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Produção de cultura pela rede


O país vive um momento muito rico relacionado às novas tecnologias. Iniciativas e mais iniciativas surgem no cenário brasileiro que usam os conceitos e ferramentas da rede para modificar ainda mais as estruturas da sociedade. Políticas públicas para o país estão sendo pensadas usando essas ferramentas, algo de certa forma inédito no mundo.

A Casa da Cultura Digital junto com a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura colocaram no ar o projeto Produção Cultural no Brasil. É um portal multimídia com cerca de 100 entrevistas com produtores, artistas e pesquisadores sobre o que é produção cultural que culmiram não só no conteúdo do site, mas também em cinco publicações para gerar bibliografia sobre a temática no país – que, até então, é praticamente ínfima.

São nomes como Zé Celso (na foto), Nelson Motta, Heloísa Buarque de Hollanda, Fernando Faro, MC Leonardo, Chacal, Thomaz Farkas entre tantos outros.

As entrevistas já foram realizadas e estão sendo disponibilizadas aos poucos no portal, mas o público – ou seja, você – pode ir lá e dar seus pitacos tanto sobre a empreitada, quanto sobre o que se poderá fazer com o material (como opinar sobre os livros, por exemplo). As publicações serão as próprias entrevistas, mas em versões expandidas do que as disponibilizadas no site.

É interessante ver, por exemplo, André Midani, responsável por lançar João Gilberto, a bossa nova, e grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Chico Buarque e Gilberto Gil dando sua opinião sobre a democratização cultural. “Muita vezes, eu acho que essse debate sobre política cultural é uma grave injustiça com as classes menos favorecidas, que não precisam de cultura. Elas precisam de educação, de hospital, de coisas que posteriormente darão, permitirão a eles o acesso à cultura”, opina.

Tudo isso serve como base para que novos produtores culturais consigam se orientar para desenvolver novos projetos, seja disconcordando com aqueles que já fizeram ou concordando com opiniões e processos criativos. A entrevista com Marcelino Freire, escritor e propositalmente enquadrado como agitador cultural, dá uma base de como a cultura fica muito centralizada no que acontece na maior metrópole do país, São Paulo, quando ele conta sobre a cidade que nasceu, no interior de Pernambuco. “Eu só descobri, na verdade, Sertânia quando eu vim morar em São Paulo. São Paulo fez com que eu descobrisse que tinha sotaque, que eu era de Sertânia, que eu tinha memória, que tinha muita saudade.”

E sobre o termo “agitador cultural”, Freire discorda: “eu sou um agitado cultural. Faço as coisas porque quero interferir na geografia das coisas. A vida, já dizia o poeta Chacal, é muita curta para ser pequena”.

Os processos para a construção da plataforma, das entrevistas e das publicações serão disponibilizados no portal também como mais uma fonte de informação para o tema. Afinal, é uma iniciativa que deve ser destrinchada para que se estimule outras e outras por aí similares, principalmente por usar as ferramentas de rede como um forma de se produzir cultura no país.

E se você acha que isso não é para você, fique com o poema de Manuel Bandeira que está na entrevista de Marcelino também, que o inspirou a se tornar escritor:

“Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde…
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!”

E que sejamos todos poetas, por mais que menores.

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