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Antena

Durante a minha adolescência, sentia coisas que não conseguia descrever. Sem saber direito o que era, pensava que não era possível todos se sentirem daquele jeito. Havia dias, principalmente os domingos, em que meu corpo parecia aberto. Alguém tinha pegado a pecheira e abrido meu tórax. Até conseguia sentir o vento batendo ritmado com as pulsações de meu coração. Sentia tudo, no mundo todo. Para distrair, escutava música. Titãs um dia me falou: “Eucride, fala para a mãe que tudo o que antena captar meu coração captura”. Eu avisei minha mãe. Ela não desligou a televisão. Daí, eles me falaram outra coisa: “Marvin, agora é só você”. E saí pelo mundo com o tórax aberto captando o que a antena captura.

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