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Um dia

Eu queria ser alto como as andorinhas que não sabem muito bem o que são. Eu queria ser leve como Deus, que também não faz ideia do peso que tem. Eu queria ser mais receptivo como as portas giratórias de prédios com alta circulação. Eu queria ser livre como uma foca, da família dos focídeos, com formato de torpedo e nadadeiras aerodinâmicas. Eu queria ser magro como um florete de esgrima para ter a agilidade de dois movimentos de punho. Eu queria ser rápido como minhas cordas vocais para reverbar todas as informações que chegam até mim. Eu queria ser belo como a coerência de uma tinta acrílica de cor básica para manter a lisura de um boneco e aparentar uma luminosidade natural. Eu queria ser pleno como um chapéu, em que não há dúvidas de onde entrar e nem para que servir.

Talvez, um dia.

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