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Petisco

Eu, menino da cidade, sempre achei que menino do interior é mais sabido. Tudo era motivo para perguntar o que era. Tudo com resposta na ponta da língua. Quando menino do interior vai para a cidade, é só ver duas ou três coisas e acabou. O que nos diferenciava tinha se esgotado. Menino do interior não. Sabia explicar todo o cenário a nossa vista como se fosse algo inédito. Um dia, uma prima do interior me mostrou pequenas peles de carcaça de cigarra. Ela colecionava. Eu, gordo, queria comê-las. Pareciam crocantes. Ela disse que não. Se nem elas queriam aquilo, por que eu iria querer? Fiz a mesma pergunta. Casca de cigarra não é muito bom não.

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