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A arte do centro de São Paulo


Muitos desconhecem a beleza que é morar no centro de São Paulo. É difícil reconhecer, principalmente pelo descuido e pela falta de políticas públicas efetivas para melhorar a região. Mas, acredite, o centro é belo e há muito o que se fazer por aqui – e ele precisa que você o frequente mais vezes, e rápido.

Para se ter uma ideia, a prefeitura iniciou o processo de limpar os grafites que ilustram os pilares que sustentam o engodo que é o Minhocão. Ali, havia diversos desenhos, assinaturas, pinturas e ilustrações feitas por artistas de rua e que deixavam a região muito mais a caráter do que o próprio concreto. São Paulo é conhecida por suas inúmeros galerias a céu aberto, que a arte de rua trouxe para a cidade conhecida como “selva de pedra”.

Quem curte, dê uma olhada nos mapas colaborativos de arte de rua, como o Mapa de Graffiti. São belos guias sobre o que tem sido produzido de interessante e está espalhado pela cidade (além do famoso Beco do Batman, lá na Vila Madalena). Mas, como avisado acima, corram, pois a prefeitura – que, parece, não conhecer exatamente o conceito de arte de rua – decidiu fazer uma limpeza no centro.

Por aqui, há também belas construções, com uma arquitetura que diferencia do horrendo neo-clássico (a grande moda das empresas de arquitetura e engenheria) e o quadradão habitacional (comum em vários bairros e que carregam o nome de “pombal”). Dá para encontrar obras arquitetônicas das mais variadas épocas e formas, como a própria vila da Casa da Cultura Digital. O grande problema é que elas estão abandonadas ou sem a manutenção devida.

O site São Paulo Antiga tem feito um trabalho exemplar de mapear e questionar as estruturas arquitetônicas espalhadas pela cidade e o descaso que as prefeituras (pensando em grande São Paulo) têm demonstrado em relação a elas. Por ele, você consegue encontrar um belo sobrado abandonadíssimo na Av. Rebouças, as causas para o desinteresse e até qual o provável futuro que ele levará: a demolição.

Muitas casas antigas, com estilos arquiteônicos singulares, foram demolidos em São Paulo para dar lugar a prédios mais modernos ou, então, aos comuns estacionamentos. Esse foi o caso, por exemplo, de um casarão na Av. Bela Cintra, que abrigava um popular bar. A casa foi vendida para dar lugar a um prédio, o que é uma lástima para a história de uma cidade que tem em vigor uma lei que permite com que se admire com mais facilidade a fachada das construções, e não propagandas ou outdoors..

E por falar em demolições, um lugar bem popular no centro da cidade que sofrerá reformulações será a Praça Roosevelt. No ano passado, a Veredas tinha proposto uma ocupação da área com foco em atividades multimídia enquanto as obras não começassem, mas as verbas foram cortadas e não conseguimos seguir adiante. De qualquer forma, as obras já começaram e a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) prevê que o projeto final seja concluído em dois anos. Segundo a própria entidade, serão investidos R$ 36,8 milhões, sendo 85% financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O centro de São Paulo precisa ser redescoberto. E é por isso que projetos que usam as novas tecnologias tem pipocado por aí, como meio de demonstrar a situação e divulgar o que há de melhor. Ocupe a cidade! Ela é linda!

Foto tirada por Eduardo Ruiz e publicada no perfil de Milton Jung CBNSP do Flickr. O Elvis está ali, em um pilar do Minhocão até ser apagado pela prefeitura.

3 replies on “A arte do centro de São Paulo”

Tatiana Stock – diz:Parabéns pela matéria e principalmente pelo trabalho de todas essas pessoas que apostam na arte urbana, que tanto contribui para dar vida ao mundo cinza e capitalista em que vivemos.

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