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A tecnologia resignificada

Quando converso com outras pessoas que não são do meio tecnológico sobre o que faço, sempre sinto que o assunto parece distante do cotidiano delas, mesmo que trabalhem usando o computador, estejam disponíveis pelo celular 24/7 e possuem os equipamentos mais avançados para tirar foto ou vídeo.

Como deixar o tema mais próximo das pessoas? É o que o artista digital Fernando Rabelo discute em suas obras. Eu o entrevistei para a pesquisa “A Arte do Cibridismo”, com realização pela Funarte, para entender melhor o seu trabalho e traçar um panorama sobre a produção artística digital brasileira.

Rabelo iniciou o seu processo artístico em 2005, com a sua primeira obra Contato QWERTY, que fez parte da exposição de arte eletrônica FILE. O espectador interagia com os circuitos para projetar alguns vídeos, deixando claro todos os mecanismos usados para se chegar ao resultado final.

“Você vai lá em uma mesa touch e diz ‘é legal, essa mesa touch faz o som’, mas e aí? O primeiro impacto é ‘eu vou ficar maravilhado, porque isso é touch’. Dá uma sensação bacana, mas você não sabe o que está acontecendo ali dentro. Se for tentar olhar, peraí: cadê o fio? Onde está a projeção? O que é? Você não consegue desenvolver… isso no meu pensamento. O contato é até certo ponto. Depois desse ponto… como ele programou? O que ele fez? Você não sabe. O artista não está lá. Você não consegue perguntar. A maioria das coisas estão no backstage. Isso, para mim, é de ainda perpetuar a mesma regra de mercado, que é esconder tudo nos aparelhos, nas coisas, para você ficar maravilhado em primeira mão e depois se tornar um usuário do negócio. E não um participante, que pode criar e fazer outras coisas juntos.”

O processo criativo de Rabelo tem algumas características em comum com o movimento MetaReciclagem. Ambos procuram mostrar à população uma outra significação do que é a tecnologia. Falar no tema não se resume ao modelo mais avançado de celular, à nova versão de um sistema operacional ou à modinha de um determinado equipamento. A ideia é que as pessoas consigam se apropriar da tecnologia à disposição para trazer algo de realmente útil para a sua vida.

É reaproveitandoo lixo eletrônico que se busca mostrar que a tecnologia não é algo que exige conhecimentos técnicos muito avançados ou complexos. Qualquer um pode trabalhar para resignificar aquilo que está a sua volta.

Só se precisa ver os componentes com outros olhos, sem o design que tanto nos surpreende e estimula o consumo. A tecnologia nua pode ser muito mais bonita do que vestida.

Experimente!

2 replies on “A tecnologia resignificada”

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