM CARRO, esta pessoa problemática jamais poderá entrar num carro, e prestar a devida seguranca a populacao. Estou estremamente revoltado e triste. Outro caso de Blumenau. Uma pessoa com problemas pscicológicos matou a sangue frio um jovem trabalhador as 7 da manha. Matou um desconhecido jovem trabalhador, que prestava servicos para a sociedade normal e saudável, cousou muitos sofrimentos a sua namorada, e a toda família e amigos da pessoa que ele matou. Foi preso e dois anos depois foi solto, esta pessoa é mora duas ruas depois da minha, todos os dias eu o via. Mulheres, criancas, idosos passam todos os dias por ele, o sujeito fica perambulando pelas ruas com cara de louco, pois é o que ele é, como este sujeito que tranquilamente poderia ter matado os ciclistas, ficava com muito medo do sujeito. Estas coisas nao podem mais serem permitidas e engolidas no nosso lindo e maravilhoso Brasil. Este sujeito teria que ficar pro resto da vida numa clinica psiquiatríca. Provavelmente este assassino do carro deve ter problemas mentais parecidos. Repito, este sujeito jamais poderá pegar um carro novamente sem colocar o cidadao de bem em risco. Devemos lutar pela conscientizacao e por punicoes mais severas, e claro, que elas sejam cumpridas.

Luiz – diz:Estou realmente mto revoltado com essa atitude “imbecil” desse ser “imbecil”. Quero ver a Justiça Brasileira tomar uma ação o mais rapido possivel p/ punir esse “imbecil”.

Fernando Azevedo – diz:Olá Thiago, Kadu! Talvez eu não tenha sido bem compreendido, mas eu disse que *não* concordo com a atitude de jogar o carro contra pessoas que nada tinham a ver com alguma (suposta) agressão que ele possa ter sofrido lá atrás. Mas continuo acho que marginais (pessoas que danificam suas propriedades) merecem punição sim, não necessariamente a morte.Continuo não concordando com o fato de estarem ocupando todas as faixas de uma avenida de fluxo razoável numa sexta-feira a noite…isso foi falta de respeito dos ciclistas em relação às pessoas que querem chegar em suas casas após uma semana de trabalho/estudo. Que ocupassem a faixa mais a direita, como rege o CTB.Thiago: seria o óbvio pedir ajuda profissional ou pelo menos avisar que precisa passar com urgência, mas sendo o caso de estar com uma emergência médica e uma criança e tendo seu carro chutado e estapeado (o que eu não estou dizendo que aconteceu, apenas levantando a possibilidade) acredito que as pessoas percam a linha do raciocínio e ajam por impulso. Entendo os motivos do protesto e até gostaria que fossem bem sucedidos, mas acho que não protestaram da melhor forma.Kadu: O lugar das bicicletas seria na faixa mais a direita, como diz o CTB, e não ocupando todas as faixas numa noite de um dia da semana (ainda mais a sexta, quando todos querem chegar mais rápido em casa). Minha opinião foi somente achar que estavam errados em fazer o protesto desta forma, não concordei com o motorista do Golf atropelar dezenas de inocentes. Eu não sei como é o trânsito em outras cidades do país, mas sou de Recife e sei que aqui deve estar entre os piores: todos se enchem de direito por estar de carro e desrespeitam tudo e todos. Quanto a mim, me orgulho de dirigir “como um europeu” (palavras de um sueco) e reprimir as imprudências dos amigos com quem revezo carona (caso não conheçam um projeto de um pessoal daqui de Recife: http://www.bigoo.com.br).

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, Fernando! Insistir no argumento do caso médico não fará muito sentido, uma vez que será apenas suposição – e errada, uma vez que você acredita que o motorista ou alguém do veículo estaria precisando de socorro e, mesmo assim, os ciclistas estariam estapeando o carro. Isso, digo de prontidão, nunca aconteceria. E os ciclistas só bateram no carro, pois o motorista ficava arrancando, acelerando, ameaçando que iria atropelá-los – o que no fim, isso sim, virou verdade. Legítima defesa foram os tapas na lataria e vidros do carro. E, já que você dirige como europeu, deve saber que na maioria dos países de lá a bicicleta é totalmente respeitada, sendo considerada mais importante do que o carro. Em outras palavras, os motoristas são obrigados a pararem seu ritmo e acompanharem a velocidade do veículo de duas rodas (para saber mais, olhe este projeto interessantíssimo: http://cidadesparapessoas.com.br). Além do mais, segundo o CTB, parte da malha viária deveria ser destinada ao uso de veículos não motores, o que não acontece. Agora, se você está preocupado que a Massa Crítica atrapalhasse o tempo que você demora em seu traejto, por que você não considera uma falta de respeito o trânsito de carros? Eles sim atrapalham seu trajeto do trabalho para casa todos os dias. Já pensou que se todo mundo pedalasse, seu trajeto de casa para o trabalho seria muito mais rápido – e prazeroso, saudável, etc, etc? Não é falta de respeito bicicletas tomarem as ruas. É falta de respeito considerar que apenas os carros podem. Abraços, Thiago

Fernando – diz:Thiago, eu não acredito que alguém estava precisando de socorro, eu só usei essa suposição para ilustrar o fato de que um protesto que interrompa o tráfego pode ser prejudicial.Não sei o que aconteceu lá (quem começou a atentar contra quem) mas concordamos que arrancar para cima dos ciclistas foi errado.Não sei como funciona na europa porque estive por lá uma vez, a trabalho, e foi no inverno (zero bicicletas)…lá funciona melhor porque o transporte público é bem eficiente, e o projeto das cidades considera outros meios de transporte. Certamente que o trânsito de carros atrapalha bastante, mas os carros não podem todos migrar para uma faixa apenas, o que é possível de bicicleta, nem trafegam a 20km/h.Eu penso que se é possível eu seguir meu caminho sem me atrapalhar e sem atrapalhar a vida dos outros, não vejo o porquê de não fazê-lo.Para quem tem que se deslocar pouco e sem levar um sol “de verão” na cabeça durante o percurso, pode ser prazeroso fazer o caminho casa/trabalho de bicicleta, mas considere que existem outros problemas associados a isso, como o clima, os horários, a violência… Apenas resumindo minha opinião, que parece ter sido mal entendida, achei errado o atropelamento em massa, mas também acho errado protestos deste tipo, como usar barricadas para fechar uma via, ou bicicletas para atrasar a via. Todos podem usar as ruas, mas da forma mais adequada para cada um. Acho que para ganhar respeito e exigir direitos é preciso antes respeitar os direitos dos outros. (antes de uma possível resposta, não estou dizendo que os carros respeitam os ciclistas, mas “devolver na mesma moeda” não me parece ser muito eficiente)

Louise Ribeiro – diz:Uma manifestação de fato causa desconforto ao motorista. O trânsito parado também. A reforma da via, o sinal que fecha rápido, tudo aquilo que faz com que andemos mais devagar do que gostaríamos é desconfortável. No entanto, vivemos em sociedade e é necessário respeito. O que esses ciclistas estão fazendo é lutando para que TODOS nós tenhamos uma maior qualidade de vida. @Fernando: não sei como estão as coisas na sua cidade, mas aqui em São Paulo está muito claro que o respeito está escasso e é a nossa única saída.

Cezar – diz:Só pra constar: Bicicletada não é beeeem uma manifestação (ou não deveria ser, pelo seu conceito). É simplesmente um grupo que se reune pra pedalar pela cidade. Acontece que fazem isso de uma forma que reúne um grupo muito grande. É por isso que não há líderes e não se avisa autoridades de trânsito, até pq o trajeto deles é decidido na hora. Agora imagina se toda vez que um grupo, seja bicicleta, à pé, de jegue, moto, barco(SP) quiser passear, vai ter que pedir autorização policial?É justamente aí a questão: eles não precisam dessa autorização, pq todo mundo é livre pra ir aonde quiser, como quiser e na velocidade que puder.Obs aos possíveis radicais: Eu sou do grupo motorizado…

Kadu Vasconcellos – diz:Louise, é que você não deve conhecer Uberlândia! Morei minha vida toda em SP e há seis meses estou em Uberlândia. Ficar parado no trânsito é tão estressante quanto transitar com pessoas mal educadas e que só pensam em si próprias! Vai por mim!Fernando, um protesto não é um protesto se não chama a atenção. Isso é fato! Como foi que os estudantes protestaram contra o Collor no começo da década de 90, por exemplo? Indo às ruas e parando o trânsito! Fazendo barulho! Como o Mubarak foi derrubado??? Aposto que no Egito o trânsito ficou bem pior que em Porto Alegre! Enfim, atrapalha? Atrapalha! E daí? Teu carro na rua atrapalha o planeta MUITO mais do que mil bicicletas em relação à poluição! Um ônibus na rua atrapalha muito mais que um carro, em termos de velocidade e tamanho! É tudo relativo! Muito relativo! Cada um tem sua própria razão em usar o veículo que usa, Mas isso não dá a ninguém o direito de inflingir o espaço do outro. Se a bike tá devagar, muda de caminho! Se o carro PRECISA passar, abre alas! É assim que uma sociedade civilizada funciona, um respeitando o espaço do outro!

Marcela – diz:A palavra “funcionário público” aparece no post quatro vezes, como se houvesse alguma correlação entre o fato e a profissão do sujeito. E vc ainda dá informação errada: “funcionário público, contratado para dar suporte e pensar no coletivo”. Ele é contratado para exercer as funções estabelecidas em lei, que direta ou indiretamente favorecerão a coletividade. Mas isso nao significa que ele é pago para dar bom exemplo de conduta fora do exercício da função. Não digo que ele está certo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ademais, o delegado tem razão quando diz que deveriam ter avisado, de modo que as autoridades pudessem tomar as providências para organizar o trânsito. Inclusive está na Constituição Federal esta exigência, no artigo 5º, XVI: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, SENDO APENAS EXIGIDO PRÉVIO AVISO À AUTORIDADE COMPETENTE”. Vc deveria se informar melhor antes de escrever as coisas.Abçs

isra – diz:Alegre (Brasil) ha sido atacada por un conductor que embistió demanera premeditada, brutal y salvaje con su vehículo contra las 150personas que circulaban, hiriendo a veinte de ellas y teniendo quehospitalizar a otras diez.Ante el shock de lxs ciclistas, el salvaje se dió a la fugaencontrándose el automóvil abollado por los impactos y abandonado enlas inmediaciones del accidente.Desde la Bicirítica madrileña, que forma parte del mismo movimiento(Masa Crítica o Critical Mass) y que por tanto siente esta brutalagresión hacia ella, repudiamos este intento de masacre, y mostramostodo nuestro apoyo a nuestr@s compañer@s de Porto Alegre en estaterrible situacion.En solidaridad con la Masa Crítica de Porto Alegre el próximo jueves 3de marzo, a partir de las 20h., desde Cibeles, circularemos por lascalles de Madrid.Seguiremos luchando por nuestro derecho a pedalear por la ciudad, areducir la contaminación, a reducir la velocidad y la agresividad; endefinitiva, seguiremos luchando por una ciudad más humana, por unaciudad para las personas.Usa la bici a diario, celébralo una vez al meswww.bicicritica.org

Thiago Carrapatoso – diz:Oi, Marcela! Sobre o funcionalismo público, eu nunca disse que além do horário do expediente ele deveria ser um exemplo de conduta. Mas, aliás, será que não deveria? O perfil de um empregado no setor público deveria ser – e é – bem diferente daquele que procura a iniciativa privada. E esta orientação ao coletivo deveria ser (é?) um preceito à contratação. O funcionário não está fazendo o trampo apenas para cumprir o ponto. Ele está atuando para que a cidade, estado, país em que vive funcione plenamente para seus cidadãos. Vê a diferença? E sobre a falta de aviso: a bicicletada é algo que acontece mensalmente, como as próprias autoridades já sabem. Mas, como bem disse o Cezar, a bicicletada não é bem uma manifestação. E, mesmo assim, é objetivo mostrar que quando várias bicicletas se reúnem em uma via, é considerado manifestação; quando vários carros estão enfileirados no mesmo lugar, é direito. Estranho, né? E sobre a última frase: mais amor, por favor! 😛 Abraços, Thiago

Marcela – diz:Thiago, obrigada pela sua resposta. Em primeiro lugar, gostaria de enfatizar que a necessidade de autorização não diz respeito somente a “manifestações” no sentido de reivindicar algo, protestar ou chamar a atenção para uma causa. Na verdade, a regra constitucional é aplicável ao “direito de reunião”. É mais amplo. Os estudos sobre o tema permitem concluir que sempre que um espaço público vá ser utilizado predominantemente para a reunião, isso se aplica, justamente para preservar o direito do resto da sociedade. No entanto, note que o próprio blog dos organizadores utiliza com freqüência a expressão “MANIFESTAÇÃO CICLÍSTICA”, além de elencar seus objetivos com esses eventos (que podem ser resumidos da seguinte forma: ampliação dos direitos dos ciclistas). O argumento inverso que vc utilizou sobre os carros terem direito, sugerindo que as bicicletas também o teriam, quase me convenceu. No entanto, o Código de Trânsito Brasileiro determina que “a circulação de bicicletas DEVERÁ ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores” (art. 58). Ou seja, a bicicleta tem que andar, preferencialmente, no lugar a ela destinado (ciclovia, ciclofaixa), se não tiver (infelizmente no Brasil há poucas destas vias), no acostamento, e SOMENTE na hipótese de nenhuma das anteriores ser possível, ela deverá andar NOS BORDOS da pista de rolamento. Assim, as bicicletas atingidas estavam erradas por se encontrarem em local inapropriado segundo a lei (já que não estavam nos bordos, e sim no centro, ocupando todo o espaço sem dividir com os carros).Quanto ao funcionalismo público, seu raciocínio, apesar de correto, foi usado de modo manipulador e exagerado. De fato, a lei (especialmente a penal) faz, em alguns casos, distinção em relação ao funcionário público, com base na tua lógica. Mas só o faz quando há nexo de causalidade entre o ato e o exercício da função. Por ex: se ele pega alguma coisa da repartição pública em que trabalha, não responde por furto, e sim peculato, que tem pena maior. Você está ignorando a igualdade e pretende vender a idéia de que alguém, por uma característica particular, deve ser punido mais fortemente que outrem. Usando o seu raciocínio seria possível afirmar que um evangélico também deveria ser punido de modo mais rígido se cometesse um crime que atentasse contra a moral e bons costumes. Você quer criar uma desigualdade que não foi estabelecida em lei. Você pregou o amor. Mas você não quer mais o amor do que a lei e o direito. Vc não escreveu justamente para defender o direito dos ciclistas e não desejou punição ao criminoso (até pior do que a punição devida, só por ele ser funcionário público)? Se o amor estivesse acima da lei para você, o seu protesto seria pela reeducação do sujeito, pelo perdão pela sua atitude etc. Eu não digo que concordo com isso, só estou mostrando que não é bem assim. Na minha opinião, ele só é criminoso quando a Justiça disser que ele é, e ele tem que ser punido de acordo com a lei, como qualquer outro motorista seria. Abçs

Talitha – diz:Tiago, não resisti a fazer um elogio à sua vocação pedagógica. Isso aí, tem que estar disposto a desenhar, e respeitar o ponto de vista alheio, e fazer convencimento, nosso papel é esse. Mas não é todo o mundo que tem estômago…Esse criminoso babaca, em minha opinião, sofre do mesmo mal contemporâneo que assola os adolescentes nos Estados Unidos que massacraram estudantes numa escola, ou aquele sujeito que entrou no cinema e metralhou todo o mundo. Narcisismo psicótico, acha que é uma personagem de Hollywood. Tem muito muito muito que ser punido, porque este é um mal que tende a se alastrar.

antonio schmidt – diz:foi uma barbaridade o que aconteceu, e o motorista estava errado em atropelar as pessoas, incluindo idosos e guris. mas li coisas aqui que me vejo obrigado a falar.concordo com o que a marcela e o fernando azevedo falaram, foi errado o que o barbeiro do golf fez, mas as bicicletas nao estavam todas corretas.os carros tem direito de se espalhar pela pista toda porque seus donos pagam um imposto a mais para isso (IPVA), enquanto as biclicletas nao pagam. embora mais ciclovias devessem existir, as pistas foram feitas para carro, quer queira quer nao, e a justificativa para isso é a existencia do IPVA. se tinham bicicletas usando toda uma via, e nao a faixa destinada para tal, passa a ser baderna, ou manifestacao, como queiram.e a quem fala de “salvar o planeta”, tem esse video muito interessante que trata desta hipocrisia: http://www.youtube.com/watch?v=eScDfYzMEEw

Kadu Vasconcellos – diz:Marcela, com relação aos seus comentários, só queria dizer uma única coisa: Já estagiei e trabalhei em duas universidades federais (Federal de São Paulo e de Uberlândia), e posso afirmar com toda a certeza que o funcionário público, no exercício da função, acha que pode fazer qualquer coisa, inclusive não trabalhar, pois ele muito dificilmente será exonerado da função pela nossa JUSTIÇA. Acontece que, certas pessoas, e não são poucas, sofrem do que a minha irmã chama de “síndrome dos pequenos poderes”. É aquela pessoa que não tem absolutamente nada na vida e, quando lhe é fornecido algum poder, por menor que este o seja, exagera e acha que pode fazer TUDO. Um exemplo é aquele porteiro que acha que é síndico do condomínio. Ou aquele funcionário da “Zona azul” que acha que é policial militar. Isso acontece e MUITO e, talvez, e não mais que talvez, tenha sido o caso dessa pessoa. Se bem que alguns funcionários públicos ganham MUITO bem, até acima do teto salarial, como os ministros do nosso país, e talvez, e não mais que talvez, esse cidadão seja um deles, e ache que, por ter um nível financeiro alto, não acontecerá nada a ela… São suposições de uma realidade perturbadora do nosso país, mas ainda assim uma realidade….

Marcela – diz:Realmente, o motorista foi total “joselito”. Não discordo disso! Pode até ser que isso decorra da condição dele e da “síndrome dos pequenos poderes” (melhor dizendo, a “microfísica do poder” de Foucault). Mas acho errado divulgar isso como se fosse a causa sem que se possa constatar. É desse tipo de atitude que surgem PRECONCEITOS.Mesmo pq, como o colega Kadu citou, isso tb pode decorrer da condição financeira muito acima da média – o que pode acontecer com qualquer pessoa, por exemplo filhos de empresários que nunca trabalharam na vida. Percebeu? São conjecturas inúteis e que só criam estereótipos preconceituosos para uma coletividade. Todo mundo faz esse tipo de valoração, é inevitável, é da natureza humana, mas achei que o texto ultrapassou o limite do razoável, por isso que me manifestei. Abçs

Marcela – diz:Realmente, o motorista foi total “joselito”. Não discordo disso! Pode até ser que isso decorra da condição dele e da “síndrome dos pequenos poderes” (melhor dizendo, a “microfísica do poder” de Foucault). Mas acho errado divulgar isso como se fosse a causa sem que se possa constatar. É desse tipo de atitude que surgem PRECONCEITOS.Mesmo pq, como o colega Kadu citou, isso tb pode decorrer da condição financeira muito acima da média – o que pode acontecer com qualquer pessoa, por exemplo filhos de empresários que nunca trabalharam na vida. Percebeu? São conjecturas inúteis e que só criam estereótipos preconceituosos para uma coletividade. Todo mundo faz esse tipo de valoração, é inevitável, é da natureza humana, mas achei que o texto ultrapassou o limite do razoável, por isso que me manifestei. Abçs

Leonor Sotero – diz:Já que é para apelar, vamos apelar. Se “amanhã” não houvesse mais combustível para veículos motorizados (qualquer um) não poderíamos mais transitar nas ruas ( malhas viárias)? Ou se não existissem automóveis ( tipo antigamente) não existiriam ruas? andaríamos pelos quintais das casas para ir de lugar para outro. Acho que colocar leis acima do bom senso já é um gancho para que mudemos essas leis.A VALORIZAÇÃO DA VIDA é a lei maior. Sou funcionária pública aposentada e até onde eu me lembro, devemos sim dentro e fora das repartições públicas sermos exemplo no respeito ao cidadão, aos bens públicos. Pois se ESCOLHEMOS uma profissão que tem como príncipio básico o bem estar público, como poderíamos agir diferentemente quando não estamos no exercício da função?. É como se um médico negasse socorro só porque ele está de férias, ou fora do horário e local de trabalho. Mesmo não tendo pena diferente para delitos que não estejam ligados à prática da função, nós funcionários públicos devemos servir de “exemplo” . As ruas são ou deveriam ser para um propósito maior: ir e vir do SER HUMANO. A propósito IPVA é um IMPOSTO , não um PRIVILÉGIO. Para os desafetos do POST gostaria de saber se teriam a mesma posição se uma, apenas uma, das pessoas atropeladas fossem parente (tipo filho(a), pai, mãe, esposo(s), avô). PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS É COLÍRIO.

Apesar de ser ciclista, concordo com o delegado. O que este grupo tem em mente ao violar o direito coletivo de uso da via? Quem faz o que quer, recebe o que não quer.

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