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Imortal

A experiência com poemas me fez ver que gostava de usar fardas. E as ideias de passagem, de tempo, de transitoriedade, não eram muito bem assimiladas. Queria existir para ficar. Decidi, então, ser imortal. Imortais usam fardas. Fui à biblioteca da escola e estudei a biografia dos imortais já mortos. Grande parte fez o mesmo curso na mesma faculdade, outra parte só dividiam a profissão. Depois disso, me perguntavam o que faria quando saísse da escola, respondia que iria àquela faculdade. “Ser advogado?” Não, mas terei um busto meu entre as arcas. A imortalidade lhe dá esses privilégios, gabava-me. Me disseram que não faziam mais bustos atualmente. E que as fardas exigidas pela faculdade eram muito feias. Fui pela outra profissão, então. Cada vez mais me sinto longe da imortalidade. E nunca usei uma farda.

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